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Belo Horizonte “engole” mais de 350 milhões de litros de esgoto por dia: duas gigantes tratam o que desce pelo ralo, reduzem poluentes no caminho do Rio das Velhas e ainda transformam lodo em biogás e energia

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 06/06/2026 às 19:01
Atualizado em 06/06/2026 às 19:05
Belo Horizonte trata mais de 350 milhões de litros de esgoto por dia nas ETEs Arrudas e Onça, com reúso e biogás.
Belo Horizonte trata mais de 350 milhões de litros de esgoto por dia nas ETEs Arrudas e Onça, com reúso e biogás.
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Milhões de litros de esgoto saem da rotina doméstica e passam por estruturas industriais que reduzem poluentes, protegem rios urbanos e reaproveitam resíduos em processos de reúso, biogás e geração de energia na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Belo Horizonte depende de duas estações de tratamento para receber, todos os dias, uma carga de esgoto superior a 350 milhões de litros, volume que sai de casas, comércios e redes coletoras antes de retornar ao ambiente com menor carga poluidora.

A soma considera as vazões associadas à ETE Arrudas, na divisa da capital com Sabará, e à ETE Onça, instalada em Belo Horizonte, ambas operadas pela Copasa.

Esse volume mostra uma parte da infraestrutura urbana que fica fora da vista da maior parte da população e opera de forma contínua.

Depois de sair de banhos, descargas, pias, tanques e cozinhas, o esgoto percorre redes subterrâneas, chega às unidades de tratamento, passa por processos físicos e biológicos e segue para cursos d’água dentro de parâmetros ambientais.

ETE Arrudas e ETE Onça tratam milhões de litros por dia

Na ETE Arrudas, a capacidade associada é de 2.300 litros por segundo de efluente tratado, o equivalente a quase 199 milhões de litros por dia quando a vazão é convertida para 24 horas.

A estação devolve o efluente tratado ao Rio Arrudas, curso d’água que integra a dinâmica hídrica da Região Metropolitana de Belo Horizonte e se conecta à bacia do Rio das Velhas.

Já a ETE Onça tem vazão atual informada pela Copasa de 1.800 litros por segundo, número que corresponde a aproximadamente 155 milhões de litros por dia.

Quando consideradas em conjunto, as duas estruturas chegam a cerca de 354 milhões de litros diários, volume tratado por um sistema que envolve coleta, etapas operacionais, controle de qualidade e lançamento do efluente tratado.

Tratamento reduz impacto nos rios urbanos

Belo Horizonte trata mais de 350 milhões de litros de esgoto por dia nas ETEs Arrudas e Onça, com reúso e biogás.
Belo Horizonte trata mais de 350 milhões de litros de esgoto por dia nas ETEs Arrudas e Onça, com reúso e biogás.

O tratamento de esgoto não transforma o material recebido pela rede coletora em água potável.

Nas estações, a finalidade é reduzir sólidos, matéria orgânica e outros componentes poluentes antes do lançamento do efluente tratado nos corpos hídricos, evitando que o esgoto bruto seja despejado diretamente nos rios.

Essa distinção ajuda a explicar o papel das ETEs dentro do saneamento urbano.

Em vez de produzir água para consumo humano, as unidades reduzem impactos sobre rios, odor, saúde pública, fauna aquática e uso urbano do território, especialmente em bacias com alta ocupação populacional.

De acordo com a Copasa, a ETE Onça atende 50% da população de Belo Horizonte e pouco mais de 50% de Contagem.

A estação está ligada à melhoria da qualidade das águas do Ribeirão do Onça e do Rio das Velhas, um dos principais cursos d’água de Minas Gerais.

Na ETE Arrudas, a operação também atende parte da bacia urbana da capital mineira.

Instalada entre Belo Horizonte e Sabará, a unidade recebe parcela do esgoto gerado na região e aplica processos de remoção de carga poluidora antes do retorno do efluente ao Rio Arrudas.

ETE Onça terá expansão e tratamento terciário

A Copasa anunciou um projeto para ampliar e modernizar a ETE Onça, com aumento da capacidade de tratamento de 1.800 para 2.700 litros por segundo.

A intervenção, estimada em R$ 1 bilhão, prevê implantação de tratamento terciário, etapa voltada à remoção de nutrientes e à desinfecção do efluente por radiação ultravioleta.

A retirada de nutrientes como nitrogênio e fósforo é uma das funções previstas nessa etapa de tratamento.

Quando permanecem em excesso no efluente, essas substâncias podem interferir no equilíbrio de rios e reservatórios, conforme parâmetros técnicos usados no controle ambiental de sistemas hídricos.

Segundo a companhia, o projeto inclui ainda unidades de controle de odor, reúso do efluente tratado dentro da própria estação e monitoramento em tempo real.

Belo Horizonte trata mais de 350 milhões de litros de esgoto por dia nas ETEs Arrudas e Onça, com reúso e biogás.
Belo Horizonte trata mais de 350 milhões de litros de esgoto por dia nas ETEs Arrudas e Onça, com reúso e biogás.

As obras foram planejadas para atualizar processos já existentes e ampliar a capacidade de atendimento em uma área metropolitana com demanda contínua por infraestrutura de saneamento.

A ampliação da ETE Onça foi apresentada pela Copasa como o maior investimento individual da companhia em obras.

A execução prevista é de 72 meses, com reflexos esperados no tratamento de esgoto e na qualidade das águas da Bacia do Velhas, conforme divulgado pela empresa.

Lodo passa por manejo técnico e pode gerar energia

Além da parte líquida, o tratamento gera lodo, material com alta concentração de matéria orgânica que exige manejo próprio dentro das unidades.

Em estações desse porte, o resíduo passa por etapas como estabilização, desidratação, transporte e destinação compatíveis com normas ambientais e procedimentos operacionais.

Na ETE Arrudas, o aproveitamento energético do biogás aparece entre os projetos associados ao tratamento de esgoto.

O Ministério das Cidades apontou a estação como uma das primeiras a avançar no uso de biogás para geração de energia, com capacidade instalada de 2,4 megawatts por meio de microturbinas.

O biogás é produzido a partir da decomposição da matéria orgânica em condições controladas.

Quando captado e utilizado, esse gás pode ser empregado na operação da própria estação, com aproveitamento da energia contida em parte do resíduo gerado no processo de tratamento.

Na ETE Onça, a modernização prevista inclui duas centrais de tratamento de lodo e biodigestores anaeróbicos.

De acordo com a Copasa, essas estruturas estão associadas ao aproveitamento futuro do biogás e do lodo, além da destinação dos subprodutos do tratamento.

Água de reúso diminui consumo potável nas estações

O reaproveitamento de água tratada dentro das próprias ETEs também faz parte da operação do sistema de saneamento na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A Copasa concluiu, em junho de 2025, obras em seis estações da região para ampliar sistemas de reúso, com economia estimada em cerca de 66 milhões de litros de água potável por ano.

Nesse modelo, a água que já passou pelo tratamento do esgoto é captada e direcionada para processos internos.

Belo Horizonte trata mais de 350 milhões de litros de esgoto por dia nas ETEs Arrudas e Onça, com reúso e biogás.
Belo Horizonte trata mais de 350 milhões de litros de esgoto por dia nas ETEs Arrudas e Onça, com reúso e biogás.

Entre os usos estão etapas de desidratação do lodo, mistura com polímeros e limpeza operacional, atividades que antes dependiam do consumo de água potável.

Com essa substituição, a água tratada para abastecimento humano deixa de ser usada em parte das tarefas industriais executadas dentro das estações.

O efluente reaproveitado passa a atender demandas operacionais, enquanto a água potável permanece destinada ao consumo da população e a outros usos prioritários.

A ETE Arrudas integrou o conjunto de unidades contempladas pelo projeto de reúso.

A Copasa informou que a expansão incluiu também as ETEs Bandeirinhas, Justinópolis, Nova Contagem, Santa Luzia e Vale do Sereno, enquanto a ETE Onça já contava com sistema implantado desde 2013.

Rede de esgoto exige separação correta dos resíduos

A operação das estações começa antes da chegada do esgoto às unidades de tratamento.

A rede coletora depende da separação entre o que deve seguir pelo sistema e o que precisa receber destinação própria, como óleo de cozinha, lixo, plásticos, fraldas, panos e outros resíduos sólidos.

Quando esses materiais entram em pias, vasos sanitários ou bocas de lobo, aumentam o risco de obstruções e dificultam a triagem nas estruturas operacionais.

O impacto aparece em equipamentos, tubulações e etapas preliminares de tratamento, que passam a lidar com materiais não previstos para a rede de esgoto.

Em uma capital atravessada por ribeirões canalizados e conectada à bacia do Rio das Velhas, a água usada diariamente não termina o percurso no ralo.

Depois da coleta, ela passa por um sistema contínuo de tratamento, controle de qualidade e manejo de resíduos antes do retorno do efluente tratado ao ambiente.

A escala das duas estações indica que o saneamento metropolitano envolve mais do que o encanamento instalado sob as ruas.

Após a coleta, entram em operação tratamento, controle de qualidade, manejo de lodo, reúso de água e aproveitamento energético, etapas que integram a rotina do sistema operado na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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