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Arqueólogos abrem tumba de 2.300 anos perto da Grande Muralha de Qin e encontram garrafa de bronze com cerveja ancestral preservada

Publicado em 24/05/2026 às 18:56
Atualizado em 24/05/2026 às 18:58
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Imagem: Ilustração artística
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Garrafa de bronze encontrada na tumba M39, perto da Grande Muralha de Qin, guardava resíduos de bebida alcoólica antiga e revelou traços de grãos maltados, leveduras e técnicas de fermentação funerária

Uma cerveja de 2.300 anos foi identificada dentro de uma garrafa de bronze encontrada na tumba M39, no cemitério de Shanjiabo, a cerca de 1,5 quilômetro da Grande Muralha de Qin. O achado, estudado no Journal of Archaeological Science: Reports, mostra como bebidas alcoólicas faziam parte de rituais funerários e da tecnologia de fermentação do antigo estado Qin.

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Garrafa preservada guardava 15 copos de cerveja de 2.300 anos

O recipiente encontrado na tumba M39 chamou atenção dos pesquisadores por estar bem selado e preservado. A garrafa de bronze continha o equivalente a 15 copos de bebida alcoólica, mantida dentro de um contexto funerário antigo.

A descoberta foi associada ao período do estado Qin, entre 547 e 221 a.C. Para os pesquisadores, o material oferece uma rara oportunidade de observar práticas de fabricação de cerveja diretamente ligadas aos costumes daquele povo.

A presença da bebida dentro da tumba também reforça a importância das oferendas funerárias em culturas antigas. Túmulos de pessoas da elite ou de guerreiros costumavam receber objetos considerados úteis para a próxima vida, como armas, joias, roupas, comida e bebida.

Arqueólogos abrem tumba de 2.300 anos perto da Grande Muralha de Qin e encontram garrafa de bronze com cerveja ancestral preservada
Cemitério de Shanjiabao e bebida alcoólica antiga em estudo. (a) Distribuição dos túmulos no cemitério de Shanjiabao; (b) M39; (c) Localização da garrafa de bronze com boca em forma de alho; (d) Selo da garrafa de bronze com boca em forma de alho; (e) Bebida alcoólica antiga na garrafa de bronze com boca em forma de alho – © Ruru Chen et al. 2026

Análise molecular confirmou traços de fermentação

A identificação da cerveja de 2.300 anos foi possível por meio de técnicas modernas de arqueologia molecular. Os especialistas analisaram sedimentos microscópicos incrustados nos poros da argila e encontraram sinais de grãos maltados e leveduras.

Esses elementos confirmaram que o recipiente guardava uma bebida fermentada antiga. Segundo os autores do estudo, a pesquisa fornece evidências arqueológicas das práticas de fabricação de cerveja do povo Qin.

Os pesquisadores também destacaram que o achado reflete a tecnologia de fermentação, o uso diversificado de cereais e o bom método de vedação empregado no período. A preservação do conteúdo foi essencial para que os resíduos pudessem ser estudados.

Líquido tinha mais de 2.400 compostos químicos

A análise do líquido, descrito como inodoro e de coloração azul-esverdeada pálida, revelou mais de 2.400 compostos químicos únicos. A quantidade chamou atenção por ser muito superior à observada na amostra de solo usada como controle.

Esse resultado ajudou os pesquisadores a descartar a hipótese de que o material fosse apenas água subterrânea infiltrada no recipiente. Para os autores, o líquido preservado no vaso M39:5 era um resíduo orgânico antigo e provavelmente uma bebida alcoólica.

A ficha técnica da descoberta reúne os principais elementos do estudo: o artefato tem aproximadamente 2.300 anos, foi encontrado em contexto funerário e passou por análise de resíduos orgânicos, com identificação de cereais fermentados e compostos fitolíticos.

Bebida antiga era diferente da cerveja atual

A cerveja antiga não se parecia com a bebida gelada, límpida e com espuma consumida hoje. O material indica uma bebida mais espessa, turva e nutritiva, próxima de um mingau fermentado.

A fermentação podia ocorrer de forma espontânea, e o sabor dependia de ingredientes locais usados para conservar a bebida ou reduzir a acidez. Por isso, o achado ajuda a entender não apenas a alimentação, mas também a tecnologia e os rituais espirituais de sociedades antigas.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do Journal of Archaeological Science: Reports e do material-base fornecido, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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