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Astronautas da NASA se abrigam em nave da SpaceX após piora de vazamentos na Estação Espacial Internacional

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 05/06/2026 às 20:30
Atualizado em 05/06/2026 às 20:56
Astronautas da NASA se abrigam em nave da SpaceX após piora de vazamentos na Estação Espacial Internacional
Astronautas da NASA se abrigam em nave da SpaceX após piora de vazamentos na Estação Espacial Internacional
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A NASA acionou o procedimento de segurança e levou quatro astronautas para a cápsula Crew Dragon depois que vazamentos no segmento russo da ISS se agravaram. O susto durou pouco, mas aumenta a pressão sobre o futuro da estação.

O susto aconteceu na sexta-feira, 5 de junho de 2026, enquanto a Roscosmos tentava reparar falhas no módulo russo Zvezda. Embora a ordem tenha sido suspensa mais tarde e os astronautas tenham retornado às atividades normais, o episódio reacendeu uma preocupação antiga: a ISS continua convivendo com vazamentos que se arrastam há anos.

Segundo a Reuters, a medida de segurança foi tomada depois que sensores e equipes russas identificaram a necessidade de novas intervenções no trecho afetado. Por precaução, a NASA orientou parte da tripulação a seguir para a Crew Dragon e permanecer em condição de “safe haven”, ou abrigo seguro, até que o risco imediato fosse reavaliado.

Procedimento de emergência levou tripulação para a Crew Dragon

O ponto de vazamento fica no módulo PrK, um túnel de transferência que liga o módulo de serviço russo Zvezda a uma porta usada por veículos Progress, responsáveis por levar carga à estação
O ponto de vazamento fica no módulo PrK, um túnel de transferência que liga o módulo de serviço russo Zvezda a uma porta usada por veículos Progress, responsáveis por levar carga à estação

A ordem envolveu os quatro integrantes da missão NASA SpaceX Crew-12: os astronautas da NASA Jessica Meir e Jack Hathaway, a astronauta da ESA Sophie Adenot e o cosmonauta da Roscosmos Andrey Fedyaev.

Além deles, o astronauta norte-americano Christopher Williams, que já estava a bordo da ISS após chegar em uma missão Soyuz com cosmonautas russos, também entrou no procedimento preventivo. A orientação era que esses tripulantes se mantivessem prontos para uma eventual evacuação caso a situação piorasse.

A decisão foi tratada pela NASA como uma medida de excesso de cautela. Isso significa que não havia, naquele momento, uma perda de controle da estação, mas sim um cenário suficientemente delicado para justificar a preparação da tripulação.

Vazamento ocorreu em uma área crítica do módulo russo Zvezda

O problema está relacionado ao compartimento de transição do módulo Zvezda, no segmento russo da ISS. Essa área é frequentemente associada ao túnel PrK, uma passagem que liga o módulo de serviço russo a uma porta usada por naves Progress, responsáveis pelo transporte de carga até a estação.

Esse trecho já é considerado sensível há anos. Microfissuras e perdas de ar vêm sendo monitoradas por NASA e Roscosmos desde 2019, e o compartimento costuma permanecer isolado quando não há operações específicas envolvendo veículos de carga.

Na sexta-feira, a Roscosmos informou que dois vazamentos haviam sido detectados. Um deles foi corrigido com o uso de composto hermético, enquanto o outro continuava sendo avaliado na região cônica do compartimento. A agência russa afirmou que a pressão interna da estação permanecia estável e que não havia risco imediato para a tripulação.

Reparo conteve parte do problema, mas alerta não desapareceu

Após as primeiras ações de reparo, a NASA retirou a orientação de permanência na Crew Dragon. Com isso, os tripulantes foram autorizados a deixar o abrigo seguro e retomar as atividades planejadas a bordo da Estação Espacial Internacional.

Ainda assim, o fim do alerta não significa que o problema tenha sido completamente encerrado. A Roscosmos suspendeu temporariamente novas operações estruturais enquanto analisa medições e dados coletados durante a tentativa de reparo.

Na prática, a ISS segue operacional, mas a área afetada continua sob vigilância. Esse é justamente o ponto que preocupa especialistas: mesmo quando os vazamentos parecem controlados, eles voltam a exigir atenção em momentos críticos.

Problema antigo aumenta pressão sobre o futuro da ISS

O episódio também reacende o debate sobre o futuro da Estação Espacial Internacional. A plataforma orbital está em operação contínua há décadas e, oficialmente, deve ser aposentada até o fim de 2030, quando será direcionada para uma reentrada controlada na atmosfera e terá partes lançadas no Oceano Pacífico.

Nos Estados Unidos, porém, há discussões sobre manter a ISS funcionando por mais tempo, possivelmente até 2032, para evitar um intervalo entre o fim da estação atual e a entrada em operação de novas estações comerciais privadas.

O problema é que incidentes como esse reforçam o desgaste da estrutura. Mesmo com manutenção constante, a estação depende de módulos antigos, acordos internacionais complexos e cooperação entre NASA e Roscosmos em um momento de tensão geopolítica.

Susto foi controlado, mas expõe fragilidade da estação

Por ora, a tripulação está segura e as operações foram retomadas. A NASA e a Roscosmos continuam monitorando a situação no segmento russo, especialmente na região do Zvezda, onde os vazamentos voltaram a chamar atenção.

O susto, no entanto, deixa uma mensagem clara: a Estação Espacial Internacional ainda é uma das maiores conquistas da engenharia humana, mas também é uma estrutura envelhecida, operando em um ambiente extremo, onde uma pequena fissura pode virar uma emergência orbital.

Enquanto o futuro da ISS segue em debate, cada novo vazamento aumenta a pressão sobre as agências espaciais. Afinal, a estação continua habitada, continua produzindo ciência — mas também continua mostrando sinais de que sua aposentadoria pode ser mais urgente do que muitos gostariam.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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