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No norte da Guatemala, uma varredura colossal revelou 964 assentamentos maias e condensou esse mapa em 417 cidades, vilas e povoados conectados por 177 km de calçadas elevadas, sugerindo um poder regional muito maior do que se imaginava para o período Pré-Clássico

Escrito por Débora Araújo
Publicado em 07/04/2026 às 14:13
Atualizado em 07/04/2026 às 14:17
No norte da Guatemala, uma varredura colossal revelou 964 assentamentos maias e condensou esse mapa em 417 cidades, vilas e povoados conectados por 177 km de calçadas elevadas, sugerindo um poder regional muito maior do que se imaginava para o período Pré-Clássico
LiDAR revela 964 assentamentos maias na Guatemala, conectados por 177 km de estradas elevadas e reorganizados em 417 centros urbanos.
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Descoberta revolucionária revela complexa rede urbana maia pré-clássica na Guatemala, com centenas de assentamentos interligados por extensas vias elevadas, demonstrando alto nível de organização social, engenharia avançada e integração regional.

Em 2023, um estudo conduzido por pesquisadores internacionais e publicado na revista Cambridge University Press, no periódico Ancient Mesoamerica, trouxe uma das mais impressionantes revelações sobre a civilização maia no período Pré-Clássico. Utilizando tecnologia de escaneamento a laser aerotransportado, conhecida como LiDAR, os cientistas mapearam uma vasta área no norte da Guatemala, dentro da região conhecida como Mirador-Calakmul Karst Basin.

O levantamento identificou 964 assentamentos arqueológicos, posteriormente organizados em pelo menos 417 centros habitacionais, incluindo cidades, vilas e povoados interligados por uma infraestrutura monumental que inclui cerca de 177 quilômetros de calçadas elevadas, conhecidas como causeways.

Esse conjunto de dados redefine a compreensão da escala urbana maia no período Pré-Clássico, sugerindo uma densidade populacional e um nível de organização muito superiores ao que se acreditava anteriormente.

Tecnologia LiDAR permitiu revelar estruturas ocultas sob a floresta sem necessidade de escavação

A descoberta só foi possível graças ao uso do LiDAR, tecnologia que permite mapear o relevo do solo mesmo sob vegetação densa. A partir de aeronaves, pulsos de laser são emitidos em direção ao solo, atravessando a copa das árvores e retornando com informações precisas sobre a superfície terrestre.

Com esse método, os pesquisadores conseguiram remover digitalmente a vegetação e revelar plataformas artificiais, pirâmides, estradas elevadas e áreas residenciais. Essa abordagem revolucionou a arqueologia mesoamericana, permitindo identificar estruturas invisíveis a olho nu e ampliar significativamente o mapa arqueológico da região.

964 assentamentos indicam ocupação massiva e altamente organizada no período Pré-Clássico

A identificação de 964 assentamentos em uma única região demonstra que o norte da Guatemala abrigava uma ocupação humana intensa durante o período Pré-Clássico, que vai aproximadamente de 1000 a.C. a 250 d.C.

Esses assentamentos variam em escala e complexidade, incluindo grandes centros urbanos, comunidades intermediárias e pequenas unidades habitacionais. A reorganização desses dados em 417 centros principais revela uma estrutura hierárquica de ocupação, sugerindo a existência de sistemas políticos e administrativos complexos.

177 quilômetros de estradas elevadas conectavam cidades e reforçam integração regional

Um dos elementos mais impressionantes do estudo é a identificação de cerca de 177 quilômetros de calçadas elevadas, que conectavam diferentes assentamentos. Essas estruturas, construídas com pedra e terra compactada, tinham funções estratégicas, como facilitar o deslocamento em áreas alagadiças, conectar centros urbanos e integrar economicamente a região. A existência dessa rede viária indica que as cidades não eram isoladas, mas sim parte de um sistema regional interligado.

Além das estradas, o levantamento revelou uma grande quantidade de estruturas monumentais, incluindo:

  • Pirâmides de grande porte;
  • Plataformas elevadas;
  • Praças cerimoniais;
  • Complexos arquitetônicos.

Essas construções exigiram grande mobilização de recursos humanos e planejamento, reforçando a ideia de que a sociedade maia pré-clássica possuía níveis avançados de organização social.

Escala da descoberta sugere população muito maior do que estimativas anteriores

Os dados obtidos com o LiDAR indicam que a região estudada poderia abrigar uma população significativamente maior do que se imaginava. A densidade de assentamentos e a complexidade da infraestrutura sugerem uma ocupação contínua e intensiva.

Essa evidência contraria modelos antigos que viam o período Pré-Clássico como uma fase de desenvolvimento inicial, com populações reduzidas e estruturas simples.

Integração regional aponta para sistemas políticos e econômicos sofisticados

A interligação entre os assentamentos, evidenciada pelas estradas elevadas e pela distribuição espacial das estruturas, sugere a existência de sistemas políticos coordenados. Esses sistemas podem ter incluído:

  • Redes de troca de ben;
  • Organização territorial;
  • Centros de poder regional.

A complexidade observada indica que essas sociedades já operavam em uma escala comparável a civilizações urbanas mais conhecidas.

Descoberta reforça papel do período Pré-Clássico como fase de alta complexidade maia

Tradicionalmente, o período Pré-Clássico era considerado uma etapa inicial no desenvolvimento da civilização maia. No entanto, as evidências recentes apontam para um cenário muito mais avançado.

A presença de infraestrutura monumental, redes de transporte e grande densidade populacional indica que muitos dos elementos associados ao auge maia já estavam presentes séculos antes.

Região Mirador-Calakmul se consolida como um dos maiores complexos arqueológicos da América

O conjunto de dados obtido posiciona a região do Mirador-Calakmul Karst Basin como uma das áreas arqueológicas mais importantes das Américas. A combinação de grande extensão territorial, alta densidade de estruturas e integração regional transforma essa área em um dos principais focos de estudo para compreender a evolução das civilizações mesoamericanas.

Mesmo com o avanço do LiDAR, grande parte da região ainda não foi completamente analisada. Isso significa que novas descobertas podem ampliar ainda mais o conhecimento sobre a civilização maia. A arqueologia moderna, aliada à tecnologia, continua expandindo os limites do que se sabe sobre sociedades antigas.

O que mais pode estar escondido sob a floresta mesoamericana ainda não mapeada?

As descobertas no norte da Guatemala mostram que a história da civilização maia ainda está longe de ser completamente compreendida. Estruturas monumentais e redes urbanas complexas permaneceram ocultas por séculos e só agora começam a ser reveladas.

Diante disso, surge uma questão inevitável: quantas outras cidades e sistemas urbanos ainda permanecem escondidos sob a vegetação, esperando para serem descobertos? Deixe sua análise nos comentários.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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