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Arqueólogos foram estudar uma trilha já conhecida e acabaram achando outra ainda mais antiga, datada entre 3.770 e 3.640 a.C., escondida sob o pântano por quase 6.000 anos

Publicado em 08/04/2026 às 15:07
Atualizado em 08/04/2026 às 15:10
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Descoberta em Honeygar Farm revelou sob a turfa uma trilha cerca de 1.000 anos mais antiga, preservando vestígios ambientais e humanos raros

Em Honeygar Farm, em Somerset, arqueólogos que avaliavam uma trilha pré-histórica já protegida encontraram, sob camadas profundas de turfa, uma estrutura ainda mais antiga, datada entre 3.770 e 3.640 a.C., ampliando o conhecimento sobre a ocupação neolítica em áreas alagadas da Inglaterra.

Descoberta inesperada em Honeygar Farm

A Wessex Archaeology foi contratada pela Somerset Wildlife Trust e pelo Species Survival Fund para verificar o estado de conservação de uma trilha pré-histórica já conhecida em Honeygar Farm, na região de Westhay.

Essa via, com cerca de 4.600 anos, já era catalogada como monumento protegido pela Historic England.

O trabalho previa a análise dessa estrutura, mas a escavação revelou uma segunda trilha, escondida em camadas mais profundas do terreno turfoso.

A nova estrutura era aproximadamente 1.000 anos mais antiga do que a trilha que a equipe esperava estudar.

O local passou, então, a reunir duas camadas distintas de presença humana, separadas por cerca de um milênio.

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Datação confirma antiguidade da trilha neolítica

A datação por radiocarbono situou a estrutura recém-encontrada entre 3.770 e 3.640 a.C. O resultado confirmou a antiguidade excepcional do achado e inseriu a trilha neolítica em um momento muito anterior ao da passagem já catalogada.

As duas estruturas identificadas em Honeygar Farm correspondem a períodos diferentes de ocupação. A trilha já conhecida tem cerca de 4.600 anos e está ligada ao Neolítico final e ao Bronze antigo.

A recém-descoberta, por sua vez, tem cerca de 5.900 anos e pertence ao Neolítico inicial. A sobreposição mostra que o mesmo território foi utilizado em épocas distintas, com soluções semelhantes para cruzar o pântano.

Como a passagem foi construída sobre o pântano

A trilha neolítica foi construída com troncos de bétula e matéria vegetal entrelaçada. A estrutura servia para permitir que comunidades do Neolítico inicial atravessassem zonas alagadas que cobriam grande parte das ilhas britânicas.

Construir sobre terreno encharcado exigia planejamento e conhecimento do ambiente. As passarelas dos Somerset Levels não eram atalhos improvisados, mas estruturas pensadas para suportar o uso em uma paisagem dominada pela água.

A escolha da bétula também tinha função prática. A árvore cresce bem em terrenos úmidos, e sua madeira resiste melhor ao contato prolongado com a água do que espécies mais densas, favorecendo a durabilidade da travessia.

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O que a turfa preservou por milênios

As camadas de turfa de Honeygar Farm preservaram mais do que madeira. O ambiente anóxico e ácido dificultou a decomposição de matéria orgânica por milênios e manteve vestígios essenciais para reconstruir a paisagem da época.

Entre os materiais recuperados estão pólen fossilizado de espécies vegetais de cerca de 6.000 anos, restos de plantas aquáticas e terrestres, insetos preservados, microrganismos e vestígios faunísticos ligados às margens da região.

Esses elementos ajudam a reconstituir a vegetação existente, a umidade, a temperatura média e as condições ambientais do período.

Também permitem compreender a composição química da água e do solo no Neolítico inicial.

Somerset Levels como arquivo da pré-história

Os Somerset Levels são uma das regiões com maior concentração de achados arqueológicos orgânicos da Europa.

O solo turfoso, a umidade elevada e a baixa perturbação humana favoreceram uma preservação rara ao longo dos séculos.

A descoberta em Honeygar Farm reforça esse papel. A região não guarda apenas monumentos de pedra, mas também camadas sobrepostas de história humana, cada uma oferecendo uma janela própria para o passado.

A trilha neolítica achada por acaso mostra que locais já estudados ainda podem esconder evidências decisivas.

Sob o pântano, a hsitória permaneceu intacta por milênios e agora começa a revelar, com mais clareza, como essas comunidades viviam e circulavam.

Enquanto esse solo seguir preservado, novos fragmentos poderão emerigr das camadas profundas de Somerset, ampliando o entendimento sobre um território ocupado, atravessado e transformado muito antes dos registros escritos.

Com informações de Revista Oeste.

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Romário Pereira de Carvalho

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