Mesmo diante de participar da Conferência da ONU de mudanças climáticas, Brasil amplia a produção da termelétrica que mais polui: a do carvão, indo contra a sua declaração favorável ao desenvolvimento da energia renovável
O Brasil, prestes a participar da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, e pretendendo lançar o país como uma fonte de energia renovável para o planeta e com a perspectiva de ser “a segurança da energia limpa do mundo“, elevou suas emissões de carbono no setor energético estendendo até o ano de 2040 subsídios ao carvão.
Esse fato ocorre porque o governo sancionou no mês de janeiro uma lei prevendo a ampliação para o carvão produzido em Santa Catarina, o maior estado produtor do carvão no Brasil e que emprega 70% da mão de obra do setor.
Esse aumento na produção de carvão vai na contra o compromisso com a diminuição do uso de combustíveis fósseis no acordo final da COP-26, assinado por 196 países, incluindo o Brasil, bem como vai no sentido oposto ao de grandes empresas de energia que atuam no país, que estão deixando a produção de carvão para reduzir suas emissões, visando o desenvolvimento da energia renovável.
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COMO AS USINAS TERMELÉTRICAS AFETAM O MEIO AMBIENTE?
Gigantes da energia estão repensando seus investimentos
Na tentativa de diminuir os índices de combustíveis fósseis na sua produção, algumas empresas de energia estão cortando investimentos no setor do carvão. A Engie, por exemplo, maior geradora privada do país, anunciou em setembro a venda da termelétrica Pampa Sul, no município de Candiota (RS). Essa foi a última termelétrica que restava no portfólio da empresa no Brasil, sendo que a venda tinha como objetivo liderar a transição energética para uma economia neutra em carbono. Agora, a empresa tem uma matriz 100% renovável no Brasil.
Além dela, a Eneva, maior operadora privada de gás natural do Brasil, também está repensando seus investimentos no setor de energia do Brasil. Desde o ano de 2020, a empresa se comprometeu a não fazer novos investimentos em carvão, além das térmicas de Pecém (CE) e Itaqui (MA).
As consequências dos subsídios
De acordo com a lei 14.299, a União deverá prorrogar a autorização do Complexo Jorge Lacerda, por 15 anos, a partir de 1º de janeiro de 2025. E, durante esse tempo, o Ministério de Minas e Energia (MME) deverá assinar um contrato de compra de energia de reserva de usinas à carvão (a mais poluente das fontes de energia).
A Associação dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace) prevê um custo por ano de R$ 840 milhões para todos os consumidores de energia do país com o aumento da produção de carvão e também preveem um impacto sobre poluição também.
A decisão deverá aumentar a emissão do setor elétrico, uma tendência que já vinha ganhando corpo nos últimos 20 anos, com o avanço das termelétricas a gás natural. A geração das usinas termelétricas aumentou de 30,6 TWh em 2000 para 84,8 TWh em 2020, quase o triplo, enquanto o total de emissões de gases de efeito estufa (GEE) no setor elétrico brasileiro aumentou 90% entre 2000 e 2020, segundo análise do Instituto de Energia e Meio Ambiente.


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