Pesquisadores resolvem mistério de duas décadas ao confirmar que impacto espacial ocorrido há cerca de 43 a 46 milhões de anos formou a cratera de Silverpit e desencadeou um gigantesco tsunami no Atlântico Norte
Durante mais de vinte anos, cientistas tentaram entender a origem de uma gigantesca estrutura localizada no fundo do Mar do Norte, próxima à costa da Inglaterra. Agora, um novo estudo científico finalmente trouxe respostas claras: a Cratera de Silverpit foi criada pelo impacto de um asteroide que atingiu a Terra há aproximadamente 43 a 46 milhões de anos.
A informação foi divulgada pelo site Olhar Digital, com base em uma pesquisa publicada na revista científica Nature Communications em setembro de 2025. De acordo com o estudo, o impacto não apenas criou uma enorme cratera submarina, como também provocou um cenário catastrófico que incluiu a formação de um megatsunami no Atlântico Norte, a vaporização instantânea de rochas e a liberação massiva de gases na atmosfera.
Além disso, os pesquisadores utilizaram tecnologias avançadas para confirmar a origem da estrutura geológica. Dessa forma, o estudo encerra um debate científico que durou duas décadas sobre a formação da cratera Silverpit.
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Colisão espacial ocorreu a 15 quilômetros por segundo e criou cratera em apenas 12 segundos
Segundo os cientistas, o evento foi causado por um asteroide — ou possivelmente um cometa — com aproximadamente 160 metros de diâmetro. Esse corpo celeste atingiu a região do atual Mar do Norte em um ângulo baixo, vindo da direção oeste-noroeste.
Além disso, os cálculos indicam que o objeto viajava a uma velocidade impressionante de cerca de 15 quilômetros por segundo. Como resultado, o impacto liberou uma quantidade gigantesca de energia em poucos segundos.
De acordo com os pesquisadores, a colisão teve consequências imediatas e extremamente violentas:
- Formou uma cratera de 3,2 quilômetros de largura em apenas 12 segundos.
- Gerou um tsunami massivo no Atlântico Norte, com ondas que ultrapassaram 100 metros de altura, conforme dados divulgados pelo portal Tilt.
- Lançou uma enorme cortina de detritos e água para a atmosfera, que depois desabou rapidamente sobre o oceano.
- Provocou a vaporização do calcário presente no solo, liberando grandes volumes de vapor de água e dióxido de carbono.
Consequentemente, o impacto remodelou completamente o fundo do mar na região e alterou a dinâmica geológica local.
Minerais chocados revelam prova definitiva da colisão espacial

Embora a cratera Silverpit tenha sido descoberta em 2002, a origem dessa formação geológica permaneceu incerta por muitos anos. No entanto, novas análises realizadas recentemente trouxeram evidências decisivas.
Para investigar a estrutura, os cientistas coletaram fragmentos de rocha em um poço de perfuração localizado próximo ao local da cratera. Em seguida, os pesquisadores analisaram os minerais encontrados nessas amostras.
Durante os exames microscópicos, a equipe identificou grãos de quartzo e feldspato que apresentavam estruturas extremamente raras chamadas de “lamelas de choque”.
Essas estruturas microscópicas se formam apenas quando os minerais são submetidos a pressões extremamente altas, geralmente entre 10 e 13 gigapascais. Pressões desse nível não ocorrem em processos geológicos comuns da Terra.
Portanto, a presença dessas lamelas funciona como uma assinatura inequívoca de impactos espaciais de alta velocidade, como colisões com asteroides ou cometas.
Além disso, os pesquisadores também utilizaram dados de sísmica 3D de alta resolução. Essa tecnologia funciona de maneira semelhante a uma ultrassonografia do fundo do mar, permitindo observar estruturas subterrâneas com grande precisão.
As imagens revelaram uma formação complexa, com um levantamento central de rochas cercado por várias crateras secundárias menores. Esse padrão estrutural é típico de grandes impactos extraterrestres.
Estudo encerra debate científico que durou duas décadas
A origem da cratera Silverpit gerou debates intensos desde sua descoberta. A estrutura está localizada a aproximadamente 130 quilômetros da costa inglesa e encontra-se a cerca de 700 metros de profundidade no fundo do Mar do Norte.
Durante anos, alguns pesquisadores acreditaram que a formação poderia ter sido causada por fenômenos geológicos internos. Entre as hipóteses discutidas estavam a movimentação de depósitos subterrâneos de sal ou até mesmo possíveis erupções geológicas antigas.
No entanto, o novo estudo descartou completamente essas possibilidades. As análises demonstraram que a estrutura não possui ligação com camadas profundas de sal, tampouco apresenta evidências de atividade vulcânica.
Segundo Uisdean Nicholson, pesquisador da Universidade Heriot-Watt e líder do estudo, a confirmação da origem da cratera Silverpit é extremamente importante para a ciência.
Além de resolver um mistério científico de 20 anos, a descoberta também ajuda os especialistas a compreender melhor como impactos espaciais moldaram a história geológica da Terra.
Por fim, os cientistas acreditam que estudar crateras submarinas bem preservadas como Silverpit pode ajudar a prever melhor os efeitos de possíveis impactos futuros de asteroides em nosso planeta.
Se um asteroide semelhante atingisse a Terra hoje, você acredita que a humanidade estaria preparada para lidar com um impacto dessa magnitude?

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