Pesquisadores da agência australiana CSIRO, em parceria com a Universidade de Queensland e o Okinawa Institute of Science and Technology, demonstraram que baterias quânticas baseadas em qubits emaranhados podem multiplicar por quatro a capacidade dos computadores quânticos. Conforme publicado em janeiro de 2026 na CSIRO News, o estudo apareceu na revista Physical Review X.
O conceito quebra uma intuição básica da física clássica. Conforme a equipe, N qubits emaranhados são N vezes mais poderosos para carregar do que N qubits que não interagem entre si. Em outras palavras, quanto maior o sistema, mais rápido o carregamento ganha vantagem.
Esse efeito recebe o nome técnico de “superextensividade quântica”. Não há paralelo no mundo macroscópico. Apesar disso, o experimento numérico publicado pela equipe mostra que a regra se mantém em circuitos supercondutores acessíveis.
-
China não encontrou caminhão elétrico adequado para mineração, encomendou um do zero, lançou veículo de 140 toneladas com bateria de 770 kWh trocável em 4 minutos e já opera 290 unidades na maior mina de zinco de Xinjiang
-
Meta prepara o Arena, novo aplicativo de previsões que pode usar pontos, aproveitar 3,56 bilhões de usuários e entrar na disputa direta com Polymarket e Kalshi
-
Cientista desafia uma das teorias mais famosas sobre a evolução humana e afirma que o Homo sapiens não passou por uma revolução repentina, mas por milhares de anos de mudanças graduais
-
Aos 15 anos, uma americana construiu um gerador oceânico com cano de PVC e hélice de impressora 3D por R$ 61, ganhou um prêmio nacional, apresentou o projeto na Casa Branca e entrou na lista Forbes 30 Under 30
Como a bateria quântica alimenta o computador quântico
Tradicionalmente, computadores quânticos exigem uma linha de controle dedicada para cada qubit. Isso multiplica cabos, calor e custo de criogenia. A nova abordagem substitui essas linhas individuais por um único ressonador compartilhado.
O ressonador funciona como uma bateria. Os qubits sacam energia dele de forma coordenada graças ao emaranhamento. Como resultado, é possível enfileirar até quatro vezes mais qubits dentro do mesmo refrigerador criogênico.

Conforme o portal especializado The Quantum Insider, isso pode redesenhar a arquitetura dos data centers quânticos. Hoje uma máquina de mil qubits exige milhares de canais de controle. A bateria quântica diminui esse número.
Por que o emaranhamento entrega o ganho de tempo
O emaranhamento é uma correlação que liga partículas mesmo a distância. Quando um qubit muda de estado, seu parceiro emaranhado responde instantaneamente. A equipe explorou justamente essa coordenação para que a bateria entregue energia em paralelo, e não em sequência.
De fato, em sistemas clássicos a soma das partes é apenas a soma das partes. Em sistemas quânticos com emaranhamento adequado, o todo se torna mais rápido que a soma das partes individuais. Esse é o aspecto que ainda surpreende físicos veteranos.
Por outro lado, o efeito tem custo. Manter o emaranhamento exige temperaturas próximas do zero absoluto. Conforme a Phys.org, qualquer perturbação térmica reduz a vantagem.
O que isso pode significar para o setor de energia
O resultado ainda é teórico-experimental. Apesar disso, a equipe da CSIRO já sinalizou o próximo passo: demonstrar a abordagem num protótipo real. Se funcionar, o impacto vai além da computação quântica.
O setor de energia começa a olhar para sensores quânticos em monitoramento de plataformas, dutos e parques eólicos. Esses sensores precisam de fontes de alimentação compactas e estáveis. Bateria quântica é exatamente isso.
No Brasil, o tema está nascendo. Universidades como UFRJ, Unicamp e USP têm grupos de pesquisa em informação quântica. Em última análise, dominar o controle de qubits emaranhados será exigência básica para quem quiser participar da próxima geração de tecnologia energética.
