O aumento histórico das deportações de brasileiros em 2025 expõe o endurecimento da política migratória dos Estados Unidos, revela prisões prolongadas, voos semanais lotados e obriga o Brasil a ampliar ações de acolhimento e reintegração social
O Brasil registrou em 2025 o maior número de deportações de brasileiros vindos dos Estados Unidos desde o início dos voos fretados, em 2020, segundo dados apresentados em reportagem exibida pelo Jornal Nacional.
Somente desde janeiro, 3.170 brasileiros que viviam em situação migratória irregular no território americano foram deportados, um aumento superior a 90% em relação ao ano anterior, conforme informou o governo federal.
O dado reflete uma intensificação da política anti imigração norte-americana e coloca 2025 como o ano com maior volume de retornos forçados desde o início desse modelo de operação aérea.
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Voo com 80 deportados chegou a Belo Horizonte
O 34º voo de deportados deste ano pousou no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte nesta semana, trazendo 80 brasileiros que haviam sido detidos pelas autoridades migratórias dos Estados Unidos.
Entre eles estava Lucas, que vivia ilegalmente no país havia sete anos e passou três meses preso antes de ser deportado para o Brasil.
Visivelmente emocionado ao desembarcar, Lucas relatou a expectativa pelo retorno. Ele afirmou estar feliz por finalmente chegar ao país após um longo período de espera.
Histórias marcadas por prisão e retorno forçado
Outro deportado, Aridelson, permaneceu quase dois meses preso antes de ser colocado no voo de retorno ao Brasil, segundo a reportagem.
Ao chegar, ele declarou a intenção de reconstruir a vida no país, atuar em sua área profissional e permanecer definitivamente em território brasileiro.
Os relatos revelam experiências semelhantes entre os deportados, marcadas por longos períodos de detenção e incertezas até o retorno.
Ação do governo brasileiro no acolhimento
Desde o início do ano, o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania estruturou um programa específico para acolher os brasileiros deportados.
A iniciativa prevê apoio inicial, orientação e encaminhamento dessas pessoas para suas cidades de origem após o desembarque em solo brasileiro.
Segundo representantes do ministério, houve uma mudança na forma de enxergar os migrantes que retornam, com foco na compreensão de seus perfis e trajetórias.
Mudança de olhar sobre a migração brasileira
De acordo com o ministério, o programa permitiu conhecer melhor o histórico desses brasileiros e entender o impacto de terem vivido anos fora do país.
O órgão avalia que essa experiência internacional também representa um aporte social e profissional relevante, que pode ser reintegrado ao mercado brasileiro.
Essa abordagem busca reduzir estigmas e oferecer condições mais estruturadas para o recomeço após a deportação.
Política antiimigração deve ampliar deportações
Segundo a reportagem do Jornal Nacional, o voo que chegou às vésperas do Natal é o penúltimo com deportados a pousar no Brasil em 2025.
A política antiimigração tornou-se prioridade nos Estados Unidos desde a posse do presidente Donald Trump, em 20 de janeiro.
A professora de relações internacionais Carolina Molan avaliou que as deportações tendem a aumentar de forma significativa nos próximos anos.
Orçamento crescente para ações migratórias
Segundo a especialista, os Estados Unidos ampliaram fortemente os recursos destinados às agências responsáveis pela política migratória.
Ela classificou os investimentos como um “orçamento de guerra”, que pode chegar a cerca de 200 milhões de dólares direcionados exclusivamente a essas ações.
A projeção indica crescimento exponencial desses recursos até 2029, com impacto direto sobre populações latino-americanas em situação irregular.
