Descoberta em Honeygar Farm revelou sob a turfa uma trilha cerca de 1.000 anos mais antiga, preservando vestígios ambientais e humanos raros
Em Honeygar Farm, em Somerset, arqueólogos que avaliavam uma trilha pré-histórica já protegida encontraram, sob camadas profundas de turfa, uma estrutura ainda mais antiga, datada entre 3.770 e 3.640 a.C., ampliando o conhecimento sobre a ocupação neolítica em áreas alagadas da Inglaterra.
Descoberta inesperada em Honeygar Farm
A Wessex Archaeology foi contratada pela Somerset Wildlife Trust e pelo Species Survival Fund para verificar o estado de conservação de uma trilha pré-histórica já conhecida em Honeygar Farm, na região de Westhay.
Essa via, com cerca de 4.600 anos, já era catalogada como monumento protegido pela Historic England.
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O trabalho previa a análise dessa estrutura, mas a escavação revelou uma segunda trilha, escondida em camadas mais profundas do terreno turfoso.
A nova estrutura era aproximadamente 1.000 anos mais antiga do que a trilha que a equipe esperava estudar.
O local passou, então, a reunir duas camadas distintas de presença humana, separadas por cerca de um milênio.
Datação confirma antiguidade da trilha neolítica
A datação por radiocarbono situou a estrutura recém-encontrada entre 3.770 e 3.640 a.C. O resultado confirmou a antiguidade excepcional do achado e inseriu a trilha neolítica em um momento muito anterior ao da passagem já catalogada.
As duas estruturas identificadas em Honeygar Farm correspondem a períodos diferentes de ocupação. A trilha já conhecida tem cerca de 4.600 anos e está ligada ao Neolítico final e ao Bronze antigo.
A recém-descoberta, por sua vez, tem cerca de 5.900 anos e pertence ao Neolítico inicial. A sobreposição mostra que o mesmo território foi utilizado em épocas distintas, com soluções semelhantes para cruzar o pântano.
Como a passagem foi construída sobre o pântano
A trilha neolítica foi construída com troncos de bétula e matéria vegetal entrelaçada. A estrutura servia para permitir que comunidades do Neolítico inicial atravessassem zonas alagadas que cobriam grande parte das ilhas britânicas.
Construir sobre terreno encharcado exigia planejamento e conhecimento do ambiente. As passarelas dos Somerset Levels não eram atalhos improvisados, mas estruturas pensadas para suportar o uso em uma paisagem dominada pela água.
A escolha da bétula também tinha função prática. A árvore cresce bem em terrenos úmidos, e sua madeira resiste melhor ao contato prolongado com a água do que espécies mais densas, favorecendo a durabilidade da travessia.
O que a turfa preservou por milênios
As camadas de turfa de Honeygar Farm preservaram mais do que madeira. O ambiente anóxico e ácido dificultou a decomposição de matéria orgânica por milênios e manteve vestígios essenciais para reconstruir a paisagem da época.
Entre os materiais recuperados estão pólen fossilizado de espécies vegetais de cerca de 6.000 anos, restos de plantas aquáticas e terrestres, insetos preservados, microrganismos e vestígios faunísticos ligados às margens da região.
Esses elementos ajudam a reconstituir a vegetação existente, a umidade, a temperatura média e as condições ambientais do período.
Também permitem compreender a composição química da água e do solo no Neolítico inicial.
Somerset Levels como arquivo da pré-história
Os Somerset Levels são uma das regiões com maior concentração de achados arqueológicos orgânicos da Europa.
O solo turfoso, a umidade elevada e a baixa perturbação humana favoreceram uma preservação rara ao longo dos séculos.
A descoberta em Honeygar Farm reforça esse papel. A região não guarda apenas monumentos de pedra, mas também camadas sobrepostas de história humana, cada uma oferecendo uma janela própria para o passado.
A trilha neolítica achada por acaso mostra que locais já estudados ainda podem esconder evidências decisivas.
Sob o pântano, a hsitória permaneceu intacta por milênios e agora começa a revelar, com mais clareza, como essas comunidades viviam e circulavam.
Enquanto esse solo seguir preservado, novos fragmentos poderão emerigr das camadas profundas de Somerset, ampliando o entendimento sobre um território ocupado, atravessado e transformado muito antes dos registros escritos.
Com informações de Revista Oeste.


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