A tecnologia de aquecimento por bomba de calor ganha espaço no Brasil e levanta interesse dos consumidores que buscam menor custo energético e novas alternativas ao chuveiro elétrico.
A chegada dos aquecedores de água por bomba de calor ao mercado brasileiro começa a reposicionar o tradicional chuveiro elétrico.
Com promessa de reduzir em até 70% o consumo de energia em relação aos sistemas por resistência, essa tecnologia já consolidada em países como os Estados Unidos passa a ser vista como alternativa viável em residências, edifícios antigos e projetos de retrofit no Brasil, mesmo com um investimento inicial mais alto e ainda sem incentivos federais específicos no país.
Enquanto o chuveiro elétrico segue dominante, o aquecedor por bomba de calor ganha força ao combinar economia de longo prazo, instalação relativamente simples em muitas situações e potencial para aliviar o sistema elétrico nos horários de pico, sobretudo em períodos de bandeira tarifária mais cara.
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Funcionamento da bomba de calor para água quente
O equipamento conhecido internacionalmente como Heat Pump Water Heater (HPWH) funciona de maneira semelhante a uma “geladeira ao contrário”.
Em lugar de consumir energia elétrica para gerar calor diretamente por resistência, ele utiliza um compressor e um circuito de refrigeração para retirar calor do ar e transferi-lo para a água armazenada em um reservatório.
Esse desempenho é medido pelo Coeficiente de Desempenho (COP), que indica quanta energia térmica é entregue para cada unidade de energia elétrica consumida.
Modelos eficientes atingem COP acima de 3,5, ou seja, para cada 1 kWh consumido, mais de 3 kWh em forma de calor são transferidos para a água.
Esse resultado coloca os aquecedores por bomba de calor em um patamar de eficiência superior aos boilers elétricos convencionais.
Em muitos modelos atuais, o gás refrigerante utilizado é o R-290 (propano), de baixo potencial de aquecimento global, em linha com normas internacionais que restringem o uso de hidrofluorocarbonetos.
Economia de energia e retorno financeiro

Nos Estados Unidos, cálculos do programa ENERGY STAR indicam que um aquecedor por bomba de calor certificado pode proporcionar a uma família de quatro pessoas economia anual em torno de US$ 550.
O valor é calculado em comparação a um boiler elétrico padrão.
Em termos de consumo, esse tipo de sistema tende a utilizar aproximadamente um terço da energia exigida por um aquecedor de resistência para atender ao mesmo volume de água quente.
Em 2024, o Departamento de Energia dos EUA (DOE) aprovou novos padrões mínimos de eficiência para aquecedores residenciais.
A partir de 2029, boilers elétricos fabricados no país terão de atingir níveis de desempenho que, na prática, exigem a tecnologia de bomba de calor.
A estimativa oficial é que a mudança gere economia bilionária em contas de luz e reduza o consumo de energia associado ao aquecimento de água.
Um estudo publicado em abril de 2025 pelo Washington Post e pesquisadores da Universidade Harvard simulou a troca de um sistema a gás por um HPWH em uma residência típica no estado de Maryland.
O levantamento apontou economia aproximada de US$ 240 por ano, com recuperação do investimento inicial em até quatro anos.
Mercado brasileiro, preços e opções disponíveis
No Brasil, os aquecedores de água por bomba de calor voltados ao uso doméstico ainda são, em sua maioria, importados em 220 V monofásico, compatíveis com grande parte das instalações residenciais.
Fabricantes globais como a Midea oferecem modelos de 200 a 300 litros, com COP acima de 3,5.
Entre os fabricantes nacionais, empresas como a Nautilus utilizam a mesma base tecnológica de transferência de calor para desenvolver linhas compactas destinadas ao uso residencial.
A faixa de preço dos modelos com reservatório integrado varia entre R$ 8 mil e R$ 12 mil, sem considerar a instalação.
Boilers elétricos de capacidade semelhante custam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil.

Em regiões onde a tarifa de energia ultrapassa R$ 1 por kWh, o gasto mensal tende a ser reduzido de maneira significativa.
Para um perfil de uso diário de cerca de 280 litros de água quente, documentos técnicos indicam que um HPWH pode operar com consumo anual em torno de 1.000 kWh, frente a mais de 3.000 kWh de um aquecedor por resistência.
Instalação em residências e requisitos técnicos
A instalação requer um ambiente com volume mínimo de 10 m³, ventilação adequada e um ponto de dreno para escoamento de água condensada.
Engenheiros ligados a programas de eficiência dos EUA explicam que o ar devolvido ao ambiente após a passagem pelo evaporador sai de 5 °C a 7 °C mais frio.
Em lavanderias e áreas de serviço, esse resfriamento pode ser aproveitado para amenizar a temperatura do ambiente.
Em locais fechados, o desempenho diminui, já que o equipamento recircula ar mais frio e perde eficiência.
Os reservatórios normalmente possuem revestimento anticorrosivo, em vidro vitrificado ou aço inox, além de um ânodo de magnésio, que deve ser inspecionado a cada três anos.
Incentivos, regulação e impacto ambiental
Nos Estados Unidos, consumidores podem solicitar créditos fiscais federais de até US$ 2 mil para equipamentos elegíveis, cobrindo até 30% do custo total.
Programas estaduais e municipais oferecem bônus adicionais que podem ultrapassar US$ 1,2 mil.
Estudos associados às novas regras de eficiência indicam que a substituição de boilers elétricos por versões com bomba de calor pode reduzir emissões em níveis equivalentes aos de cerca de 10 milhões de veículos.
No Brasil, ainda não há subsídios federais voltados ao HPWH.
Entretanto, concessionárias como Neoenergia, em Recife, e Copel, no Paraná, vêm testando a tecnologia em residências desde 2025.
Os resultados devem subsidiar uma possível inclusão da tecnologia em programas de eficiência energética da Aneel.
Uso em retrofit e edificações antigas
Em prédios antigos e imóveis sem gás encanado, o aquecedor por bomba de calor se destaca por utilizar a estrutura elétrica e hidráulica já existente.
Dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) apontam que levar gás canalizado a um apartamento pode superar R$ 4 mil, além de custos mensais fixos.
A economia estrutural torna o HPWH uma opção considerada vantajosa em projetos de retrofit.
Regulação brasileira e aumento da procura
O Inmetro desenvolve metodologia própria para classificar o desempenho dos aquecedores por bomba de calor em condições climáticas brasileiras, com temperatura média de 25 °C e umidade em torno de 60%.
O novo selo de eficiência deve entrar em consulta pública até o final de 2025.
Grandes varejistas registram aumento nas buscas por “bomba de calor para banho” desde o primeiro semestre de 2025.
As altas temperaturas e o encarecimento das contas de luz contribuem para ampliar o interesse do público.
A discussão que se estabelece agora no mercado é se o consumidor brasileiro considera viável substituir o chuveiro elétrico por um sistema de aquecimento capaz de reduzir o consumo de energia ao longo do ano.


Aqui na nossa região não funciona,bem com em muitas nos EUA… isso não falam…como este sistema só funciona em regiões mais quentes não vejo vantagem ai toma banho de agua fria mesmo…Abaixo de zero mesmo sistema se desliga totalmente. Falam como fosse a salvação do mundo.
Enquanto isso, a COP fica discutindo ó sexo dos anjos e jogando o dinheiro do contribuí no ralo ou no bolso do …
Muito prático e econômico, gostaria de saber onde posso fazer um curso para manutenção e instalação deste equipamento no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro.