Whittier no Alasca tem 272 habitantes e cerca de 200 vivem no mesmo prédio, que reúne apartamentos, correios, lojas e até uma delegacia.
Isolada entre montanhas e submetida a longos períodos de neve e ventos intensos, Whittier no Alasca desenvolveu uma configuração urbana incomum: cerca de 200 de seus 272 habitantes vivem no Begich Towers, edifício de 14 andares que concentra residências e serviços públicos. A organização permite que grande parte da rotina aconteça em um único endereço e reduz a necessidade de deslocamentos externos durante o inverno rigoroso.
Os números do Censo dos Estados Unidos de 2020 mostram que aproximadamente 73% da população mora no prédio. Embora existam outras construções e moradias na cidade, o Begich Towers tornou-se o principal núcleo residencial e funcional da pequena comunidade.
Dentro do edifício, os moradores encontram apartamentos, correios, pequenas lojas e uma delegacia. A concentração desses espaços ajuda a explicar por que Whittier ganhou fama como a cidade em que quase todos vivem no mesmo prédio.
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Isolamento ajudou a definir a estrutura de Whittier no Alasca
A geografia impõe limitações até mesmo para quem pretende chegar à cidade por terra. O acesso passa por um túnel de quase cinco quilômetros aberto na montanha Maynard.
A passagem funciona com regras próprias, incluindo horários definidos e circulação em apenas um sentido por vez. Essa ligação reforça o isolamento da comunidade, cercada por relevo montanhoso e condições meteorológicas que dificultam os deslocamentos durante parte do ano.
O porto também ocupa posição importante na dinâmica local. Barcos e pequenas embarcações fazem parte da paisagem, enquanto a pesca está entre as atividades desenvolvidas na região.
Além dos moradores permanentes, a cidade possui acomodações temporárias e outras estruturas voltadas ao funcionamento da comunidade.
Prédio permite enfrentar o inverno sem sair ao ar livre
As temperaturas baixas, a neve e os ventos influenciaram diretamente a organização de Whittier.
Para tornar os deslocamentos mais seguros, algumas construções foram ligadas ao Begich Towers por túneis subterrâneos. Entre elas está a escola da comunidade, que pode ser alcançada sem que os estudantes precisem enfrentar diretamente o clima extremo.
Essa ligação interna transforma o edifício em mais do que um condomínio residencial. O prédio funciona como centro da vida cotidiana, reunindo atividades que, em cidades maiores, estariam espalhadas por diferentes bairros.
O modelo reduz distâncias e permite que serviços essenciais permaneçam próximos das residências, uma vantagem importante em uma região onde sair de casa pode representar enfrentar neve intensa durante meses.
Begich Towers foi construído para abrigar militares
A origem do edifício está ligada à estratégia militar dos Estados Unidos no período posterior à Segunda Guerra Mundial.
Whittier era considerada uma área vantajosa porque possuía um porto profundo que permanecia sem gelo durante boa parte do ano. As montanhas ao redor também funcionavam como uma proteção natural e dificultavam a identificação da região por radares.
Com o avanço da Guerra Fria, novas instalações foram construídas no local. Um dos prédios chegou a receber uma prisão, mas acabou abandonado posteriormente.

O edifício que hoje recebe o nome de Begich Towers foi planejado inicialmente para acomodar militares. Sua função mudou depois do terremoto de 1964 no Alasca, que provocou um tsunami e contribuiu para a redução da presença militar na região.
Após esse período, o prédio foi transformado em espaço residencial e passou a receber uma parcela crescente dos habitantes.
Cidade vai além do edifício mais famoso
Apesar da concentração populacional no Begich Towers, Whittier não se resume ao prédio. Outras construções aparecem distribuídas pela região e ajudam a manter a pequena comunidade em funcionamento.
Há moradias temporárias, instalações ligadas às atividades locais e áreas próximas ao porto. O edifício, porém, permanece como o principal símbolo da cidade porque reúne uma quantidade de moradores e serviços pouco comum em modelos urbanos tradicionais.
Essa proximidade cria uma rotina na qual vizinhos compartilham não apenas o endereço, mas também boa parte dos espaços utilizados para resolver tarefas do dia a dia.
Cruzeiros mudam o movimento da cidade durante o verão
O isolamento não impede que Whittier receba visitantes. Entre maio e setembro, navios de cruzeiro chegam à região e aumentam a movimentação local. O verão também transforma a paisagem e amplia o acesso visual a glaciares e outras áreas naturais do entorno.
Nesse período, a cidade cercada por neve e montanhas passa a integrar os trajetos de turistas que visitam a região. A chegada dos cruzeiros contrasta com a rotina do inverno, quando o clima limita os deslocamentos e torna ainda mais importante a estrutura concentrada do Begich Towers.
A forma de vida em Whittier despertou interesse fora dos Estados Unidos por meio de vídeos publicados nas redes sociais. Moradores e criadores de conteúdo passaram a mostrar os corredores do edifício, os serviços disponíveis, as ruas da cidade e o cenário montanhoso ao redor.
As imagens ajudam a explicar como funciona uma comunidade em que aproximadamente três de cada quatro habitantes compartilham o mesmo prédio.
Mais do que uma curiosidade arquitetônica, Whittier mostra como o ambiente pode modificar a organização de uma cidade. O isolamento, o inverno rigoroso e a origem militar levaram a população a concentrar moradia, serviços e parte da rotina em um edifício que se tornou o centro de toda a comunidade.
Com informações do Diário do Litoral

