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No Brasil, estudantes do IFRN criam miniusina que tritura entulho de obra, transforma lixo da construção civil em blocos de cimento e vence prêmio internacional da Samsung com solução sustentável no interior do Rio Grande do Norte

Escrito por Ana Alice
Publicado em 07/06/2026 às 20:49
Atualizado em 07/06/2026 às 20:53
Assista o vídeoEstudantes do IFRN criam miniusina que tritura entulho de obra e transforma resíduos em blocos de cimento no interior do RN. (Imagem: Ilustrativa)
Estudantes do IFRN criam miniusina que tritura entulho de obra e transforma resíduos em blocos de cimento no interior do RN. (Imagem: Ilustrativa)
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Projeto de estudantes do IFRN transforma entulho de obras em material reaproveitável e mostra como a ciência aplicada pode lidar com resíduos urbanos, descarte irregular e desafios ambientais em cidades do interior.

Estudantes do Instituto Federal do Rio Grande do Norte desenvolveram uma miniusina para triturar entulho de obras e reaproveitar resíduos da construção civil na produção de blocos, argamassas e outros artefatos de cimento.

O projeto foi criado no campus de São Paulo do Potengi, no interior potiguar, a partir da observação de restos de construção descartados em ruas e terrenos baldios do município.

A iniciativa, chamada “SPP Sustentável: reciclando no Potengi”, foi elaborada por alunos do curso técnico integrado em Edificações do IFRN.

O trabalho ganhou projeção nacional ao ser eleito, por votação popular, campeão do Solve For Tomorrow Brasil 2023, programa da Samsung voltado a projetos de ciência e tecnologia desenvolvidos por estudantes da rede pública.

Desde então, a iniciativa passou a circular como exemplo de ciência aplicada à educação ambiental e ao reaproveitamento de resíduos da construção civil.

A proposta apresentada pelos estudantes não se restringe à fabricação de uma peça de cimento.

O grupo organizou um modelo de processamento em pequena escala, com coleta, separação, trituração, transformação do entulho em agregado reciclado e uso desse material em novos produtos da construção civil.

De acordo com o IFRN, o objetivo do projeto é criar uma unidade compacta para reciclagem de resíduos da construção civil no campus de São Paulo do Potengi, com foco no gerenciamento correto desses materiais e na identificação de possibilidades de reutilização na própria cadeia da construção.

Como a miniusina do IFRN transforma entulho em material reciclado

O processo começa pela triagem dos resíduos.

A equipe definiu que o protótipo trabalharia com materiais enquadrados como Classe A, classificação prevista na Resolução Conama nº 307/2002 para resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados.

Esse grupo inclui, por exemplo, fragmentos de concreto, argamassa, blocos, tijolos e componentes cerâmicos provenientes de obras, reformas, reparos e demolições.

Após a seleção, os materiais seguem para a trituração.

Nessa etapa, o entulho é quebrado até atingir uma granulometria que permita seu uso como agregado reciclado.

O resultado pode servir como insumo em novos testes e produtos, desde que respeitadas as normas técnicas aplicáveis a cada finalidade.

No protótipo desenvolvido no IFRN, os estudantes misturaram o agregado reciclado com cimento e água para produzir blocos e artefatos cimentícios.

Imagem: Reprodução/Solve For Tomorrow
Imagem: Reprodução/Solve For Tomorrow

A proposta descrita pela equipe não envolve queima do material, o que diferencia esse processo da fabricação de peças cerâmicas tradicionais.

A transformação do resíduo em agregado reciclado também muda a forma de lidar com o entulho gerado por pequenas obras.

Em vez de seguir diretamente para descarte, o material passa por beneficiamento e pode retornar ao ciclo produtivo em aplicações compatíveis com sua qualidade e desempenho técnico.

Resíduos da construção civil viraram tema de pesquisa no IFRN

A ideia surgiu durante a disciplina de Materiais de Construção, ministrada pelo professor mediador Neuber Araújo.

Segundo o docente, a discussão em sala partiu de problemas observados pelos próprios estudantes no município, especialmente o descarte irregular de resíduos em espaços urbanos.

“Nós conversamos sobre materiais reciclados, porque essa é minha área de pesquisa desde a pós-graduação. Então, sempre pergunto aos estudantes quais problemas existem na cidade deles, que tipo de resíduo eles veem em lugares inadequados e como podemos tentar resolver”, afirmou o professor, em material divulgado pelo programa.

A partir dessa discussão, a turma passou a avaliar quais resíduos poderiam ser reaproveitados e que tipo de estrutura seria necessária para processá-los.

O IFRN disponibilizou laboratório, equipamentos para triturar os materiais e insumos básicos, como cimento, usados na fase de desenvolvimento do protótipo.

O projeto foi estruturado como um fluxo de produção.

A equipe não trabalhou apenas na criação de um bloco, mas na definição de etapas para receber, separar, processar e testar o resíduo antes de sua reutilização.

Testes técnicos reforçaram o projeto dos estudantes

Antes de chegar ao Solve For Tomorrow, os estudantes apresentaram a iniciativa em competições e eventos internos.

Em uma das etapas no campus, o grupo ficou em segundo lugar e recebeu críticas sobre pontos técnicos do projeto.

O professor orientou a equipe a revisar a proposta e incorporar as observações recebidas.

Segundo Neuber Araújo, os alunos passaram a incluir ensaios e procedimentos voltados à avaliação dos materiais.

Imagem: Reprodução/Solve For Tomorrow
Imagem: Reprodução/Solve For Tomorrow

A medida foi adotada para aproximar o protótipo das exigências técnicas da construção civil e melhorar a consistência da solução apresentada.

“Escolhemos técnicas que entendemos serem importantes, como incluir alguns ensaios tecnológicos que permitissem ampliar a testagem do material e, de fato, seguir normas técnicas”, disse o educador.

A revisão da proposta fez parte do desenvolvimento do projeto até sua apresentação nacional.

No relato divulgado sobre a iniciativa, o professor afirmou que avaliações externas contribuíram para o amadurecimento da equipe e para o ajuste do trabalho antes da fase final.

Educação ambiental levou o projeto para além do laboratório

Além dos testes técnicos, os estudantes realizaram atividades de divulgação para a comunidade.

O grupo organizou oficinas, minicursos, publicações em redes sociais e um podcast com informações sobre descarte e reaproveitamento de resíduos da construção civil.

Essas ações buscaram apresentar o tema a moradores e outros interessados, com orientações sobre a destinação correta do entulho e as possibilidades de reciclagem.

A comunicação com a comunidade foi tratada pela equipe como parte do próprio projeto, e não apenas como etapa posterior à criação do protótipo.

A miniusina compacta foi concebida como alternativa para processar resíduos em pequena escala.

Pelo desenho apresentado, a solução pode reduzir a dependência exclusiva de coleta externa quando houver estrutura adequada, separação correta dos materiais e acompanhamento técnico.

O descarte irregular de entulho pode gerar impactos urbanos e ambientais, como acúmulo de resíduos em áreas abertas, obstrução de espaços públicos e aumento de custos de limpeza.

No texto original do projeto, os estudantes também associam o problema à proliferação de insetos transmissores de doenças em locais onde o lixo permanece acumulado.

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Miniusina de reciclagem despertou interesse institucional

Com a repercussão do trabalho, a Prefeitura de São Paulo do Potengi, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, procurou conhecer a proposta, conforme o relato original.

Não foi localizada, no entanto, confirmação pública segura de que a miniusina tenha sido implementada pelo município em etapa posterior.

O material original também informa que pesquisadores da área ambiental e uma empresa da construção civil demonstraram interesse nos produtos e na tecnologia desenvolvida.

Como não há confirmação pública detalhada sobre a continuidade dessas parcerias, essas informações ficam restritas ao relato inicial do projeto.

No IFRN, a continuidade da iniciativa depende da transição para novos estudantes.

Como os participantes avançam no curso técnico, a equipe passou a organizar formas de manter o desenvolvimento da miniusina e dos estudos sobre os materiais reciclados.

Neuber Araújo afirmou que os alunos envolvidos passaram a participar de eventos científicos da área.

Segundo ele, dois artigos relacionados ao projeto foram aprovados no Congresso Brasileiro do Concreto, com o objetivo de divulgar os resultados no campo técnico da construção civil.

Projeto aproxima formação técnica e reaproveitamento de resíduos

O projeto aproximou conteúdos do curso de Edificações de um problema identificado pelos próprios estudantes no município.

A experiência envolveu conceitos de materiais de construção, reciclagem de resíduos, ensaios tecnológicos e comunicação científica.

Na prática, a miniusina funciona como um exercício de aplicação técnica em escala reduzida.

Os alunos partiram de um resíduo comum em obras, definiram critérios de separação, processaram o material e testaram formas de reaproveitamento em produtos cimentícios.

A iniciativa também se insere em uma discussão mais ampla sobre a destinação dos resíduos da construção civil.

Pela legislação ambiental brasileira, esse tipo de material deve seguir procedimentos de gerenciamento, com separação, reaproveitamento, reciclagem ou destinação adequada conforme sua classificação.

Em São Paulo do Potengi, o projeto mostrou como uma demanda local pode ser transformada em tema de pesquisa aplicada dentro de uma instituição pública de ensino.

A partir do entulho descartado em áreas urbanas, os estudantes desenvolveram um protótipo que combina formação técnica, investigação em laboratório e educação ambiental.

A proposta ainda depende de continuidade, validações e eventual estruturação para uso fora do ambiente acadêmico.

Mesmo assim, o trabalho já registra uma rota possível para tratar resíduos de pequenas obras como material reaproveitável, desde que a aplicação seja orientada por critérios técnicos e ambientais.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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