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Blumenau aposta em conceito chinês de cidade esponja para acabar com alagamentos que castigam moradores há décadas, transformando áreas que já ficam debaixo d’água em parques de lazer com drenagem sustentável

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 17/04/2026 às 15:38 Atualizado em 17/04/2026 às 15:41
Blumenau adota o conceito de cidade esponja para acabar com alagamentos. Parques absorvem a chuva em vez de lutar contra ela. Veja como funciona.
Blumenau adota o conceito de cidade esponja para acabar com alagamentos. Parques absorvem a chuva em vez de lutar contra ela. Veja como funciona.
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Blumenau está implementando o conceito de cidade esponja, inspirado em soluções chinesas, para enfrentar alagamentos crônicos no Vale do Itajaí. A prefeitura já construiu o Parque das Itoupavas em área que ficava alagada e planeja uma floresta urbana de 24,7 mil m² no bairro Vila Nova, substituindo concreto por pavimentos permeáveis, telhados verdes e áreas alagáveis que absorvem a chuva.

Blumenau, no Vale do Itajaí, sofre com enchentes e alagamentos desde que os colonos fundaram a cidade às margens do rio Itajaí-Açu. Agora, a prefeitura aposta no conceito de cidade esponja para tentar resolver o que décadas de obras convencionais de drenagem não conseguiram. A ideia, criada pelo arquiteto chinês Kongjian Yu na década de 2000, substitui concreto por pavimentos permeáveis, telhados verdes e áreas alagáveis, permitindo que a natureza absorva, armazene e purifique a água da chuva em vez de empurrá-la para galerias que não dão conta do volume. O primeiro exemplo prático da cidade esponja em Blumenau já existe: o Parque das Itoupavas, construído em um terreno que ficava constantemente debaixo d’água.

O conceito de cidade esponja muda a lógica de lidar com a água. Em vez de tentar se livrar da chuva o mais rápido possível através de tubulações e galerias, o modelo propõe que a cidade absorva a água como uma esponja, retendo-a em espaços verdes projetados para alagar de forma controlada durante as chuvas e funcionar como parques de lazer durante o restante do ano. A prefeitura de Blumenau já planeja a construção de um segundo parque alagável no bairro Vila Nova, onde 86% do território é residencial e a região sofre com enchentes constantes durante as chuvas de verão. A cidade esponja não é teoria: já está sendo construída.

O que é o conceito de cidade esponja e como ele funciona

Segundo informações divulgadas pelo portal ndmais, a cidade esponja não é uma invenção recente. O modelo foi desenvolvido pelo arquiteto e paisagista chinês Kongjian Yu nos anos 2000 como resposta à urbanização acelerada da China, que cobriu milhões de quilômetros quadrados com concreto impermeável e criou cidades que alagavam a cada chuva forte. A solução proposta por Yu inverte a abordagem tradicional: em vez de construir galerias maiores para expulsar a água, a cidade esponja cria espaços que absorvem o volume excedente.

Na prática, o conceito de cidade esponja envolve uma combinação de intervenções urbanas coordenadas. Pavimentos permeáveis substituem asfalto convencional, permitindo que a água infiltre no solo. Telhados verdes captam a chuva e a evaporam gradualmente. Áreas alagáveis controladas funcionam como reservatórios temporários que retêm a água durante as pancadas de chuva e a liberam lentamente depois, evitando que o volume chegue de uma vez às galerias e córregos. Diversas cidades brasileiras como Curitiba, Belo Horizonte, Niterói e Recife já contam com parques alagáveis que se enquadram no conceito.

O Parque das Itoupavas: o primeiro exemplo de cidade esponja em Blumenau

Parque das Itoupavas foi construído em um terreno que já ficava debaixo d’água.
Foto: Franciele Cardoso/NDTV

O primeiro passo concreto da cidade esponja em Blumenau foi a transformação de um problema em solução. O Parque Alcântaro Corrêa, também conhecido como Parque das Itoupavas, fica na rua 1º de Janeiro, uma das primeiras ruas atingidas por cheias na cidade. O terreno onde o parque foi construído já ficava permanentemente alagado durante as chuvas, o que tornava impossível seu aproveitamento para creches, escolas, hospitais ou qualquer outra edificação pública.

A prefeitura optou por abraçar a condição do terreno em vez de lutar contra ela. O espaço foi transformado em um parque de lazer que funciona normalmente durante a maior parte do ano e foi projetado para alagar de forma controlada durante os períodos de chuva forte, servindo como reservatório temporário que reduz o impacto dos alagamentos nas ruas e residências ao redor. O conceito de cidade esponja transforma o que era desperdício em utilidade pública: um terreno que ficava inutilizado e causava prejuízo virou parque e proteção contra enchentes ao mesmo tempo.

O novo parque alagável que Blumenau vai construir no Vila Nova

Secretaria de Planejamento apresentou proposta de floresta urbana que ocuparia três áreas do Vila Nova, totalizando 24,7 mil m².
imagem: ndmais

O próximo passo da cidade esponja em Blumenau é ambicioso. A prefeitura planeja a construção de uma floresta urbana de 24,7 mil metros quadrados no bairro Vila Nova, um dos mais densamente ocupados da cidade e que sofre com alagamentos constantes durante as chuvas de verão. O espaço, que já recebeu o nome de Parque Frederico Guilherme Busch Junior, em homenagem ao 23º prefeito de Blumenau, foi projetado para ser simultaneamente área de lazer e sistema de drenagem sustentável.

O parque contará com quiosques, decks, lagoa, áreas de recreação infantil, passarelas, quadras poliesportivas e pista de skate. Durante a maior parte do ano, funcionará como um espaço de lazer convencional. Durante as chuvas fortes, o sistema de drenagem sustentável da cidade esponja permitirá que a área absorva e armazene água que, no modelo atual, transborda pelas ruas do Vila Nova e invade casas e comércios. O secretário de Planejamento Urbano, Daniel Otávio Maffezzolli, explicou que buscou soluções específicas para o Vila Nova “depois de tantas intervenções, mas sem o resultado esperado pela população”.

Por que Blumenau precisou de um conceito chinês para resolver um problema de dois séculos

A cidade sofre com enchentes desde sua fundação no século XIX, e décadas de obras de drenagem convencionais não resolveram o problema. O modelo tradicional de infraestrutura urbana trata a água da chuva como inimiga que precisa ser expulsa o mais rápido possível, construindo galerias, canais e tubulações para drenar o volume. O problema é que, à medida que a cidade cresce e mais áreas são pavimentadas com concreto impermeável, o volume de água que escorre para as galerias aumenta, enquanto a capacidade de absorção natural do solo diminui.

A cidade esponja inverte essa lógica ao reconhecer que a água não é o problema, a impermeabilização é. Quando a superfície da cidade deixa de absorver a chuva porque foi coberta de asfalto e concreto, toda a água vai para as ruas e galerias de uma vez, gerando os alagamentos que Blumenau enfrenta há gerações. Restaurar a capacidade de absorção do solo através de áreas permeáveis, parques alagáveis e vegetação urbana é o que a cidade esponja propõe, e é o que Blumenau começa a implementar no Parque das Itoupavas e no futuro parque do Vila Nova.

As outras frentes que Blumenau usa junto com a cidade esponja

Os parques alagáveis do modelo de cidade esponja não são solução para todos os pontos críticos da cidade. Ruas como a Nereu Ramos e a Araranguá sofrem com alagamentos recorrentes em locais onde não há espaço para parques, e a prefeitura reconhece que essas áreas precisam de investimento em galerias com maior capacidade e manutenção das já existentes. A criação de um Fundo Municipal de Drenagem também está no planejamento da Secretaria de Planejamento para garantir recursos contínuos.

Um empresário de Blumenau também está sondando a possibilidade de transformar a área pública de um loteamento que administra em parque alagável para aliviar a situação na região do Vorstadt. A cidade esponja funciona melhor quando é adotada como filosofia urbana ampla, não como projeto isolado, e a participação do setor privado na criação de áreas de absorção pode multiplicar o impacto das iniciativas públicas. Para Blumenau, que criou uma diretoria focada em drenagem apenas em 2019 apesar de séculos de alagamentos, a cidade esponja representa a primeira mudança de abordagem real sobre como conviver com a água.

Blumenau aposta no conceito chinês de cidade esponja para acabar com alagamentos transformando áreas inundáveis em parques. Você acha que esse modelo funcionaria na sua cidade? Já sofreu com enchentes? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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