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Após ver fábrica chinesa 100% automatizada em Xangai, presidente da Honda dispara “não temos a menor chance”; China acelera carros elétricos, corta custos e expõe crise da marca no mundo

Escrito por Carla Teles
Publicado em 08/04/2026 às 10:13
Atualizado em 08/04/2026 às 10:15
Após ver fábrica chinesa 100% automatizada em Xangai, presidente da Honda dispara “não temos a menor chance”; China acelera carros elétricos, corta custos e expõe crise da marca no mundo
A fábrica chinesa expõe a crise da Honda na China, pressiona carros elétricos e amplia o alerta na indústria automotiva.
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A fábrica totalmente automatizada vista em Xangai escancarou a pressão da China sobre a Honda, com produção contínua, custos menores e um ritmo que desafia as montadoras tradicionais.

A visita a uma fábrica chinesa em Xangai levou o presidente da Honda, Toshihiro Mibe, a verbalizar de forma direta uma preocupação que já ronda a indústria automotiva há anos. Ao se deparar com uma operação totalmente automatizada, sem operadores na linha de produção e capaz de abastecer Tesla e marcas locais, o executivo resumiu o choque em uma frase dura: “não temos a menor chance contra isso”.

A declaração expõe mais do que o impacto de uma visita técnica. Ela mostra como a Honda passou a encarar de frente um cenário em que a China não atua mais apenas como mercado consumidor, mas como centro de velocidade, escala, automação e redução de custos no setor automotivo.

A fábrica que virou sinal de alerta para a Honda

No fim de fevereiro, Mibe visitou as instalações de uma grande fabricante chinesa de componentes em Xangai. O que encontrou foi uma fábrica operando de forma contínua, com alto nível de automação e forte capacidade de reduzir gastos com mão de obra.

O impacto foi imediato porque essa estrutura representa exatamente o tipo de vantagem que montadoras tradicionais têm dificuldade para replicar no curto prazo. Não se trata só de produzir mais, mas de produzir com mais rapidez, menor custo e maior integração tecnológica.

Por que a fala do presidente da Honda pesa tanto

A frase dita por Mibe chama atenção porque partiu do comando de uma das marcas mais tradicionais da indústria automotiva. Não foi uma crítica externa nem uma análise de mercado distante. Foi a reação de quem viu de perto uma operação que ajuda a explicar a disparada chinesa no setor.

A preocupação não é isolada. A base do problema está no fato de que as montadoras chinesas conseguiram reduzir o tempo de desenvolvimento de novos modelos para entre 18 e 24 meses, cerca de metade do prazo necessário para fabricantes japoneses ou europeus. Velocidade, software e automação passaram a formar um pacote difícil de enfrentar.

Os números mostram o tamanho da crise

A situação da Honda na China ajuda a entender por que a visita à fábrica teve tanto peso. Em 2020, a montadora vendeu 1,62 milhão de veículos no país. Em 2025, esse número caiu para 640 mil unidades, com recuo de 24% apenas no último ano e o quinto ano seguido de queda.

Ao mesmo tempo, as fábricas da empresa na China operam com 50% a 60% da capacidade, abaixo do nível de 70% a 80% considerado necessário para gerar lucro. A projeção para 2026 ainda aponta produção inferior a 600 mil unidades. O problema deixou de ser pontual e passou a ser estrutural.

A Honda tenta reagir, mas ainda enfrenta dúvidas

Para tentar recuperar velocidade, a Honda decidiu ressuscitar sua divisão de pesquisa e desenvolvimento como entidade autônoma, retomando um modelo que existiu desde 1960 e foi desmontado em 2020, quando a empresa centralizou a gestão.

Essa estrutura independente já teve papel decisivo em momentos importantes da marca, como o desenvolvimento do motor CVCC de baixa emissão em 1972 e o avanço do Civic original no mercado global.

Agora, a empresa aposta novamente nessa fórmula para dar mais liberdade operacional a milhares de engenheiros. Ainda assim, nem dentro da própria Honda existe a garantia de que a mudança será suficiente.

O avanço chinês já assusta outras gigantes

A Honda não aparece sozinha nesse cenário. O avanço industrial e tecnológico da China também acendeu alertas em outras montadoras globais. O temor comum é o mesmo: a capacidade chinesa de produzir em escala, ganhar competitividade e pressionar mercados tradicionais.

Essa preocupação cresce porque o novo jogo da indústria não depende apenas de motor, design ou tradição. Ele exige resposta rápida, domínio de software e capacidade de cortar custos sem perder ritmo. A China passou a ditar o compasso de uma transformação que o setor ainda tenta acompanhar.

Índia vira aposta para o próximo passo

Enquanto algumas montadoras buscam alianças com empresas chinesas para absorver parte dessa velocidade, a Honda decidiu seguir outra rota. A empresa escolheu a Índia como base de produção para sua próxima geração de carros elétricos.

O Alpha, apontado como veículo elétrico global estratégico da marca e previsto para 2027, será produzido lá. A decisão mostra que a Honda tenta reorganizar sua operação fora da China, mas também revela que a empresa ainda procura um caminho capaz de responder ao novo equilíbrio da indústria.

China amplia vantagem e expõe desequilíbrio global

O cenário fica ainda mais sensível quando se observa a presença crescente das marcas chinesas fora de casa. Nos dois primeiros meses de 2026, a BYD chegou a 1,8% de participação de mercado na Europa, enquanto a Honda ficou em 0,5% no mesmo período.

Esses dados reforçam o tamanho do desequilíbrio. A China deixou de ser apenas uma peça relevante da cadeia automotiva e se consolidou como concorrente central no mercado global de elétricos. A fala do presidente da Honda, nesse contexto, funciona quase como um retrato cru da nova realidade.

E para você, essa fábrica chinesa mostra uma vantagem que a Honda ainda pode recuperar ou a distância para as montadoras tradicionais já ficou grande demais?

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Nara Toledo
Nara Toledo
12/04/2026 09:49

O capitalismo é um sistema produtivo que cria contradições: toda a vez em que há um excedente, a acumulação de capital migra para um novo ciclo, uma nova necessidade é transforma a tecnologia – é o progresso… porém, essa transformação rumo ao novo tbm produz a obsolescência das cadeias produtivas de tecnologia anterior gerando uma crise social ! A velocidade da transformação industrial é muito maior do que o tempo necessário para a adaptação social, o processo sempre é atribulado e doloroso!
Nesse caso específico, a transformação é disruptiva – o mundo 5G muda a escala de dados, tempo, organização da produção e do consumo, vai gerar um forte deslocamento do excedente de capital (capitalismo financeiro) e produzir o maior exército de reserva de mão de obra da história da humanidade – e, pela primeira vez na história contemporânea, o deslocamento do capital não será apenas setorial na indústria, será geograficamente distinto da metrópole, migrando para a semifinal periferia do sistema, remodelando os fluxos de riqueza, mas sobre tudo de concentração de capital (acumulação), mais ainda, a mudança transformará a GOVERNANÇA desse capital que, deixará o controle burguês migrando para uma direção de estado!
O que acontece na China é a primeira grande revolução de COMANDO desde a revolução industrial…
Não creio que a nossa geração chegue a assistir grande parte dessa mudança consolidada, penso que somos a “geração do meio”, a que fica perdida no processo, a que sente o mundo hostil e busca nele sobreviver enquanto tudo se transforma, a que terá de surfar nas incertezas do processo!
Também acredito que essa reorganização será benéfica, no final, tem a capacidade de levar a humanidade a novos limites, novos paradigmas, incluindo uma inédita articulação Sul-Sul do fluxo de capitais…

Elias Moreira
Elias Moreira
09/04/2026 03:03

Espero que a China continue diminuindo custos e domine a produção de carros elétricos para o mundo

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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