Só em julho de 2025, a falta de infraestrutura portuária fez o Brasil perder R$ 1,084 bilhão em exportações de café e acumular um prejuízo logístico de R$ 83 milhões desde 2024.
Segundo o portal IstoÉ Dinheiro, o Brasil deixa de exportar mais de 500 mil sacas de café em julho de 2025, acumulando perdas de R$ 1,084 bilhão em receita cambial. A crise foi causada por gargalos na infraestrutura portuária, principalmente no Porto de Santos, e atrasos recorrentes em navios, que já somam prejuízos logísticos de R$ 83 milhões desde 2024.
O impacto é expressivo porque o Brasil é o maior exportador mundial da commodity. Cada atraso compromete contratos internacionais e ameaça a credibilidade do café brasileiro no mercado global.
Onde estão os gargalos?
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informou que foram 508.732 sacas de 60 kg que não seguiram viagem em julho, equivalentes a 1.542 contêineres. Só o Porto de Santos responde por 80,4% dos embarques no ano e foi o principal foco da crise.
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Em julho, 65% dos navios que atracaram em Santos sofreram atrasos ou mudanças de escala, chegando a esperar até 35 dias para carregar. Esse problema logístico trava o fluxo de exportações e gera custos adicionais para produtores e empresas.
Quanto já foi perdido?
No total dos portos brasileiros, 51% dos navios registraram atrasos em julho, segundo o Boletim Detention Zero (DTZ), da startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé. Somente nesse mês, os custos extras de armazenagem, detentions, pré-stacking e antecipação de gates chegaram a R$ 4,14 milhões.
Desde junho de 2024, os prejuízos acumulados associados ao setor já somam R$ 83,06 milhões, além da perda direta de receita cambial. O Brasil deixa de exportar milhões em café e acumula impactos financeiros que reduzem a competitividade no comércio exterior.
Quais as soluções em debate?
Segundo o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, a expectativa é que os problemas sejam atenuados com o avanço do leilão do Tecon Santos 10, terminal de contêineres do Porto de Santos. Em debates no TCU e na Câmara, representantes do Cade afirmaram que não há necessidade de restringir a participação de empresas no certame.
A previsão é que o leilão ocorra ainda em 2025, trazendo investimentos que ampliem a capacidade do porto. O objetivo é evitar que o Brasil continue deixando de exportar volumes bilionários de café por falta de infraestrutura.
Impacto no mercado global
O atraso nas exportações de café não atinge apenas os produtores. O Brasil deixa de exportar em um momento de alta demanda internacional, criando espaço para concorrentes como Vietnã e Colômbia ampliarem participação. Isso pode reduzir o protagonismo brasileiro em um setor no qual é líder histórico.
A crise mostra como gargalos logísticos são capazes de minar o desempenho de cadeias inteiras, mesmo quando a produção é abundante e competitiva.
O fato de o Brasil deixar de exportar mais de 500 mil sacas de café em um único mês evidencia que a infraestrutura portuária é hoje um dos principais desafios para o agronegócio. Sem investimentos, o país corre o risco de perder espaço no mercado global e ver sua liderança ameaçada.
Você acredita que o Brasil está preparado para resolver seus gargalos logísticos? Ou a falta de investimento vai continuar fazendo o país deixar de exportar bilhões em produtos estratégicos? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir quem acompanha de perto essa realidade.

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