A formação do Grupo de Trabalho, liderado pelo Ministério de Minas e Energia, marca um passo essencial para estruturar a energia eólica offshore e transformar o imenso potencial brasileiro em realidade
A energia eólica offshore acaba de ganhar um novo capítulo no Brasil com a criação de um Grupo de Trabalho dedicado a estruturar regras claras para o setor, segundo uma matéria publicada.
A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no último dia 1º de outubro, e envolve a coordenação direta do Ministério de Minas e Energia (MME).
Esse movimento é visto como essencial para transformar em realidade o gigantesco potencial do país nessa fonte de energia renovável.
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O Brasil possui capacidade estimada de mais de 1.200 gigawatts de geração em áreas marítimas, distribuídas principalmente pelas regiões Nordeste, Sudeste e Sul.
Para quem não está familiarizado com os números, trata-se de um volume que pode colocar o país entre os líderes mundiais em energia limpa.
Como o Grupo de Trabalho vai atuar
O novo colegiado, chamado GT-EO, conta com a participação de 23 instituições públicas e poderá convidar representantes da sociedade civil e da indústria.
Entre suas funções, está a responsabilidade de criar o conjunto de normas infralegais que vão orientar desde a escolha das áreas disponíveis até as exigências técnicas e econômicas para os projetos.
Estão no escopo do grupo pontos como a Declaração de Interferência Prévia (DIP), sanções em caso de descumprimento de regras e até estudos para garantir convivência entre a energia eólica offshore, a pesca e a navegação.
Também está prevista a criação de um Portal Único de Gestão de Áreas Offshore, que deve simplificar processos e dar mais transparência aos projetos.
Potencial de geração e oportunidades econômicas
Estudos indicam que, apenas em locais da costa brasileira com até 50 metros de profundidade e ventos a 100 metros de altura, seria possível aproveitar 697 gigawatts.
Hoje, o Ibama já analisa 104 pedidos de licenciamento ambiental para projetos de energia eólica offshore, que somam 247 megawatts em fase inicial de avaliação.
Os números revelam não apenas a força desse setor em ascensão, mas também o tamanho do desafio regulatório.
Segundo estimativas do próprio MME, a expansão pode gerar até 516 mil empregos em tempo integral até 2050 e contribuir com cerca de R$ 902 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) no mesmo período.

Custos competitivos e novos investimentos
Outro fator que reforça o interesse da indústria é o custo projetado para a operação das usinas de energia eólica offshore.
O valor estimado varia entre 52 e 64 dólares por megawatt-hora, o que torna a fonte competitiva frente a outras formas de energia renovável.
Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a medida reafirma o compromisso do país com a transição energética, além de representar uma oportunidade de atrair investimentos e estimular a indústria naval e portuária.
Com a regulamentação em andamento, abre-se espaço para que o Brasil dê os primeiros passos práticos rumo a um mercado que pode mudar a matriz energética e trazer impactos positivos para diversas cadeias produtivas.
