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A África do Sul está investindo bilhões de dólares para transformar o deserto em um polo de hidrogênio verde, com usinas solares, parques eólicos e um novo porto, na ambição de virar uma das maiores exportadoras desse combustível

Publicado em 11/06/2026 às 21:24
Atualizado em 11/06/2026 às 21:28
A África do Sul investe bilhões para transformar o Kalahari em polo de hidrogênio verde, com projetos como o da Sasol, e quer exportar o combustível ao mundo.
A África do Sul investe bilhões para transformar o Kalahari em polo de hidrogênio verde, com projetos como o da Sasol, e quer exportar o combustível ao mundo.
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O país aproveita o sol e o vento do Kalahari e do Cabo Setentrional para erguer usinas, eletrolisadores e um porto de águas profundas, como o complexo de Boegoebaai, da Sasol. A meta de virar grande exportadora de hidrogênio verde, porém, é uma projeção de longo prazo, mirando 2050.

A África do Sul está investindo bilhões de dólares para transformar o deserto do Kalahari em um grande polo de produção de hidrogênio verde. Segundo o Xataka, o país constrói usinas solares, parques eólicos, eletrolisadores e infraestrutura portuária para fabricar o combustível em larga escala, com o objetivo de se tornar uma das principais exportadoras do mundo. O movimento ganha destaque no mesmo momento em que a África do Sul aparece na abertura da Copa do Mundo de 2026.

De acordo com a reportagem, a transição energética do país está alinhada ao seu Roteiro de Hidrogênio (Hydrogen Society Roadmap) lançado inicialmente em 2021 e vem ganhando força progressiva na última década, servindo como uma alternativa viável para descarbonizar a economia e atrair investimentos internacionais, o país quer aproveitar algumas das melhores condições de sol e vento do planeta para ocupar áreas quase desabitadas com energia limpa. A meta é abastecer mercados internacionais, sobretudo na Europa e na Ásia, e disputar um espaço relevante no comércio global de hidrogênio verde. É, no entanto, uma ambição de longo prazo, com projetos ainda em construção e em fase de planejamento.

O deserto do Kalahari vira polo de hidrogênio verde

O hidrogênio verde é produzido a partir de energia renovável e aparece como uma das principais alternativas para descarbonizar setores que ainda dependem de combustíveis fósseis
O hidrogênio verde é produzido a partir de energia renovável e aparece como uma das principais alternativas para descarbonizar setores que ainda dependem de combustíveis fósseis

O deserto do Kalahari reúne uma combinação rara, muito sol, ventos favoráveis durante boa parte do ano e grandes áreas livres para instalar infraestrutura. Segundo o material, o que por décadas foi visto apenas como uma região árida e pouco explorada agora está no centro de uma estratégia bilionária da África do Sul para abocanhar uma fatia do mercado global de hidrogênio verde. A proximidade de rotas marítimas completa o quadro.

As ambições da África do Sul em relação ao hidrogênio verde encontram uma realidade estrutural.
As ambições da África do Sul em relação ao hidrogênio verde encontram uma realidade estrutural.

Essa soma de fatores transformou o norte da África do Sul em um dos lugares mais promissores do mundo para produzir energia renovável em larga escala. De acordo com a reportagem, é ali que estão surgindo projetos bilionários voltados ao hidrogênio verde e à amônia verde, substâncias vistas como importantes para reduzir a dependência mundial de combustíveis fósseis. Por enquanto, no entanto, boa parte dessa estrutura ainda está em fase de implantação.

Boegoebaai, da Sasol, e o novo porto de águas profundas

Entre os projetos mais ambiciosos está o complexo de Boegoebaai, liderado pela petroquímica Sasol, da África do Sul. Segundo o material, a iniciativa prevê a instalação de dezenas de gigawatts em geração solar e eólica, além de uma enorme estrutura de eletrólise para produzir derivados de hidrogênio voltados principalmente à exportação. O projeto inclui ainda a construção de um novo porto de águas profundas para escoar a produção a outros continentes.

O complexo da Sasol não está sozinho. De acordo com a reportagem, outras regiões do Cabo Setentrional também recebem investimentos em infraestrutura energética para alimentar futuras plantas de combustíveis verdes, formando um corredor industrial voltado à economia do hidrogênio verde. Vale lembrar que se trata de empreendimentos em desenvolvimento, com boa parte da produção ainda projetada para os próximos anos.

Platina e a aposta para impulsionar a economia

A aposta da África do Sul vai além de gerar energia limpa. Segundo o material, o governo do país enxerga a indústria do hidrogênio verde como uma chance de impulsionar a economia nacional, atrair investimento estrangeiro e criar uma nova cadeia industrial baseada em tecnologia. Um diferencial está nas reservas de metais do grupo da platina, insumo essencial para fabricar os eletrolisadores que produzem o combustível.

Isso permite que a África do Sul participe não só da geração do hidrogênio verde, mas também da fabricação de componentes estratégicos da cadeia. De acordo com a reportagem, o combustível também é visto como peça importante para reduzir a dependência do carvão, que ainda ocupa papel central na matriz energética do país.

Setores difíceis de descarbonizar, como siderurgia, indústria química, fertilizantes e transporte pesado, estão entre os principais candidatos a usar o novo combustível nos próximos anos.

As projeções e o que ainda é ambição

As estimativas mais animadoras colocam a África do Sul como uma futura potência do hidrogênio verde. Segundo o material, as projeções mais otimistas indicam que o país poderá produzir milhões de toneladas do combustível por ano até 2050, abastecendo principalmente mercados da Europa e da Ásia. São números expressivos, mas que dependem de um horizonte de décadas.

Por isso, vale separar a ambição do que já existe. Os megaprojetos do Kalahari ainda estão em construção e planejamento, e tanto o posto de grande exportadora quanto os volumes previstos para 2050 são metas e projeções otimistas, não resultados garantidos.

O potencial é real, com sol, vento e platina a favor, mas o desfecho vai depender de os projetos saírem do papel e de o mercado mundial de hidrogênio verde, ainda em formação e de custo elevado, de fato crescer.

A África do Sul aposta bilhões para transformar o deserto do Kalahari em um polo de exportação de hidrogênio verde, unindo sol, vento e reservas de platina a seu favor. Por ora, é um plano ambicioso e de longo prazo, com obras em andamento e projeções que miram 2050, cujo sucesso vai depender da execução e da demanda mundial pelo combustível. Se a estratégia der certo, o país árido pode se tornar uma peça relevante da transição energética global.

E você, acredita que a África do Sul vai conseguir se firmar como uma das grandes exportadoras de hidrogênio verde? Comente o que achou desse plano e troque ideias com outros leitores sobre o futuro dos combustíveis verdes.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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