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Brasil liga sinal de alerta na defesa e agora quer drones de ataque com alcance de até 25 km, incluindo drones kamikazes, com altitude de 3.000 ft, autonomia de 50 minutos e interesse de 37 empresas

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 21/03/2026 às 14:27
Exército Brasileiro avança na seleção de drones de ataque com alcance de até 25 km e interesse de 37 empresas nacionais e estrangeiras.
Exército Brasileiro avança na seleção de drones de ataque com alcance de até 25 km e interesse de 37 empresas nacionais e estrangeiras.
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Movimento do Exército amplia foco em drones de ataque, envolve indústria nacional e estabelece novos parâmetros técnicos para operações táticas com aeronaves remotamente pilotadas, incluindo sistemas de munição vagante e plataformas com diferentes níveis de alcance, autonomia e emprego em campo.

O Exército Brasileiro abriu uma nova etapa no processo para selecionar drones de ataque e munições remotamente pilotadas, incluindo sistemas capazes de lançar munição e modelos do tipo “kamikaze”, em uma movimentação que amplia o foco da Força sobre vigilância, reconhecimento e engajamento tático.

A iniciativa foi lançada pela Diretoria de Fabricação, órgão ligado ao Departamento de Ciência e Tecnologia, e busca pré-qualificar soluções já disponíveis no mercado para eventual desenvolvimento ou produção em parceria com a própria instituição.

Edital marca nova fase na seleção de drones militares

A abertura do edital ocorreu em 20 de março de 2026, data em que a Diretoria de Fabricação anunciou o início da fase de pré-qualificação dos Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas de ataque, conhecidos pela sigla SARP.

Essa etapa sucede a requisição de informações feita anteriormente pelo Exército e funciona como um filtro técnico para identificar quais plataformas atendem às exigências operacionais traçadas pela Força.

Pelo desenho do projeto, o Exército não limita a iniciativa a uma compra imediata.

A proposta também contempla a possibilidade de que o desenvolvimento final e a produção dos sistemas ocorram no país, com participação direta dos Arsenais de Guerra subordinados à Diretoria de Fabricação.

A sinalização reforça o interesse em mapear capacidades industriais nacionais antes de qualquer avanço para fases mais formais de contratação.

Requisitos técnicos para drones de curto e médio alcance

A pré-qualificação foi organizada em duas categorias, cada uma voltada a um perfil distinto de emprego tático.

A primeira reúne drones ultraleves de curto alcance, destinados ao uso por pelotões, grupos de combate ou pequenas subunidades, com peso máximo de decolagem de até 2 quilos, operação a até 400 pés de altitude e raio de ação de até 15 quilômetros em linha direta de visada.

A autonomia exigida nessa faixa varia de 20 a 25 minutos.

Já a segunda categoria concentra equipamentos de porte maior, pensados para emprego por unidades ou brigadas em missões táticas mais amplas.

Nesse caso, o edital prevê peso máximo de decolagem de até 15 quilos, operação a até 3.000 pés, alcance de até 25 quilômetros em linha direta de visada e autonomia mínima de 50 minutos.

O foco operacional recai sobre vigilância, reconhecimento e aquisição de alvos em apoio às operações terrestres.

Embora a expressão “drone kamikaze” tenha ganhado espaço no debate público, a documentação trata o tema dentro do escopo mais amplo das munições remotamente pilotadas e das munições vagantes.

Na prática, isso inclui sistemas capazes de permanecer na área de interesse até a identificação de um alvo, além de plataformas que possam lançar munições durante a missão, o que amplia o espectro de soluções avaliadas.

Interesse de empresas brasileiras cresce no setor de defesa

Na fase anterior, voltada ao levantamento de informações do mercado, 37 empresas manifestaram interesse em participar do projeto.

Desse total, 33 são brasileiras, segundo dados divulgados pela Diretoria de Fabricação e reproduzidos por veículos especializados em defesa.

A distribuição dessas companhias por nove estados foi apresentada como um indicativo de capilaridade da base industrial envolvida no tema.

Esse número ajuda a dimensionar a prioridade que o segmento passou a ocupar dentro da agenda militar brasileira.

O Exército vem tratando drones e sistemas antidrones como áreas centrais de modernização, em um cenário no qual conflitos recentes consolidaram o uso massivo dessas plataformas em tarefas de observação, correção de tiro, ataque de precisão e saturação de alvos.

A corrida tecnológica, nesse contexto, deixou de ser apenas uma tendência e passou a influenciar decisões concretas de planejamento.

No caso brasileiro, o processo ainda está em fase preliminar, o que significa que a abertura do edital de pré-qualificação não equivale, por si só, a uma contratação fechada.

Antes disso, o Exército vem usando mecanismos como a RFI para compreender o que a indústria oferece, quais tecnologias já estão maduras e que requisitos técnicos podem ser exigidos adiante.

Só depois dessas fases é que uma eventual aquisição tende a avançar para pedidos formais de proposta e negociação comercial.

Estratégia inclui produção nacional e restrições técnicas

A ênfase em parceria com a indústria local aparece como um dos pontos mais relevantes dessa iniciativa.

Ao admitir apoio direto dos Arsenais de Guerra no desenvolvimento final ou na produção, o Exército indica que o interesse não se limita à importação de soluções prontas, mas também à construção de capacidade nacional em um segmento que ganhou importância estratégica.

Esse recorte é especialmente sensível porque o edital exige que as aeronaves estejam disponíveis no mercado, sem permanecer apenas como conceito ou projeto em desenvolvimento.

Também foi informado que os modelos não podem apresentar restrições ligadas ao regime internacional de controle de comércio de armamentos dos Estados Unidos, conhecido pela sigla ITAR.

Esse detalhe pode afetar a participação de determinados fornecedores e cadeias produtivas.

Ao separar os sistemas em faixas táticas distintas, a Diretoria de Fabricação também deixa claro que a necessidade militar não se restringe a um único tipo de plataforma.

De um lado, a demanda recai sobre drones leves, voltados a observação imediata e apoio direto a pequenas frações em combate.

De outro, a Força procura meios com maior permanência no ar e maior raio de ação para vigilância e identificação de alvos em nível de unidade ou brigada.

A abertura dessa nova fase ocorre em um momento em que o uso de aeronaves não tripuladas deixou de ser acessório em operações modernas e passou a integrar o núcleo das capacidades terrestres.

Nesse ambiente, a movimentação do Exército brasileiro indica uma tentativa de reduzir atraso tecnológico e estruturar, com participação industrial doméstica, uma base mais robusta para missões de reconhecimento armado e munição vagante.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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