Pesquisadores da USP abastecem o primeiro carro com hidrogênio de etanol. O veículo da Toyota consegue entregar grande autonomia e combustível será testado já em 2024.
Um carro completamente silencioso, movido a hidrogênio, que pode percorrer cerca de 600 quilômetros sem necessitar de reabastecimento e que solta vapor d’água pelo escapamento. Trata-se do Toyota Mirai, um carro a hidrogênio que foi emprestado para testes de um projeto-piloto na Universidade de São Paulo (USP) que produzirá o primeiro hidrogênio verde a base de etanol do mundo.
Hidrogênio de etanol será testado em meados de 2024
Em japonês, Mirai significa “futuro”, entretanto, apesar de ser sugestivo, a escolha do carro a hidrogênio não tem nada a ver com seu nome, e sim, pelo fato dele ser um dos únicos modelos equipados com células de combustível, que transforma o hidrogênio em energia.
No Brasil, por exemplo, existem apenas duas unidades do Mirai, um que fica com a Toyota, e outro que compõe o projeto da USP. Por ora, o carro a hidrogênio é abastecido com H2V comum. As primeiras voltas com o hidrogênio de etanol devem acontecer apenas em meados de 2024, quando a fábrica piloto, que atualmente está em construção, estará apta a produzir os primeiros quilos do combustível sustentável.
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O hidrogênio verde leva esse nome por ser produzido a partir de fontes renováveis, diferente da versão comum que tem origem fóssil, principalmente gás natural. Atualmente, o método de produção mais utilizado é a partir da quebra da molécula de água através de energia solar ou eólica. O objetivo do projeto-piloto da USP é desenvolver uma nova forma, tendo o etanol como fonte.
O hidrogênio verde ganhou destaque no debate climático devido ao seu potencial para descarbonizar setores como transportes, siderurgia, indústria química e a própria geração de energia elétrica. Entretanto, transportar o combustível ainda é algo desafiador, visto que exige que o armazenamento seja feito em baixas temperaturas e alta pressão, dificultando a logística e encarecendo o produto final.
Entenda como funciona o projeto de hidrogênio de etanol da USP
Uma das grandes apostas do projeto da USP é conseguir superar essa barreira. Isso porque o etanol já conta com uma infraestrutura fortalecida no país, sendo transportado de forma relativamente simples e com uma malha de distribuição extensa. A planta piloto, cujas obras começaram em agosto deste ano, funcionará como uma estação de abastecimento. No local haverá um equipamento chamado reformador, que é o coração do projeto.
O reformador possui capacidade de transformar o etanol em hidrogênio através de reações químicas. Atualmente, o processo já pode ser realizado, entretanto em escala de laboratório. O intuito é consolidar a tecnologia para aumentar o volume e possibilitar que a produção aconteça no local onde o combustível será utilizado, dentro de um posto de gasolina, por exemplo.
Combustível movimentará carro a hidrogênio e mais três ônibus
O hidrogênio de etanol produzido na USP será utilizado para movimentar o carro a hidrogênio e mais três ônibus nos testes; O etanol é visto como um trunfo pelos pesquisadores. Primeiro porque o Brasil é uma potência nesse mercado, entretanto também pela capacidade de fazer um hidrogênio verde negativo em carbono, levando em conta a absorção que acontece nas lavouras na cana e milho pela fotossíntese.
Segundo o diretor de transição energética e investimentos da Raízen, Mateus Lopes, todos os países estão desenhando estratégias de transição energética com base em suas vantagens competitivas, naturais e econômicas.
Como o Brasil é uma potência agrícola, transformar o etanol em um vetor desse combustível tão cobiçado pelo mundo pode dar ao país uma boa posição. Lopes afirma que os EUA, Europa e Japão são vistos como futuros mercados para esse hidrogênio.


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