Bisontes europeus recém-soltos em Zhenda, na Bulgária, reforçam o rewilding nas Montanhas Ródope após uma viagem de mais de 1.000 quilômetros, elevam o grupo para 24 animais e ampliam efeitos de pastoreio, fertilização e abertura de habitats, com ganhos em biodiversidade, sequestro de carbono e turismo de natureza na região
Em 10 de dezembro de 2024, a paisagem das Montanhas Ródope, na Bulgária, recebeu um reforço simbólico e operacional para o rewilding: cinco bisontes europeus foram transferidos para a reserva natural de Zhenda e colocados em um recinto de aclimatação. Com a chegada do grupo, a população regional chega a 24 bisontes europeus, consolidando uma etapa de expansão que vinha sendo construída desde a reintrodução iniciada em 2013.
O retorno de bisontes europeus carrega uma promessa dupla. No plano ecológico, a espécie é tratada como fundamental para ampliar biodiversidade e apoiar processos ligados a sequestro de carbono, ao manter um mosaico de florestas, pastagens e matagais. No plano territorial, a presença de bisontes europeus é associada ao turismo de natureza e à necessidade de preparar convivência humana gradual, à medida que o rewilding aumenta o número de animais vagando em liberdade.
Soltura em Zhenda e a etapa de aclimatação

A operação começou no final de novembro, quando quatro fêmeas e um filhote macho foram soltos em um recinto de aclimatação em Zhenda, área prioritária de rewilding nas Montanhas Ródope.
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O objetivo do recinto é permitir que os bisontes europeus passem por um período de adaptação ao ambiente local antes da soltura na natureza.
A etapa de aclimatação foi planejada para durar vários meses.
Especialistas da equipe do projeto Rewilding Rhodopes monitoram de perto a saúde e o bem-estar dos bisontes europeus durante esse período, com observação constante do comportamento do grupo e avaliação de sinais de adaptação completa ao local.
Só depois desse diagnóstico de estabilidade é que a soltura plena na paisagem de Zhenda é prevista.
Uma viagem de dois dias e mais de 1.000 quilômetros

Os cinco bisontes europeus não vieram de um rebanho local.
Eles foram transferidos do Centro de Criação de Zubria Zvernica, um santuário de vida selvagem dedicado à conservação e à educação sobre bisontes, instalado em uma floresta estatal no coração da Eslováquia.
A travessia até a Bulgária foi descrita como uma viagem de dois dias, superando a marca de 1.000 quilômetros.
O deslocamento de longa distância dimensiona o esforço por trás do rewilding.
Além de movimentar animais, a transferência conecta uma estratégia europeia de reconstrução de populações: centros de criação e santuários fornecendo indivíduos para áreas onde se busca restabelecer populações selvagens, como ocorre nas Montanhas Ródope.
3.800 hectares de habitats e um mosaico com grandes predadores
O sítio de rewilding de Zhenda tem um recorte territorial explícito: 3.800 hectares.
Os trabalhos de restauração da vida selvagem no local começaram no início de 2024 e combinam habitats florestais e abertos, um desenho de paisagem que sustenta a proposta de reintrodução de bisontes europeus.
Quando deixarem o recinto e passarem a vagar em liberdade, os bisontes europeus vão compartilhar a área com lobos, ursos pardos, chacais, cervos-vermelhos e camurças.
A coexistência com esse conjunto de espécies é tratada como parte da revitalização ecológica das Montanhas Ródope, porque amplia interações entre predadores, herbívoros e outras espécies, abrindo espaço para maior biodiversidade em diferentes escalas.
Por que bisontes europeus são considerados engenheiros de ecossistemas
O impacto de bisontes europeus é atribuído a quatro mecanismos citados como base do efeito do animal sobre a paisagem: pastoreio, alimentação, pisoteio e fertilização.
Esses processos ajudam a manter o mosaico rico em biodiversidade da região, com florestas, matagais e pastagens, além de inúmeros micro-habitats que abrigam uma ampla gama de espécies de plantas e animais.
Essa lógica é central para o rewilding nas Montanhas Ródope.
A presença de bisontes europeus ajuda a manter um mosaico com florestas, matagais e pastagens, o que favorece biodiversidade ao ampliar a variedade de micro-habitats.
Ao mesmo tempo, os bisontes europeus funcionam como espécie emblemática, porque seu retorno também sinaliza uma recuperação da vida selvagem que já havia sido interrompida historicamente na Bulgária.
Biodiversidade, sequestro de carbono e turismo de natureza na mesma equação
O argumento do projeto na Bulgária reúne três frentes: biodiversidade, sequestro de carbono e turismo de natureza.
A biodiversidade aparece como resultado do mosaico de habitats e da formação de micro-habitats. O sequestro de carbono surge como benefício climático associado ao funcionamento de pastagens e grandes paisagens conectadas.
Já o turismo de natureza entra como vetor de desenvolvimento ligado à presença de um animal icônico e à expansão de oportunidades de observação.
No caso específico do sequestro de carbono, um estudo de modelagem divulgado pela Escola de Meio Ambiente de Yale, ainda não revisado por pares, estimou que a população de bisontes europeus em liberdade na paisagem de rewilding dos Cárpatos Meridionais, na Romênia, poderia ajudar as pastagens a capturar cerca de 10 vezes mais carbono do que antes da reintrodução.
O recado prático associado ao sequestro de carbono é direto: para maximizar captura e armazenamento, bisontes europeus precisam poder vagar livremente por grandes paisagens naturalmente bem conectadas, condição considerada essencial para sustentar o efeito ao longo do tempo.
Nas Montanhas Ródope, o rewilding trata biodiversidade e sequestro de carbono como efeitos dependentes de escala e tempo.
Por isso, ampliar a população para 24 bisontes europeus é visto como passo relevante, mas dentro de uma trajetória de longo prazo, em que o turismo de natureza tende a crescer em paralelo com a consolidação de uma população sustentável.
Da extinção no século XX ao salto de 2.500 para 9.000 na última década
O bisão europeu já existiu em grande número em grande parte da Europa.
Na Bulgária, a espécie desapareceu da natureza durante a Idade Média, e a combinação de caça e perda de habitat levou à extinção como espécie selvagem no início do século XX.
Em 1927, restavam menos de 60 indivíduos vivos em zoológicos e parques privados, um ponto mínimo que exigiu reconstrução populacional a partir de poucos animais.
Desde então, programas de reintrodução restauraram populações selvagens significativas na Europa Central e Oriental, com destaque para Polônia e Belarus.
A Bulgária teve um pequeno rebanho reintroduzido no nordeste do país na década de 1960, e um retorno mais recente ocorreu em 2013, quando bisontes europeus voltaram às Montanhas Ródope.
Na última década, o total de bisontes europeus aumentou de pouco mais de 2.500 para cerca de 9.000 indivíduos, descrito como uma recuperação relevante em escala continental.
Rewilding em rede: Ródope, Cárpatos Meridionais e Delta do Oder
O movimento em Zhenda não acontece isoladamente.
Complementando os esforços nas Montanhas Ródope, a paisagem de restauração dos Cárpatos Meridionais, da Rewilding Europe, abriga uma população de mais de 200 bisontes europeus em liberdade, resultado de um programa de reintrodução iniciado em 2014.
Em outra frente, há apoio ao retorno de bisontes no Delta do Oder, uma paisagem compartilhada por Alemanha e Polônia.
Esse encadeamento ajuda a explicar por que o rewilding trata bisontes europeus como peça central. Projetos em diferentes regiões trabalham para ampliar populações, consolidar conectividade e, com isso, sustentar biodiversidade e benefícios como sequestro de carbono.
Nas Montanhas Ródope, a expansão para Zhenda em 2024 adiciona um ponto novo a essa rede, com a meta explícita de estabelecer uma população sustentável no território da Bulgária.
Parcerias locais e o desafio da convivência conforme a população cresce
A reintrodução em Zhenda faz parte de uma parceria entre a Rewilding Rhodopes Foundation e a South Central State Forest Enterprise em Smolyan, voltada a restaurar a vida selvagem nas Montanhas Ródope.
A soltura dos bisontes também foi descrita como resultado de colaboração entre o projeto Rewilding Rhodopes, o Centro de Criação Zubria Zvernica e outros parceiros.
O planejamento para o futuro inclui novas solturas. Ao mesmo tempo, o rewilding afirma que serão tomadas medidas para incentivar e possibilitar que as pessoas vivam ao lado dos bisontes europeus conforme a população crescer.
Nesse cenário, turismo de natureza aparece como parte do pacote de benefícios associados à presença dos animais, junto de biodiversidade e sequestro de carbono.
A soltura em Zhenda, nas Montanhas Ródope, coloca a Bulgária diante de uma fase mais concreta do rewilding: números em evidência, com 24 bisontes europeus na região, 3.800 hectares de território em restauração e uma estratégia que conecta biodiversidade, sequestro de carbono e turismo de natureza.
O passo seguinte é o período de aclimatação, que antecede a soltura plena e testa a capacidade do território de sustentar uma população sustentável.
Se esse tema te interessa, vale acompanhar as próximas solturas e como a convivência vai ser construída na Bulgária. Você escolheria ampliar primeiro o rewilding com bisontes europeus nas Montanhas Ródope ou priorizaria ações imediatas para turismo de natureza e convivência humana?

Que se hagan millones
Importantíssimo essa reportagem sobre essa **** selvagens, era alimentos dos índios americanos, conseguiam empurrá-los em desfiladeiros para se alimentar, alguns não eram aproveitados, com a implantação ferrovia, os milionários matam por esporte, atiravam dos vagões adaptados para esse fim, era uma matança descivernada.Com esse novo método, vao recuperar essa especie considerada que em instincao para voltar aos olhos dos turistas.Muito bia reportagem.