Descoberta em caverna no Alabama revela cascavel de 3 metros pintada com lama e identifica cinco glifos monumentais invisíveis por séculos
Uma cascavel gigante de 3 metros, pintada com lama no teto de uma caverna no Alabama e identificada com imagens 3D, passou a ser a maior imagem rupestre indígena conhecida nos Estados Unidos, revelando obras escondidas havia décadas.
Descoberta muda a dimensão da arte rupestre
A obra monumental fica no teto de uma caverna conhecida como “19ª caverna sem nome”, sítio arqueológico reconhecido há muito tempo pela concentração de arte rupestre indígena.
Arqueólogos identificaram a figura e vários outros glifos monumentais datados de cerca de 1.000 anos. As imagens permaneceram escondidas à vista de todos por causa do teto extremamente baixo, que impedia a visualização completa.
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As obras de arte permaneceram invisíveis por décadas, mesmo estando no local já conhecido. O teto muito baixo impedia que qualquer pessoa enxergasse os desenhos em escala inteira, o que atrasou seu reconhecimento.
A descoberta foi detalhada em um estudo recente e ganhou destaque por trazer à tona um tipo de figura que não havia sido documentado em cavernas do sudeste dos Estados Unidos.
Cascavel gigante se destaca entre os glifos
A figura mais marcante é uma cascavel gigante de 3 metros, ou 10 pés, reconhecida pelo padrão em forma de diamante, semelhante ao da cascavel-diamante, Crotalus atrox.
As informações publicadas na revista Antiquity apontam que esse animal era considerado sagrado pelos povos indígenas da região. O achado altera o entendimento anterior sobre o que existia nessas cavernas.
Jan Simek, professor da Universidade do Tennessee, afirmou que figuras de grande escala não haviam sido registradas em cavernas do sudeste dos Estados Unidos até então.
Para ele, essas cavernas são especiais porque não havia, até agora, figuras de grande porte nessa região. A descoberta, disse, muda a perspectiva sobre o que pode existir nesses espaços subterrâneos.
Simek também afirmou que a descoberta insere a arte rupestre do sudeste na discussão sobre outras imagens monumentais vistas em diferentes partes da América do Norte.

Tecnologia 3D tornou o invisível visível
Para localizar as imagens, os pesquisadores recorreram à fotogrametria e reuniram centenas de fotografias em um modelo 3D navegável da caverna.
Simek explicou que essa metodologia permite criar um modelo virtual do espaço e manipulá-lo digitalmente, o que tornou possível enxergar o conjunto completo das figuras.
O primeiro autor do estudo indicou que o espaço confinado impossibilitava uma visão clara e inteira da obra no local. A reconstrução digital revelou cinco grandes glifos até então desconhecidos.
A identificação dos cinco glifos monumentais até então desconhecidos mostra como a combinação entre registro arqueológico e reconstrução digital ampliou o alcance da pesquisa e abriu possibilidades para examinar espaços semelhantes.
Stephen Alvarez, fotógrafo de arte antiga e fundador do Ancient Art Archive, afirmou que a equipe obteve uma enorme nuvem de dados com a posição exata dos elementos no espaço 3D.
Com isso, foi possível iluminar virtualmente o teto e identificar figuras que, de outra forma, permaneceriam invisíveis. A tecnologia, assim, revelo imagens que os olhos não conseguiam perceber dentro da caverna.
Caverna guarda pinturas e alcance extenso
A caverna se estende por mais de 5 quilômetros, ou 3 milhas, e foi documentada pela primeira vez em 1998.
Pesquisas anteriores, publicadas na revista Southeastern Archaeology, identificaram uma grande câmara que concentra a maior parte das pinturas rupestres do sítio.
Esse conjunto reforça a relevância do local, já conhecido entre pesquisadores pela densidade de marcas indígenas preservadas em seu interior ao longo do tempo.

Valor cultural e sentido espirutual do espaço
Os pesquisadores destacaram a importância cultural da caverna e observaram que esses espaços não funcionavam apenas como abrigo para as comunidades indígenas do Sudeste.
Nesse sistema de crenças, as cavernas eram associadas ao submundo, enquanto os montes de terra se conectavam ao mundo superior. Esse contexto ajuda a dar sentido às imagens encontradas nas profundezas da terra.
As figuras podem estar ligadas a significados rituais ou espirituais. Nesse cenário, a cascavel gigante e os demais glifos ampliam a compreensão sobre a herança artística presente na região.
A descoberta também reforça a ideia de que a arte rupestre do sudeste integra um panorama mais amplo e complexo de imagens monumentais existentes em outras partes da América do Norte.
Com informações de Daily Galaxy.


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