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Sensor biodegradável da USP custa só US$ 0,077, detecta pesticidas em folhas, cascas e caules em 3 minutos e 28 segundos e ainda mostra o resultado no celular por bluetooth

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 14/06/2026 às 13:54
Atualizado em 14/06/2026 às 14:36
O sensor “vestível” tem a vantagem de ser aplicado diretamente na amostra, pois o acetato consegue adquirir o formato da superfície em que é posicionado (imagem: Nathalia Oeazu Gomes)
O sensor “vestível” tem a vantagem de ser aplicado diretamente na amostra, pois o acetato consegue adquirir o formato da superfície em que é posicionado (imagem: Nathalia Oeazu Gomes)
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Sensor biodegradável desenvolvido por cientistas da USP usa acetato de celulose, tinta de carbono e leitura por bluetooth para identificar pesticidas diretamente na superfície de plantas, com análise em poucos minutos, baixo custo por unidade e potencial de uso também em água e saliva.

Sensor biodegradável criado por cientistas da USP detecta pesticidas diretamente em folhas, cascas e caules, mostra resultados em tempo real no celular e custa US$ 0,077 por unidade, aproximando com baixo custo o monitoramento da saúde das plantas do campo brasileiro.

Pesticidas podem ser medidos direto na planta

A tecnologia foi desenvolvida na Universidade de São Paulo e publicada em fevereiro na revista Biosensors and Bioelectronics: X. O dispositivo é impresso por serigrafia em bioplásticos transparentes e flexíveis, usando tinta de carbono.

Por ser miniaturizado e maleável, o sensor pode ser fixado em folhas, cascas e caules. Ele permite acompanhar temperatura, umidade, desidratação, biomarcadores, doenças, nutrientes e pesticidas sem destruir a amostra analisada.

Acetato de celulose substitui plástico fóssil

O sensor vestível foi feito de acetato de celulose, material flexível de origem vegetal que pode ser produzido a partir de resíduos agrícolas. A celulose é descrita como o polissacarídeo natural mais abundante na Terra.

Entre as características citadas estão biocompatibilidade, estabilidade térmica, flexibilidade, baixa toxicidade, custo acessível, leveza, biodegradabilidade e fácil manuseio.

A diferença importa porque muitos sensores vestíveis atuais usam polímeros plásticos derivados do petróleo e podem ter baixa aderência em superfícies vegetais complexas.

Cada dispositivo reúne duas unidades sensoriais, com técnicas diferentes. Na mesma avaliação, elas detectam três classes de pesticidas: diquat, carbendazim e difenilamina.

Gota d’água, sensor e bluetooth

A identificação ocorre na superfície da planta, mas em meio aquoso. Uma gota de água é colocada em pontos como folhas, pedúnculo do tomate ou da maçã e sulcos do pimentão.

A gota permite a condutividade necessária para a leitura elétrica e química. Depois, o sensor é posicionado sobre esse ponto e mede a interface entre o eletrodo e a solução aquosa.

A plataforma é integrada a um potenciostato portátil sem fio, aparelho que controla a voltagem e mede a corrente elétrica. O resultado aparece no celular, por bluetooth.

Cada dispositivo custa US$ 0,077. Como os sensores são de uso único, precisam ser baratos e biodegradáveis. Considerando as duas unidades em sequência, a análise completa leva três minutos e vinte e oito segundos.

Testes simularam uso em alimentos

Nos testes, uma solução de pesticida foi borrifada na casca de maçãs e pimentões, em concentração de 1.000 micrômetros. Os alimentos secaram por cinco horas antes das análises in loco.

Em seguida, o sensor foi fixado na casca. Para permitir a leitura, os pesquisadores adicionaram uma gota de 500 microlitros de solução de tampão fosfato, usada para estabilizar o ambiente.

A equipe já havia criado, em 2022, uma luva com sensores nas pontas dos dedos para os mesmos fins. O novo sensor, porém, pode ser aplicado diretamente na amostra e acompanha o formato da superfície.

Raymundo-Pereira destaca que a luva não é biodegradável. O sensor vestível é biodegradável e pode ter a tinta de carbono reaproveitada, mediante queima em condições específicas, para produzir novos dispositivos.

Água, saliva e pedido de patente

Além do uso agrícola, os sensores foram testados em saliva humana e água da torneira adicionadas de pesticidas. A tecnologia também pode mensurar componentes presentes em urina e suor.

Os pedidos de patente da luva e do sensor vestível já estão no Instituto Nacional da Propriedade Industrial. O estudo teve apoio da FAPESP e contou com pesquisadores da USP e da Universidade Federal de Viçosa.

Você já imaginou produtores, pesquisadores e consumidores acompanhando resíduos de pesticidas e sinais de saúde das plantas direto no campo, sem depender apenas de análises distantes do local de produção? Comente o que essa tecnologia poderia mudar no monitoramento de alimentos, no uso de sensores e na rotina agrícola.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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