1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Astrobotic surpreende o mundo ao testar um motor que sustenta detonações rotativas por 300 segundos e supera 4 mil libras de empuxo para reduzir peso e ampliar a capacidade de futuras naves lunares
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 1 comentário

Astrobotic surpreende o mundo ao testar um motor que sustenta detonações rotativas por 300 segundos e supera 4 mil libras de empuxo para reduzir peso e ampliar a capacidade de futuras naves lunares

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 27/04/2026 às 17:54
Atualizado em 27/04/2026 às 18:18
Assista o vídeoAstrobotic testa motor Chakram com 300 segundos de queima e alto empuxo, avanço que pode tornar naves lunares mais leves e eficientes.
Astrobotic testa motor Chakram com 300 segundos de queima e alto empuxo, avanço que pode tornar naves lunares mais leves e eficientes.
  • Reação
  • Reação
4 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Avanço em propulsão espacial coloca motor experimental em novo patamar de desempenho, com queima prolongada e alto empuxo, abrindo caminho para naves lunares mais leves, eficientes e com maior capacidade de carga em missões futuras.

A Astrobotic concluiu uma campanha de testes com o motor Chakram, um propulsor experimental de detonação rotativa que manteve uma queima contínua de 300 segundos e ultrapassou 4 mil libras de empuxo por unidade durante ensaios realizados no Marshall Space Flight Center, da NASA.

Durante a série de experimentos, dois protótipos foram submetidos a oito disparos de fogo estático, acumulando mais de 470 segundos de operação ao longo da campanha, sem que fossem observados danos aparentes nos componentes após os testes.

Ao destacar o resultado, a empresa indicou que a queima contínua de cinco minutos pode representar o maior tempo já registrado para um motor dessa categoria, o que reforça a relevância técnica do experimento no cenário atual da engenharia espacial.

Com esse desempenho, o Chakram passa a integrar o grupo de projetos que buscam viabilizar pousadores lunares mais leves e eficientes, ao mesmo tempo em que ampliam a capacidade de carga útil em missões voltadas à superfície da Lua.

Motor Chakram e eficiência em pousadores lunares

Diferentemente dos motores químicos convencionais, o sistema de detonação rotativa opera com ondas de detonação supersônicas que percorrem continuamente uma câmara anular, criando um processo mais eficiente de liberação de energia a partir do propelente utilizado.

Astrobotic testa motor Chakram com 300 segundos de queima e alto empuxo, avanço que pode tornar naves lunares mais leves e eficientes.
Astrobotic testa motor Chakram com 300 segundos de queima e alto empuxo, avanço que pode tornar naves lunares mais leves e eficientes.

Essa abordagem permite extrair maior desempenho com a mesma quantidade de combustível, o que se traduz em ganhos diretos na relação entre empuxo e peso, além de contribuir para a redução do volume ocupado pelo sistema de propulsão.

Quando aplicado a veículos lunares, esse ganho se reflete em maior flexibilidade de projeto, já que um motor mais compacto pode liberar espaço interno para equipamentos científicos, sistemas de navegação ou até mesmo carga comercial.

Dentro dessa estratégia, a Astrobotic projeta o uso da tecnologia em futuras versões de pousadores da classe Griffin, além de considerar aplicações em foguetes reutilizáveis e veículos voltados ao transporte no espaço cislunar.

Testes na NASA e desempenho do motor Chakram

Realizada no Marshall Space Flight Center, a campanha aproveitou uma infraestrutura tradicionalmente voltada ao desenvolvimento de sistemas de propulsão, o que permitiu conduzir ensaios com maior controle sobre variáveis térmicas e operacionais.

Durante os disparos, os protótipos atingiram condições de estabilidade térmica na maior parte dos testes, com exceção de dois acionamentos curtos relacionados ao sistema de ignição, que não comprometeram o resultado geral obtido.

Esse aspecto ganha importância porque a estabilidade térmica figura entre os principais desafios para motores desse tipo, especialmente quando se busca operação contínua em níveis elevados de temperatura e pressão.

Além disso, o nível de empuxo registrado reforça o avanço técnico, já que cada unidade atingiu mais de 4 mil libras de força, posicionando o Chakram entre os experimentos mais robustos já conduzidos pela empresa nessa linha de desenvolvimento.

Outro ponto relevante está na duração do teste contínuo, que diferencia a campanha de demonstrações mais curtas, ao evidenciar a capacidade do sistema de manter desempenho consistente ao longo de um intervalo mais próximo das exigências operacionais reais.

Impressão 3D metálica e inovação na propulsão espacial

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O desenvolvimento do motor contou com apoio de contratos do programa Small Business Innovation Research, da NASA, além de um acordo específico com o centro Marshall para colaboração em testes e engenharia.

Paralelamente, a Astrobotic associou o desempenho do Chakram ao uso de manufatura aditiva metálica, com destaque para a tecnologia PermiAM, desenvolvida em parceria com a empresa Elementum3D.

Esse método permite produzir componentes com porosidade controlada, característica que pode contribuir para melhorar o gerenciamento térmico interno e aumentar a estabilidade do processo de combustão dentro do motor.

Dessa forma, o avanço não se limita ao conceito de detonação rotativa, mas envolve também a evolução de materiais e técnicas de fabricação capazes de suportar condições extremas sem perda precoce de desempenho estrutural.

Com base nesses resultados, a próxima etapa do projeto deve concentrar esforços em soluções como resfriamento regenerativo, controle mais preciso de potência e redução adicional de massa do conjunto.

Desafios e aplicação futura em missões lunares

Mesmo com os resultados obtidos, a Astrobotic ainda não definiu quando o motor será integrado a uma missão espacial, já que a transição do ambiente de testes para aplicações reais exige novas fases de qualificação e validação.

Historicamente, motores de detonação rotativa têm sido estudados como alternativa para aumentar eficiência sem elevar significativamente a massa total dos veículos, um fator crítico em operações fora da órbita terrestre baixa.

No contexto de pousadores lunares, essa equação influencia diretamente a quantidade de carga transportada, além de impactar aspectos como autonomia, segurança e capacidade de manobra durante descidas e operações na superfície.

Inserido nesse cenário, o Chakram representa um avanço dentro de uma estratégia mais ampla da Astrobotic, que busca consolidar sua atuação em serviços logísticos no espaço cislunar e no desenvolvimento de veículos dedicados a missões lunares.

Embora o teste não represente uma prontidão imediata para voo, a demonstração de 300 segundos de operação contínua amplia a base técnica necessária para etapas futuras de desenvolvimento e integração em sistemas espaciais completos.

Inscreva-se
Notificar de
guest
1 Comentário
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Anderson
Anderson
04/05/2026 16:03

Aparenta ser bem tecnologico por integrar materiais metálicos de alta liga e alta resistência mecânica.
Mas, além disso tudo, tem seus prós e contra.
Oque realmente se equipara a outras tecnologia similares a esta.
No entanto se considera a eficácia da queima do combustível e os meios de detonação abordados nesse protótipo avançado.
Em termos tecnicos de eficiências em empuxo produzido na saída do bocal e os processos de manufatura.
Este motor passa por uma fase de construção avançada, que é feita por impressoras 3d de deposição metálica camada por camada.
Oque de fato garante uma estrutura feita de ligas de alta duração a desgastes e que suporte altas temperaturas acima de 5 mil graus.
O sistema de detonação por ondas de ultrassom de alta potência combinadas com dutos helicoidais e elíptico na câmara de compressão, aumenta drasticamente o calor em centésimos de segundos.
E isso promete uma massa explosiva mais supera superaquecida e de alta velocidade de escape.
Em termos técnicos parece bem promissor e eficaz.
Oque de fato a astrobotic construiu é de extrema eficácia.
Mas, oque ainda mais importa nesses projetos, são o tipo de combustível e propelente para produção de empuxo.
E esse combustível não foi abordado na matéria.
E se for uma mistura de combustível sólido e outro líquido, como os utilizados pela nasa e outros concorrentes, seria como andar para traz.
Mesmo que esses combustíveis ofereça ganho e alto desempenho na queima.
Ele não garante que seja poluidor e altamente sustentável para longas missões.
O custo para o uso desses materiais combustíveis ainda é de altíssimo valor.
E só aumenta o desgaste dos bocais de saída, que também precisam ser lubrificados e passar por um sistema de refrigeração avançada no bocal, para não haver rachaduras.
Em minha visão teórica e técnica, esse projeto é bem ambicioso em termos de materiais utilizados na construção.
Mas, isso ainda não garante extrema eficácia de alta sustentabilidade.
Lembrando que, à outras empresas em competição com está, e que tem motores e tecnologia mais avançada e eficaz em comparação a esse projeto.
E em comparação com está tecnologia de detonação por ondas, vejo que os protótipos de motores de fusão nuclear seria os mais ideias.Tambem reforço outro tipo de motor, que é os de tecnologia iônica por plasma aquecido.
E com os novos avanços na construção de motores iônicos avançado de grande porte, acredito que então seria o mais ideal de todos.
Pois usa propulsão elétrica eficiente e possui baixíssimo consumo de gás combustível xenonio ou radonio.Oque garante um fluxo de plasma superaquecido e constante que atinge alto empuxo se colocado em gravidade zero.
Oque eu comento aqui, não é uma alta crítica de quem é a melhor empresa.
Mas, a que garante mais sustentabilidade , menor preço de fabricação, melhor combustível, melhor desempenho, e melhor sistema que não oferece desgaste nos bocais de saída.
Então acho quê o motor de propulsão elétrica por plasma é o mais promissor de todos.
Também de fato seria o mais sustentável, pois também daria pra se usar combustíveis metálicos na queima, também produziria plasma aquecido de alta velocidade.
E se combinar a propulsão nuclear com a iônica de plasma, certamente chegaria a qualquer lugar desses sistema solar, em uma missão que levaria três semanas ou até dois meses.
E hoje a maioria das tecnologias de motores a propulsão já estão todas prontas.Mas ainda, espera passar por testes constantes e rigosos até conseguir uma aprovação para entrar em mercado de competição espacial.
E todas essas promessas de conquistar o espaço, será mesmo à partir de 2032 para frente.
Por mais que estejam prontas, para se usar essas tecnologias, nesta década, ainda essas startups enfrenta muita burocracia, para validar e registrar suas patentes, e por em mercado competitivo.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
1
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x