1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. A bateria quântica que usa qubits emaranhados quadruplica a capacidade do computador quântico — e o experimento foi liderado pela CSIRO australiana com Queensland e Okinawa
Faça um comentário 3 min de leitura

A bateria quântica que usa qubits emaranhados quadruplica a capacidade do computador quântico — e o experimento foi liderado pela CSIRO australiana com Queensland e Okinawa

Imagem de perfil do autor Douglas Avila
Escrito por Douglas Avila Publicado em 08/05/2026 às 11:30 Atualizado em 08/05/2026 às 11:33
Bateria quântica com qubits emaranhados ilustração
A bateria quântica com qubits emaranhados promete redesenhar a arquitetura dos computadores quânticos. Imagem ilustrativa.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Pesquisadores da agência australiana CSIRO, em parceria com a Universidade de Queensland e o Okinawa Institute of Science and Technology, demonstraram que baterias quânticas baseadas em qubits emaranhados podem multiplicar por quatro a capacidade dos computadores quânticos. Conforme publicado em janeiro de 2026 na CSIRO News, o estudo apareceu na revista Physical Review X.

O conceito quebra uma intuição básica da física clássica. Conforme a equipe, N qubits emaranhados são N vezes mais poderosos para carregar do que N qubits que não interagem entre si. Em outras palavras, quanto maior o sistema, mais rápido o carregamento ganha vantagem.

Esse efeito recebe o nome técnico de “superextensividade quântica”. Não há paralelo no mundo macroscópico. Apesar disso, o experimento numérico publicado pela equipe mostra que a regra se mantém em circuitos supercondutores acessíveis.

Como a bateria quântica alimenta o computador quântico

Tradicionalmente, computadores quânticos exigem uma linha de controle dedicada para cada qubit. Isso multiplica cabos, calor e custo de criogenia. A nova abordagem substitui essas linhas individuais por um único ressonador compartilhado.

O ressonador funciona como uma bateria. Os qubits sacam energia dele de forma coordenada graças ao emaranhamento. Como resultado, é possível enfileirar até quatro vezes mais qubits dentro do mesmo refrigerador criogênico.

Computador quântico com qubits sendo carregados por bateria quântica entrelaçada
O ressonador compartilhado carrega múltiplos qubits sem multiplicar fios e calor. Imagem ilustrativa.

Conforme o portal especializado The Quantum Insider, isso pode redesenhar a arquitetura dos data centers quânticos. Hoje uma máquina de mil qubits exige milhares de canais de controle. A bateria quântica diminui esse número.

Por que o emaranhamento entrega o ganho de tempo

O emaranhamento é uma correlação que liga partículas mesmo a distância. Quando um qubit muda de estado, seu parceiro emaranhado responde instantaneamente. A equipe explorou justamente essa coordenação para que a bateria entregue energia em paralelo, e não em sequência.

De fato, em sistemas clássicos a soma das partes é apenas a soma das partes. Em sistemas quânticos com emaranhamento adequado, o todo se torna mais rápido que a soma das partes individuais. Esse é o aspecto que ainda surpreende físicos veteranos.

Por outro lado, o efeito tem custo. Manter o emaranhamento exige temperaturas próximas do zero absoluto. Conforme a Phys.org, qualquer perturbação térmica reduz a vantagem.

O que isso pode significar para o setor de energia

O resultado ainda é teórico-experimental. Apesar disso, a equipe da CSIRO já sinalizou o próximo passo: demonstrar a abordagem num protótipo real. Se funcionar, o impacto vai além da computação quântica.

O setor de energia começa a olhar para sensores quânticos em monitoramento de plataformas, dutos e parques eólicos. Esses sensores precisam de fontes de alimentação compactas e estáveis. Bateria quântica é exatamente isso.

No Brasil, o tema está nascendo. Universidades como UFRJ, Unicamp e USP têm grupos de pesquisa em informação quântica. Em última análise, dominar o controle de qubits emaranhados será exigência básica para quem quiser participar da próxima geração de tecnologia energética.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x