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Bolha de ar quente vinda da Argentina se expande sobre o Brasil e faz termômetros passarem dos 38 graus com sensação térmica de 40 graus em pleno fim de março atingindo 6 estados de uma só vez

Publicado em 29/03/2026 às 00:41
Atualizado em 29/03/2026 às 00:43
Onda de calor atinge o Brasil com bolha de ar quente vinda da Argentina. Rio Grande do Sul registra 38°C e sensação térmica de 40 graus em seis estados.
Onda de calor atinge o Brasil com bolha de ar quente vinda da Argentina. Rio Grande do Sul registra 38°C e sensação térmica de 40 graus em seis estados.
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Uma onda de calor alimentada por uma bolha de ar quente sobre o Nordeste da Argentina e o Paraguai avança sobre o Brasil neste fim de semana e já faz termômetros passarem dos 38°C no Rio Grande do Sul, com sensação térmica próxima dos 40°C, atingindo também Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

A onda de calor que tomou conta do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste do Brasil não tem nada de comum para o fim de março. Uma bolha de ar quente posicionada sobre o Nordeste da Argentina e o Paraguai se expandiu neste fim de semana e empurrou temperaturas para níveis que normalmente se veem em pleno janeiro. No Rio Grande do Sul, estações meteorológicas já registraram máximas de 38,1°C, e a sensação térmica chegou a beirar os 40°C em diversas cidades do interior.

O fenômeno atinge seis estados de uma só vez: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, interior de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. A MetSul Meteorologia emitiu alerta sobre a intensificação da onda de calor, com previsão de que as temperaturas sigam elevadas ao longo do fim de semana. O Rio Grande do Sul é o estado mais afetado, mas o calor extremo se espalha por uma faixa que vai do extremo sul do Brasil até o Centro-Oeste.

Como a bolha de ar quente da Argentina chegou ao Brasil

O mecanismo por trás dessa onda de calor é uma massa de ar quente estacionada sobre o Nordeste da Argentina e o Paraguai. Esse bolsão de calor funciona como uma espécie de tampa atmosférica: comprime o ar abaixo dele, impede a formação de nuvens e faz a temperatura subir de forma contínua ao longo do dia.

Quando essa bolha de ar quente se expande, como está acontecendo agora, seu efeito se espalha para os países vizinhos.

No caso do Brasil, a expansão empurrou ar extremamente aquecido para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e os estados do Centro-Oeste.

A ausência de sistemas frontais para quebrar o padrão de calor permite que as temperaturas subam sem resistência, criando um cenário onde mesmo o fim de março já no outono meteorológico registra marcas típicas de verão.

A bolha de ar quente não é um fenômeno raro na transição de estações, mas a intensidade registrada neste episódio chama atenção. Estações meteorológicas do Rio Grande do Sul marcaram máximas superiores a 36°C em mais de duas dezenas de cidades na sexta-feira, algo que reforça o quanto esse evento está acima do normal para a época.

Os números da onda de calor no Rio Grande do Sul

Os registros de sexta-feira (27) no Rio Grande do Sul mostram o alcance da onda de calor no Brasil de forma inequívoca. A maior temperatura do dia foi de 38,1°C em São Paulo das Missões, no Noroeste gaúcho. Logo atrás vieram Bom Princípio, Marques de Souza e Teutônia, todas com 37,2°C, e Colinas com 37,1°C.

A lista de cidades acima dos 35°C é extensa: Poço das Antas (36,8°C), Doutor Maurício Cardoso (36,7°C), Estrela (36,7°C), Maçambará (36,6°C), Santa Cruz do Sul (36,5°C), Uruguaiana (36,1°C), Espumoso e Camaquã (36,0°C). Outras dezenas de municípios ficaram na faixa entre 35°C e 36°C, incluindo Venâncio Aires, Lajeado, São Borja, Sapucaia do Sul e Alegrete.

Na Grande Porto Alegre, a maioria das cidades registrou máximas entre 34°C e 37°C. Pontos da capital gaúcha anotaram entre 35°C e 36°C, com sensação térmica ao redor dos 40°C.

Para o sábado (28), a previsão é de que as máximas se mantenham nos mesmos patamares ou fiquem ligeiramente mais elevadas, especialmente no Noroeste, Centro, Oeste e nos Vales do Rio Grande do Sul.

Santa Catarina, Paraná e São Paulo também na mira do calor

A onda de calor no Brasil não se limita ao Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, o calor atingiu quase todo o estado na sexta-feira. Itapiranga, no Extremo Oeste catarinense, registrou 35,9°C. No Sul do estado, Criciúma marcou 35,8°C.

Na Grande Florianópolis, Santo Amaro da Imperatriz bateu 35°C. A previsão para o sábado aponta máximas entre 34°C e 36°C no Oeste e no Sul catarinense.

No Paraná, o calor é mais intenso no Oeste e no Norte do estado. Goioerê anotou 34,1°C na sexta, e marcas semelhantes ou superiores são esperadas para o fim de semana.

A bolha de ar quente que se expande desde a Argentina garante que os três estados do Sul do Brasil enfrentem condições muito acima da média para o fim de março.

O estado de São Paulo também sente os efeitos. A capital paulista pode registrar entre 31°C e 32°C neste sábado, enquanto no Oeste, Centro e Norte do interior as máximas ficam na faixa de 32°C a 34°C. No Centro-Oeste, o Mato Grosso do Sul registra entre 33°C e 35°C em vários municípios, e no Mato Grosso os efeitos são mais sentidos na porção Sul do estado.

A sensação térmica de 40°C e o que ela significa na prática

Os termômetros mostram uma coisa, mas o corpo sente outra. A sensação térmica que combina temperatura do ar com umidade relativa pode chegar a 40°C ou mais em diversas cidades atingidas pela onda de calor no Brasil. Isso significa que, mesmo com o termômetro marcando 36°C, o organismo reage como se estivesse exposto a 40°C.

Na prática, sensação térmica nessa faixa aumenta significativamente o risco de desidratação, insolação e agravamento de problemas cardiovasculares, especialmente em idosos e crianças.

O alerta da MetSul Meteorologia reforça a importância de hidratação constante, de evitar exposição ao sol nas horas mais quentes e de manter ambientes ventilados. Em cidades como Porto Alegre, onde a umidade tende a ser mais elevada, a sensação térmica é ainda mais opressiva do que nas cidades do interior gaúcho.

O índice de calor de 40°C não é um número abstrato. É a diferença entre um dia quente suportável e um dia potencialmente perigoso para quem trabalha ao ar livre, pratica esportes ou simplesmente precisa caminhar até o ponto de ônibus.

A onda de calor que atinge o Brasil neste fim de semana exige precaução real, não apenas desconforto.

Fim de março com calor extremo é normal? O que dizem os dados históricos

A resposta curta é: calor no fim de março não é inédito, mas a frequência e a intensidade dos últimos anos são notáveis. Levantamento da MetSul com dados da estação do Instituto Nacional de Meteorologia no bairro Jardim Botânico, em Porto Alegre, mostra um padrão cada vez mais evidente.

No ano passado, os últimos dias de março tiveram cinco dias seguidos com máximas acima de 30°C, com pico de 34,7°C no dia 31.

Em 2024, o fim de março foi igualmente quente: 33,9°C no dia 29 e 33,0°C no dia 31. Em 2023, o dia 29 de março atingiu 35,5°C. Em 2022, 33,6°C no mesmo dia.

Já entre 2015 e 2018, nenhum fim de março registrou calor expressivo em Porto Alegre, o que torna o contraste com os anos recentes ainda mais evidente. Em 2020, houve sequência de dias quentes com pico de 34,5°C no dia 30.

O levantamento sinaliza um prolongamento do verão em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul. Se entre 2010 e 2018 os fins de março eram predominantemente amenos, a partir de 2019 as ondas de calor tardias se tornaram cada vez mais frequentes.

Os dados sugerem que o calor extremo no fim de março está deixando de ser exceção para se tornar padrão no Sul do Brasil um indicativo que se alinha com as projeções de aumento de temperaturas associadas às mudanças climáticas.

O que esperar nos próximos dias

A previsão indica que a onda de calor no Brasil deve perder força gradualmente a partir do início da próxima semana, quando sistemas frontais começam a se aproximar da região Sul.

Mas até lá, o fim de semana ainda será de temperaturas muito elevadas nos seis estados afetados, com máximas acima dos 34°C em grande parte do interior gaúcho e catarinense.

Para quem está no Rio Grande do Sul, a recomendação é objetiva: evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, manter hidratação frequente e ficar atento a sinais de mal-estar causado pelo calor.

A bolha de ar quente que chegou da Argentina ainda mantém sua influência sobre o Sul e o Centro-Oeste do Brasil, e a sensação térmica continuará desconfortável enquanto o padrão atmosférico não mudar.

Com informações do portal Metsul.

Você está sentindo essa onda de calor na sua cidade? Qual foi a temperatura mais alta que o termômetro marcou aí hoje? Conta nos comentários queremos saber como o calor está afetando cada região do Brasil neste fim de semana.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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