O Brasil é o maior fornecedor de produtos agropecuários para a China desde 2018, exportou US$ 51,6 bilhões em alimentos para o mercado chinês em 2025 e agora avança no comércio de milho e sorgo com Pequim. Segundo informações do CNN Brasil, o embaixador chinês no Brasil, Zhu Qingqiao, afirmou que os dois países possuem forte complementaridade agrícola e amplo espaço para crescer juntos em tecnologia e segurança alimentar.
O Brasil ocupa uma posição que nenhum outro país do mundo conseguiu: ser o principal fornecedor de alimentos para a nação mais populosa do planeta. Desde 2018, o Brasil é o maior exportador de produtos agropecuários para a China, e em 2025 o comércio agrícola bilateral alcançou US$ 51,6 bilhões, o equivalente a cerca de um quarto de todas as importações agrícolas chinesas. A declaração foi feita pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, durante congresso da Abramilho em Brasília, onde ele detalhou o avanço da cooperação entre os dois países.
O que torna a relação entre Brasil e China especialmente relevante neste momento é que ela não está parada na soja e na carne. O embaixador destacou que há elevado potencial de crescimento no comércio de milho e sorgo, dois produtos que começaram a entrar no mercado chinês mais recentemente e que podem ampliar significativamente a pauta comercial nos próximos anos. Em janeiro de 2026, as exportações de sorgo brasileiro para a China já atingiram 25,8 mil toneladas, com expectativa de crescimento gradual nos meses seguintes. A China também se consolidou como o quinto maior mercado para o milho brasileiro.
US$ 51,6 bilhões: o tamanho do comércio agrícola entre Brasil e China
A dimensão financeira da relação agrícola entre Brasil e China impressiona por qualquer métrica. Os US$ 51,6 bilhões exportados em produtos agropecuários brasileiros para o mercado chinês em 2025 representam aproximadamente 25% de tudo que a China importou em alimentos no mesmo período. Nenhum outro país se aproxima desse volume de fornecimento ao mercado chinês, o que coloca o Brasil em posição de influência única na segurança alimentar da segunda maior economia do mundo.
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A relação comercial entre os dois países no setor agrícola se intensificou a partir de 2008, quando a China se tornou o principal destino das exportações agropecuárias brasileiras. Dez anos depois, a posição se consolidou com o Brasil assumindo a condição de maior fornecedor. Desde então, o fluxo tem se ampliado tanto em volume quanto em diversidade de produtos, com a abertura progressiva de novos mercados para itens que antes não faziam parte da pauta bilateral.
Milho e sorgo: os novos capítulos da parceria

A soja e a carne bovina dominam a pauta de exportações agrícolas do Brasil para a China há anos, mas dois novos produtos ganham espaço com potencial de transformar a relação. O sorgo brasileiro começou a ser exportado para a China após a assinatura de protocolos sanitários no ano passado, e em janeiro de 2026 os embarques já somaram 25,8 mil toneladas. O volume ainda é modesto em comparação com a soja, mas representa o início de um fluxo que a expectativa é que cresça de forma gradual e consistente.
O milho brasileiro também encontrou mercado na China, que já é o quinto maior comprador do cereal produzido no Brasil. Para um produto que há poucos anos não fazia parte do comércio bilateral, alcançar a quinta posição no ranking de destinos é um avanço significativo. O embaixador Zhu Qingqiao sinalizou que mais produtos agrícolas do Brasil devem chegar ao mercado chinês nos próximos anos, à medida que os entendimentos regulatórios e fitossanitários entre os dois países continuem avançando.
“Temos que segurar a tigela do nosso povo”: a prioridade alimentar da China
O embaixador chinês utilizou uma expressão do presidente Xi Jinping para explicar por que a China trata a segurança alimentar como tema estratégico. “Temos que segurar a tigela do nosso povo” é a frase que traduz a preocupação de Pequim com a necessidade de garantir o abastecimento alimentar de mais de 1,4 bilhão de pessoas, em um país onde a área arável disponível é de aproximadamente 120 milhões de hectares, uma fração do potencial agrícola do Brasil.
A China tem investido na ampliação de sua infraestrutura agrícola, especialmente em irrigação e armazenamento de grãos, mas reconhece que a produção doméstica sozinha não é suficiente para alimentar sua população. É essa lacuna que transforma o Brasil no parceiro indispensável: o país possui terra arável em abundância, clima favorável, tecnologia agropecuária avançada e capacidade logística para exportar milhões de toneladas de grãos, carnes e outros produtos. Para Zhu Qingqiao, a complementaridade entre os dois países não é apenas comercial, mas estrutural.
Tecnologia agrícola: os centros que Brasil e China constroem juntos
A cooperação entre Brasil e China não se limita à compra e venda de commodities. Os dois países desenvolvem juntos projetos de tecnologia agrícola que incluem um centro de demonstração de máquinas para agricultura familiar no Brasil, um centro de pesquisa e inovação em Brasília e um centro de tecnologia inteligente em construção em Londrina, no Paraná. Esses projetos são voltados principalmente à mecanização da agricultura familiar, um segmento que no Brasil ainda depende de métodos manuais em muitas regiões.
O embaixador chinês destacou que “o futuro da agricultura está na ciência e na tecnologia” e que a China vem investindo no desenvolvimento da agricultura inteligente e no uso eficiente de recursos naturais. Essas iniciativas fazem parte do 15º Plano Quinquenal chinês para inovação e modernização agrícola. Além dos centros de tecnologia, projetos ligados à biotecnologia também integram a agenda bilateral. Para o Brasil, a parceria representa acesso a tecnologias que a China desenvolveu para suas condições específicas e que podem ser adaptadas à realidade brasileira.
Da soja ao sorgo: como a pauta se diversifica

A diversificação dos produtos agrícolas que o Brasil exporta para a China é uma tendência que ganha força a cada novo protocolo sanitário assinado. A soja continua sendo o carro-chefe do comércio bilateral, representando a maior fatia dos US$ 51,6 bilhões exportados em 2025, mas a entrada do milho, do sorgo e de outras proteínas vegetais e animais está reduzindo a concentração da pauta em um único produto. Para o Brasil, essa diversificação é estratégica porque diminui a vulnerabilidade a oscilações de preço ou demanda de uma única commodity.
Para a China, comprar mais tipos de produtos do Brasil amplia as opções de abastecimento e reduz a dependência de fornecedores alternativos. A cada novo produto que entra na pauta bilateral, cria-se mais um vínculo comercial que fortalece a relação e dificulta que interrupções pontuais em um segmento comprometam o conjunto da parceria. O sorgo brasileiro que chegou à China em janeiro pode parecer pouco perto das milhões de toneladas de soja embarcadas anualmente, mas representa a abertura de uma porta que tende a ficar cada vez mais larga.
Dois países que se completam no campo
O Brasil é o maior fornecedor de alimentos para a China, exportou US$ 51,6 bilhões em produtos agrícolas em 2025 e está ampliando a pauta bilateral com milho e sorgo enquanto constrói centros de tecnologia agrícola em parceria com Pequim. A complementaridade entre os dois países é estrutural: o Brasil tem terra e produção, a China tem demanda e tecnologia, e juntos representam a maior relação de comércio agrícola do planeta. Segundo o embaixador Zhu Qingqiao, ambos os lados estão dispostos a ampliar a cooperação para fortalecer a segurança alimentar global.
Você acompanha a relação comercial entre Brasil e China no agronegócio? Conte nos comentários o que acha do avanço das exportações de milho e sorgo, se acredita que a diversificação da pauta é positiva para o produtor brasileiro e como avalia os centros de tecnologia agrícola que os dois países constroem juntos. Queremos ouvir a sua opinião sobre essa parceria.
