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Bateria de carro elétrico vira “power bank” de casa no Ceará: 60 kWh na parede, 440 kg, custou R$ 19 mil e integra solar híbrido, mas não é faça-você-mesmo ainda

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Escrito por Carla Teles Publicado em 26/01/2026 às 14:15 Atualizado em 27/01/2026 às 14:29
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No Ceará, bateria de carro elétrico ganha segunda vida da bateria como bateria residencial em sistema solar híbrido e sistema off grid.
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No Ceará, bateria de carro elétrico reaproveitada como bateria residencial integra sistema solar híbrido e sistema off grid, mostrando o potencial da segunda vida da bateria.

No Ceará, uma bateria de carro elétrico de 60 kWh, retirada de um veículo batido, virou uma espécie de “power bank de parede” de 440 kg, integrada a um sistema solar híbrido e off grid que praticamente sustenta uma casa inteira.

O projeto piloto, instalado na região metropolitana de Fortaleza, mostra como a bateria de carro elétrico pode ganhar uma segunda vida como bateria residencial, reduzindo lixo, cortando custos com energia e aumentando a autonomia da casa. Ao mesmo tempo, o caso deixa claro um ponto essencial: não é um faça-você-mesmo, exige engenharia especializada, normas que ainda não existem no Brasil e muito cuidado com segurança elétrica.

O que acontece com a bateria de carro elétrico depois do fim do carro

A pergunta que abriu o projeto é simples e poderosa: o que acontece com a bateria de carro elétrico quando o carro acaba? Ela vai para o lixo ou pode ser reaproveitada?

Com a popularização dos veículos elétricos, muita gente teme que a bateria de carro elétrico vire um problema ambiental.

Foi exatamente essa preocupação que levou o proprietário da casa a buscar uma solução de segunda vida da bateria.

Ele começou a procurar baterias em desmanches e em anúncios de carros batidos, até encontrar uma unidade inteira disponível para compra.

A primeira experiência foi com uma bateria de aproximadamente 45 kWh, retirada de um carro batido. Mais tarde, o projeto evoluiu para a bateria atual, de 60 kWh, também de um veículo batido, comprada por R$ 19 mil.

A ideia sempre foi provar que a bateria de carro elétrico não precisa ir para o lixo. Ela pode virar bateria residencial, funcionando como no break ou banco de energia da casa.

Do desmanche à bateria residencial em sistema solar híbrido

No Ceará, bateria de carro elétrico ganha segunda vida da bateria como bateria residencial em sistema solar híbrido e sistema off grid.
Imagem: Canal VE/Youtube.

Em vez de comprar um banco de baterias tradicional para energia solar, o proprietário decidiu usar uma bateria de carro elétrico como núcleo de um sistema solar híbrido.

Ele comparou custos. Uma bateria equivalente, comprada como solução pronta de armazenamento para um sistema fotovoltaico, poderia chegar a algo entre R$ 90 mil e R$ 120 mil, dependendo do projeto.

A bateria de carro elétrico reaproveitada, por sua vez, saiu por R$ 19 mil, o que representa uma redução muito grande no custo do armazenamento de energia.

Essa bateria residencial recebe energia de uma usina solar própria instalada no telhado, com 36 módulos fotovoltaicos.

Durante o dia, os painéis geram energia para a casa. O excedente de geração vai para a bateria de carro elétrico, que é carregada enquanto o sol está forte.

Com a bateria carregada, durante a noite ela passa a alimentar a residência. Em condições normais, a bateria de carro elétrico de 60 kWh consegue manter a casa funcionando a noite inteira, inclusive com aparelhos de ar-condicionado, desde que o consumo seja administrado.

Em uma queda de energia da concessionária, o sistema permite reduzir o uso de alguns equipamentos e prolongar a autonomia até que o sol volte a carregar tudo no dia seguinte.

Na prática, o conjunto funciona como um sistema off grid parcial. O dono da casa consegue, em muitos momentos, viver quase independente da rede, combinando sistema solar híbrido, bateria residencial de segunda vida e a rede da concessionária apenas como backup.

Como a bateria de carro elétrico alimenta uma casa inteira

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Saiba mais no vídeo do Canal VE ou no link clicando aqui.

No centro do projeto está um inversor trifásico de alta capacidade, descrito pelo proprietário como o cérebro de todo o sistema. Ele faz o gerenciamento da energia que vem dos painéis solares, da bateria de carro elétrico e da rede da concessionária.

O funcionamento básico é o seguinte:

  • durante o dia, os 36 painéis solares alimentam a casa e, quando há excedente, o sistema solar híbrido direciona parte dessa energia para carregar a bateria
  • quando a bateria está totalmente carregada e o consumo da casa é baixo, o excedente volta para a rede, gerando crédito na concessionária
  • à noite, quando não há geração solar, a bateria de carro elétrico entra em ação, alimentando a casa por meio do inversor
  • quando a carga da bateria chega a cerca de 50 por cento, por segurança, o sistema passa a consumir da concessionária para preservar uma reserva em caso de queda de energia

A casa tem cerca de 14 aparelhos de ar-condicionado, distribuídos em sistemas centrais VRV, além de outros equipamentos típicos de uma residência de alto consumo.

Mesmo assim, a bateria de carro elétrico dá suporte à operação noturna, desde que o uso seja administrado com critério.

Um ponto interessante é que, apesar de toda essa estrutura, os carregadores de carros elétricos da casa não estão ligados à bateria. Eles são alimentados diretamente pela rede da concessionária, por uma questão de lógica energética.

Não faria sentido carregar 60 kWh na bateria residencial para depois usar essa mesma energia para abastecer um veículo com bateria muito maior.

Engenharia, proteções e riscos: por que não é faça-você-mesmo

O próprio canal que apresentou o projeto faz um alerta explícito: não recomenda que ninguém simplesmente copie essa instalação em casa.

O sistema trabalha com aproximadamente 440 V em corrente contínua e 380 V em corrente alternada, em um arranjo trifásico.

Esse nível de tensão e potência é mais do que suficiente para matar uma pessoa se houver erro de projeto ou instalação.

Por isso, o projeto incorpora uma série de proteções obrigatórias e adicionais:

  • disjuntores dimensionados para o sistema
  • DPS para proteção contra surtos
  • DR para proteção contra choques
  • sequenciador de fase e proteção contra falta de fase, já que todo o sistema é trifásico

Além disso, a bateria de carro elétrico tem o seu próprio cérebro interno, a BMS, que controla carga e descarga das células, monitora temperatura e garante que tudo fique dentro dos limites de segurança.

O inversor e a BMS se comunicam o tempo todo, ajustando o funcionamento para preservar a durabilidade e a integridade da bateria residencial.

O canal destaca que uma ligação desse tipo não pode ser feita por alguém sem conhecimento técnico em elétrica e em sistemas de alta tensão. Segundo o próprio conteúdo, ainda não existem normas específicas no Brasil que tratem de forma detalhada esse tipo de reaproveitamento de bateria de carro elétrico como bateria residencial.

Para tratar o assunto com seriedade, os responsáveis pelo vídeo dizem ter buscado posicionamento da fabricante da bateria, de entidades de normalização como a ABNT e de fabricantes dos equipamentos usados na instalação. Até o fechamento do conteúdo, porém, não havia retorno oficial dessas marcas e instituições.

Por isso, o projeto é apresentado como um caso real, experimental, e não como um passo a passo para o público replicar em casa.

Economia, retorno e segunda vida da bateria no dia a dia

Mesmo sendo um projeto piloto, com algumas peças mais caras que o padrão, o proprietário calcula um investimento total de cerca de R$ 100 mil para toda a instalação, somando bateria de carro elétrico, inversor, usina solar e proteções.

À primeira vista, o valor assusta. Mas o contexto da casa faz diferença. O dono tem quatro carros elétricos e usa bastante todos eles.

A comparação é direta com o combustível que seria gasto se fossem veículos a combustão. Segundo ele, a usina solar se pagou em cerca de cinco meses apenas comparando o custo de abastecimento dos carros com energia em vez de gasolina.

No último ano, a economia declarada em gasolina chegou a cerca de R$ 150 mil, resultado do uso intenso dos quatro veículos elétricos somado ao sistema solar e à bateria de carro elétrico reaproveitada como bateria residencial.

Do ponto de vista ambiental, o projeto também é um exemplo prático de segunda vida da bateria. Em vez de descartar uma bateria de carro batido, o sistema a transforma em armazenamento fixo, prolongando a utilização útil do componente e reduzindo o volume de resíduos gerados antes do fim de vida das células.

Ao mesmo tempo, o próprio canal reforça que a segunda vida da bateria ainda não é uma solução pronta para o grande público no Brasil.

Falta norma, falta padrão, falta protocolo claro de segurança. A mensagem é clara: é uma ideia promissora, mas ainda em fase embrionária.

Tendência ou risco subestimado?

O caso cearense mostra que a bateria de carro elétrico pode, sim, virar bateria residencial, integrada a um sistema solar híbrido e até a um arranjo de sistema off grid parcial, com ganhos reais de economia e autonomia.

Mas também mostra que isso depende de engenharia séria, proteção adequada e respeito a limites técnicos, não de improviso.

Enquanto não existirem normas claras e procedimentos padronizados, cada instalação desse tipo continuará sendo um projeto sob medida, que exige experiência e responsabilidade.

Você acha que a segunda vida da bateria de carro elétrico como bateria residencial em sistema solar híbrido e sistema off grid vai virar tendência no Brasil, ou ainda falta muita norma de segurança para que isso vire algo comum nas casas?

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Carla Teles

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