O projeto do IAE utiliza motores S50 de fibra de carbono para garantir eficiência e baixo custo em missões na órbita baixa.
Segundo reportagem do Revistapesquisa, o Brasil avança no desenvolvimento do VLM-1, um veículo lançador de satélites projetado especificamente para colocar cargas de pequeno porte na órbita terrestre baixa.
O projeto é conduzido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), vinculado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em parceria com a Agência Espacial Alemã (DLR).
O foco principal do foguete brasileiro é atender à crescente demanda global por lançamentos de cubesats e microssatélites, consolidando a autonomia tecnológica nacional no setor aeroespacial.
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Arquitetura e propulsão de combustível sólido
O projeto do VLM-1 baseia-se em um sistema de propulsão dividido em três estágios, utilizando motores carregados com propelente sólido. Os dois primeiros estágios utilizam o motor S50, que possui uma estrutura de fibra de carbono para reduzir o peso e aumentar a eficiência do foguete brasileiro. Já o terceiro estágio emprega o motor S44, responsável por realizar a inserção final dos satélites na órbita desejada com precisão.
O motor S50 representa um marco para a engenharia nacional, pois sua produção envolve processos complexos de enrolamento de filamentos e materiais compostos de alta resistência.
Esta tecnologia permite que o foguete brasileiro suporte as extremas pressões e temperaturas geradas durante a queima do combustível sem comprometer a integridade estrutural. A colaboração com especialistas alemães auxilia na validação dos sistemas de controle e navegação, garantindo que o veículo cumpra os requisitos internacionais de segurança.
Ensaios em solo e preparação para o voo
Antes do lançamento inaugural, o IAE realiza uma série de testes de queima em banco de provas para avaliar o empuxo e a estabilidade dos motores.
Esses ensaios estáticos são cruciais para identificar possíveis falhas no motor S50 e nos sistemas de ignição do foguete brasileiro sob condições controladas. A infraestrutura necessária para esses testes está localizada em São José dos Campos, onde equipes de engenheiros monitoram centenas de parâmetros de desempenho simultaneamente.
A campanha de testes também abrange a simulação de separação de estágios e a aerodinâmica das coifas que protegem os satélites durante a subida.
O cronograma do foguete brasileiro prevê voos de qualificação que servirão para certificar todos os subsistemas eletrônicos e mecânicos antes das missões comerciais. Cada etapa concluída com sucesso aproxima o país do domínio completo do ciclo de lançamento, permitindo o uso estratégico do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.
Impacto comercial e soberania tecnológica
A capacidade de lançar satélites de até 150 kg coloca o Brasil em um nicho competitivo no mercado espacial internacional. O foguete brasileiro oferece uma solução de baixo custo para empresas e instituições de pesquisa que desenvolvem constelações de pequenos satélites para observação da Terra ou comunicações.
Atualmente, o mercado depende de grandes foguetes que transportam pequenas cargas como caronas, o que limita as opções de data e inclinação orbital.
Além do aspecto econômico, o domínio dessa tecnologia fortalece a segurança nacional e a capacidade de monitoramento ambiental de forma independente.
O desenvolvimento do foguete brasileiro estimula a cadeia produtiva da indústria de defesa, gerando empregos qualificados e inovação em materiais avançados. Com a conclusão deste projeto, o Brasil reafirma sua posição como um player relevante no cenário aeroespacial global, capaz de oferecer serviços de lançamento a partir de seu próprio território.

Deviam colocar uma foto do VLM e não do MLBR que é um outro projeto desenvolvido pela indústria privada.