Registro de setembro de 2022, perto da Pousada Trijunção e do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, mostra lobo-guará capturando Rhea americana, a maior ave das Américas. Monitorado com colar de telemetria desde 2018, o macho atacou, arrastou a presa, descansou 40 minutos, e a fêmea vocalizou antes de comer também.
O lobo-guará foi flagrado em um comportamento que nunca tinha sido observado diretamente em campo: derrubar e arrastar uma ema adulta no coração do Cerrado brasileiro. A cena apareceu em uma armadilha fotográfica instalada por pesquisadores e virou um registro raro sobre como essa espécie pode variar a dieta quando o ambiente aperta.
O episódio aconteceu em setembro de 2022, na região da Pousada Trijunção e do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, na divisa entre Minas Gerais e Bahia. O caso ganhou ainda mais peso por ter sido detalhado em uma nota científica publicada na revista internacional Canid Biology & Conservation, com a sequência reconstruída por imagens complementares.
O que torna o flagrante tão incomum

O lobo-guará é conhecido por ter uma dieta predominantemente onívora, com forte consumo de frutos e a captura de presas menores.
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Por isso, o registro chama atenção: mesmo com indícios anteriores de consumo ocasional de animais maiores, nunca havia sido documentada a captura direta de uma presa do porte da ema.
A ema, identificada como Rhea americana, é a maior ave das Américas e seu tamanho ajuda a dimensionar o choque dos pesquisadores.
Um macho adulto pode chegar a 1,70 metro de altura e pesar até 40 quilos, uma escala muito acima do que costuma aparecer em ataques observados do lobo-guará em campo.
Onde aconteceu e por que o local importa
A região do registro fica entre áreas preservadas e monitoradas no Cerrado, incluindo a Pousada Trijunção e o Parque Nacional Grande Sertão Veredas.
O cenário descrito pelos pesquisadores é de uma área remota, onde armadilhas fotográficas e acompanhamento contínuo conseguem capturar eventos que, na maior parte do tempo, passam invisíveis até para equipes experientes.
O fato de haver alta densidade de emas (Rhea americana) em áreas protegidas é apontado como uma das peças do quebra-cabeça.
Em locais com proteção e menor pressão humana direta, certas espécies podem se concentrar mais, o que altera encontros, oportunidades e riscos para predadores como o lobo-guará.
Como a armadilha fotográfica capturou o ataque
LINK DO VIDEO: https://ndmais.com.br/animais/armadilha-fotografica-flagra-interacao-inedita-entre-lobo-guara-e-ema-no-cerrado-brasileiro/
O lobo-guará registrado era acompanhado pela organização Onçafari, que monitora indivíduos na região desde 2018 com colares de telemetria. Isso significa que os pesquisadores já seguiam de perto a rotina do animal e, ainda assim, o ataque foi descrito como rápido e inesperado.
A sequência começou sem sinais claros de que algo tão grande aconteceria naquele momento.
Segundo os autores, nem o lobo nem a ema foram vistos antes do salto, e então veio o movimento decisivo: o macho saltou, derrubou a ave e começou a arrastá-la pelo pescoço.
Depois disso, o lobo-guará levou a carcaça para outro ponto, onde se alimentou e descansou por cerca de 40 minutos, comportamento compatível com uma refeição de alto ganho energético e alto esforço.
As armadilhas fotográficas registraram etapas que ajudam a reconstituir o evento, inclusive visitas posteriores à carcaça, o que reforça que não foi um contato fugaz, e sim uma sequência completa de captura, deslocamento e consumo.
A fêmea, os filhotes e o clima de reprodução
Durante o episódio, a fêmea permaneceu nas proximidades e chamou atenção por vocalizar com latidos frequentes, mas sem participar diretamente da captura.
Depois, ela também se alimentou da presa, indicando que o evento envolveu o casal e teve desdobramentos no grupo.
Os pesquisadores destacaram que o casal estava em período reprodutivo e cuidava de quatro filhotes, um detalhe importante para entender o contexto.
Em fases assim, o lobo-guará pode ter aumento de demanda energética, e isso pode influenciar decisões de risco, esforço e oportunidade, especialmente quando a recompensa é uma presa de grande porte.
Por que a seca pode ter empurrado a dieta para o extremo

A explicação sugerida pelos pesquisadores combina fatores que podem agir juntos, sem depender de um único motivo. O primeiro é o período de seca no Cerrado, associado à menor oferta de frutos, justamente um item central na dieta do lobo-guará.
O segundo é a alta densidade de emas (Rhea americana) em áreas protegidas. O terceiro é a demanda energética maior durante a reprodução e o cuidado com filhotes.
Somados, esses elementos podem criar uma janela rara em que o lobo-guará explora uma presa atípica, algo que dificilmente seria registrado sem monitoramento contínuo, telemetria e armadilhas fotográficas posicionadas no lugar certo, por tempo suficiente.
O que essa cena revela sobre o Cerrado e a conservação da espécie
O registro não é apenas uma curiosidade: ele amplia o entendimento sobre a flexibilidade de comportamento do lobo-guará em um bioma que muda rápido.
A espécie é classificada como “quase ameaçada” pela União Internacional para a IUCN e como “vulnerável” no Brasil, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
Nesse cenário, a principal ameaça citada é a perda de habitat, impulsionada principalmente pela expansão agropecuária e por investimentos crescentes a cada ano.
O Cerrado, onde o lobo-guará depende de áreas amplas e diversidade de recursos, vira um termômetro de como pressões ambientais podem influenciar até comportamentos alimentares inesperados.
Você acha que o lobo-guará vai repetir esse tipo de ataque com mais frequência conforme a seca e a pressão no Cerrado aumentarem?

Claro que vai ,e só a fome apertar de novo , coitada da eminha