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Argentina se apaixona por jato da Embraer, mas tem um problema: aeronave de US$ 4 milhões chegou com ferrugem, vazamentos, peças canibalizadas e 33 mil horas de voo, além de custar quase o dobro do valor de mercado, segundo o Clarín

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 02/06/2026 às 19:11 Atualizado em 02/06/2026 às 19:15
Força Aérea Argentina comprou jato Embraer usado por US$ 4 milhões, segundo o Clarín, com falhas técnicas e suspeita de sobrepreço. (Imagem ilustrativa)
Força Aérea Argentina comprou jato Embraer usado por US$ 4 milhões, segundo o Clarín, com falhas técnicas e suspeita de sobrepreço. (Imagem ilustrativa)
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Compra de jato Embraer usado pela Força Aérea Argentina entrou no centro de uma apuração jornalística que aponta divergência de preço, falhas técnicas, disputa restrita entre fornecedores e questionamentos sobre etapas administrativas da licitação internacional aberta em 2025.

A Força Aérea Argentina comprou em 2025 um jato Embraer ERJ-140LR usado por US$ 4,085 milhões, em uma operação que passou a ser questionada pelo jornal argentino Clarín por suposto sobrepreço, possível direcionamento e problemas técnicos na aeronave.

De acordo com a reportagem, o avião adquirido da empresa norte-americana Regional One tinha 33.516 horas de voo, sinais de corrosão, vazamentos de óleo e combustível, peças retiradas de outros equipamentos e ausência de itens considerados necessários para a operação.

A diferença de preço é um dos pontos citados pela publicação, que compara o valor contratado com uma referência de mercado de cerca de US$ 2,3 milhões para aeronave semelhante, o que indicaria pagamento adicional de US$ 1,785 milhão.

Compra rápida e suspeita de direcionamento

Identificado como Licitação Pública no Exterior 40/03-002-LPU25, o processo teve início em 6 de maio de 2025 e, conforme o Clarín, foi aberto para incorporar uma aeronave de transporte médio à frota da Força Aérea Argentina.

Poucas semanas depois, em 30 de maio de 2025, portais especializados em defesa e aviação registraram a abertura pública da concorrência para a aquisição de um Embraer ERJ-140 ou ERJ-145, com entrega de propostas prevista até 13 de junho.

O prazo do procedimento aparece na reportagem como um dos elementos analisados por fontes consultadas pelo jornal, especialmente porque a aeronave já estaria pintada com as cores da Força Aérea Argentina antes da assinatura formal do contrato.

Ainda segundo o Clarín, o avião aparecia preparado com a identidade visual da instituição desde 2023, informação usada pela apuração para sustentar questionamentos sobre a efetiva competitividade do processo licitatório.

Licitação teve apenas duas empresas

A concorrência recebeu propostas de duas empresas: Regional One Inc. e Alpha Aviation Group LLC, segundo as informações atribuídas ao processo de compra e reproduzidas por publicações especializadas que acompanharam a licitação.

Força Aérea Argentina comprou jato Embraer usado por US$ 4 milhões, segundo o Clarín, com falhas técnicas e suspeita de sobrepreço.
Força Aérea Argentina comprou jato Embraer usado por US$ 4 milhões, segundo o Clarín, com falhas técnicas e suspeita de sobrepreço.

A Alpha foi desclassificada por oferecer um Embraer ERJ-145MP, versão considerada militarizada e fora das especificações exigidas no edital, o que deixou a Regional One como única participante habilitada na etapa final.

Com a eliminação da concorrente, a Regional One venceu a disputa com a oferta de um Embraer ERJ-140LR, modelo da família de jatos regionais da Embraer já incorporada pela Argentina em aquisições anteriores.

A aeronave seria destinada a reforçar a capacidade de transporte da Primeira Brigada Aérea, sediada em El Palomar, unidade associada a missões logísticas, deslocamentos institucionais e atividades de apoio realizadas pela Força Aérea Argentina.

Antes dessa compra, a Força Aérea Argentina havia adquirido dois ERJ-140LR usados da mesma Regional One, em operação fechada por cerca de US$ 6,856 milhões e concluída com a incorporação das aeronaves em 2024.

Esses dois aviões receberam as matrículas militares T-95 e T-96, dentro de um programa de renovação que também buscava reduzir a dependência de aeronaves mais antigas, como os Fokker F-28 ainda associados à aviação de transporte argentina.

Falhas técnicas apareceram nos Estados Unidos

A condição técnica do avião adquirido em 2025 ocupa parte central da reportagem do Clarín, que cita uma inspeção realizada em Springfield, no estado norte-americano do Missouri, antes da incorporação definitiva da aeronave.

Entre os problemas relatados estavam ferrugem, corrosão em componentes, vazamentos de óleo e combustível, desgaste acentuado nos comandos de voo, ausência de acessórios na cabine e falta de uma escada de acesso para uso operacional.

A apuração também menciona peças canibalizadas, expressão usada no setor aeronáutico quando componentes são retirados de uma aeronave para aproveitamento em outra, prática que depende de registro técnico e controle de manutenção para ser considerada regular.

No caso citado pelo Clarín, a presença de partes removidas aparece associada aos demais apontamentos de manutenção, em um conjunto de observações que levou a reportagem a questionar o estado geral do equipamento contratado.

Outra divergência mencionada envolve a configuração interna do jato, já que, segundo publicações que reproduziram a apuração, o avião da Regional One teria quatro assentos a menos que a aeronave apresentada pela empresa desclassificada.

Nomes citados na compra do Embraer

O pedido inicial da compra teria partido do comodoro Pedro Rolando Largel, chefe do Departamento de Manutenção de Material Aéreo da Força Aérea Argentina, conforme a documentação e as fontes citadas pela reportagem do Clarín.

A publicação afirma, porém, que fontes internas questionaram a atribuição do oficial para definir a necessidade operacional de ampliar a capacidade de transporte da Primeira Brigada Aérea e avaliar o panorama da conectividade aérea nacional.

Na linha descrita pelo jornal, a decisão estaria vinculada ao brigadeiro Francisco Edgardo Leguiza, comandante de Material da Força Aérea Argentina e diretor da Fábrica Argentina de Aviones, a FAdeA, responsável por validar requisitos técnicos do edital.

As especificações foram atribuídas ao consultor técnico Daniel Sergio Burlas, incorporado à estrutura por Leguiza sob instruções do então chefe do Estado-Maior, brigadeiro Xavier Julián Isaac, de acordo com a apuração publicada pelo jornal argentino.

O Clarín também afirma que Burlas teria participado de tratativas prévias com intermediários e com a Regional One para a aquisição de aeronaves Embraer, histórico relacionado pela reportagem às compras de duas unidades em 2023 e à terceira em 2025.

ERJ-140LR e renovação da frota argentina

O interesse argentino pelos jatos regionais da Embraer já havia aparecido em compras anteriores, dentro de uma estratégia de recomposição da aviação de transporte da Força Aérea, especialmente para rotas logísticas e missões de apoio.

O ERJ-140LR é um jato regional desenvolvido pela fabricante brasileira e usado por companhias aéreas em operações de curta e média distância, com configuração voltada ao transporte de passageiros em mercados regionais.

A versão foi utilizada por empresas nos Estados Unidos, inclusive em rotas associadas à malha regional da American Eagle, antes de parte dessas aeronaves ser retirada do serviço comercial e oferecida no mercado de usados.

A compra dos dois primeiros ERJ-140LR pela Argentina, formalizada em 2023 e concluída em 2024, foi apresentada pela instituição como parte do esforço de atualização de sua frota de transporte.

Esses aviões também eram usados, foram fabricados em 2003 e passaram pela Regional One antes de chegar à Força Aérea Argentina, conforme registros divulgados por veículos especializados em aviação e defesa.

Na aeronave contratada em 2025, a denúncia do Clarín deslocou o centro do debate para o preço pago, as condições técnicas encontradas em inspeção e os critérios usados para definir a proposta vencedora.

Força Aérea Argentina fica sob pressão

A publicação da reportagem levou a compra para o debate público argentino e colocou sob análise procedimentos internos da Força Aérea Argentina, além da atuação de autoridades ligadas à política de defesa e à administração de material aeronáutico.

Segundo o Clarín, a necessidade técnica, a validação jurídica, a disponibilidade orçamentária e a escolha final teriam passado por áreas distintas da instituição, em um fluxo administrativo que permitiu a contratação da aeronave.

A apuração atribui a diferentes setores internos a montagem do processo que levou à compra, mas a confirmação de responsabilidades individuais e de eventual dano financeiro depende de apuração oficial pelas instâncias competentes.

Até o momento, as informações públicas sobre as falhas técnicas e os questionamentos administrativos se apoiam principalmente na reportagem do Clarín e em reproduções feitas por veículos de imprensa, defesa e aviação.

No cenário descrito pela apuração, a aquisição de aeronaves usadas aparece condicionada à verificação de preço, manutenção, documentação e condições reais de operação, pontos que se tornaram centrais no caso do Embraer ERJ-140LR contratado em 2025.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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