A volta dos caracóis arborícolas de O‘ahu à floresta marca o resultado de décadas de ciência, cooperação institucional e resistência contra espécies invasoras que quase apagaram um símbolo ecológico e cultural do Havaí
Após mais de 30 anos considerados extintos na natureza, caracóis arborícolas raríssimos do Havaí voltaram a habitar seu ambiente original em uma operação científica que simboliza um dos esforços de conservação mais longos e complexos já realizados no arquipélago. A reintrodução ocorreu no dia 10 de dezembro de 2024, nas montanhas Ko‘olau, dentro da Honolulu Watershed Forest Reserve, na ilha de O‘ahu.
A informação foi divulgada pelo Hawaii Department of Land and Natural Resources (DLNR), com apoio do U.S. Fish and Wildlife Service, universidades e forças armadas dos Estados Unidos, consolidando quase meio século de estudos, criação em cativeiro e controle rigoroso de predadores invasores.
O‘ahu tree snails: joias vivas da floresta havaiana
Conhecidos localmente como kāhuli, os caracóis arborícolas havaianos são frequentemente descritos como verdadeiras joias da floresta. Suas conchas multicoloridas aparecem em poemas tradicionais, cantos, danças hula e até em lendas do folclore havaiano, que atribuem aos animais a capacidade simbólica de “cantar”.
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Além do valor cultural, esses caracóis desempenham um papel ecológico essencial. Eles se alimentam de fungos e algas que crescem sobre folhas e troncos, contribuindo diretamente para o equilíbrio microbiológico das florestas e para o ciclo de nutrientes do solo. No entanto, esse patrimônio natural sofreu um colapso acelerado ao longo do último século.
Estima-se que já tenham existido mais de 750 espécies de caracóis nativos no Havaí. Apenas nos últimos 100 anos, cerca de 60% dessas espécies foram extintas. Atualmente, 44 espécies estão oficialmente listadas como ameaçadas pela Lei de Espécies Ameaçadas dos Estados Unidos, enquanto muitas outras seguem sem qualquer proteção legal.
Predadores invasores e o colapso silencioso das populações
Grande parte da crise de extinção está ligada à introdução de espécies invasoras. O rato-do-Pacífico chegou às ilhas há cerca de 1.000 anos, trazido por navegadores polinésios. Séculos depois, ratos de telhado e ratos de porto desembarcaram junto com navios europeus, ampliando drasticamente o impacto sobre a fauna nativa.
A situação se agravou ainda mais no século XX. Na década de 1930, o caracol-gigante-africano foi introduzido no Havaí como ornamento de jardim. Considerado hoje a segunda pior espécie invasora do planeta, ele motivou uma tentativa de controle biológico que acabou se tornando desastrosa.
Para conter sua proliferação, gestores ambientais introduziram o caracol-lobo-rosado, um predador altamente eficiente. O resultado foi devastador: além de atacar o invasor africano, ele passou a exterminar rapidamente os caracóis nativos, que não possuíam defesas evolutivas contra esse tipo de predador.
A ciência por trás da sobrevivência: décadas de trabalho em laboratório
O biólogo Dr. Michael Hadfield, professor emérito da Universidade do Havaí em Mānoa, foi um dos primeiros cientistas a alertar sobre a iminente extinção dos caracóis arborícolas. Desde os anos 1970, ele e seus alunos documentaram minuciosamente o ciclo de vida, reprodução e declínio acelerado dessas espécies.
Em 1981, várias espécies de caracóis de O‘ahu foram oficialmente listadas como ameaçadas. Dez anos depois, Hadfield recolheu os últimos 11 exemplares conhecidos da espécie Achatinella fuscobasis na natureza e iniciou um programa experimental de reprodução em laboratório, numa tentativa considerada de alto risco.
Os primeiros ambientes artificiais simulavam ciclos de luz, temperatura e umidade com precisão. Como os caracóis se alimentam de fungos que crescem naturalmente nas folhas, os pesquisadores passaram a cultivar esses fungos em placas de Petri, garantindo alimentação contínua e controlada.
Exclosures: barreiras físicas contra a extinção
Com o avanço da criação em cativeiro, os cientistas perceberam que seria impossível reintroduzir os caracóis sem protegê-los fisicamente dos predadores. Surgiram então as exclosures, áreas isoladas por barreiras elétricas e superfícies escorregadias que impedem o acesso de ratos, caracóis predadores e até camaleões invasores.
As primeiras estruturas eram rudimentares: cercas elétricas simples, arame farpado e até fossos com sal. Ainda assim, os resultados foram imediatos. Fora das áreas protegidas, os caracóis desapareciam; dentro delas, prosperavam.
Hoje, essas áreas evoluíram para estruturas avançadas conhecidas como kāhuli kīpuka, com tamanho aproximado ao de uma casa, paredes sólidas e sistemas elétricos de baixa voltagem que apenas repelem os predadores sem matá-los.
Conservação como esforço geracional
Atualmente, o programa é liderado por uma nova geração de cientistas, como David Sischo, do DLNR, ex-aluno de Hadfield. Ele coordena o Snail Extinction Prevention Program (SEPP), uma parceria que envolve universidades, o Exército dos EUA, museus e zoológicos.
Apesar dos avanços, os desafios permanecem enormes. Estima-se que cerca de 100 espécies de caracóis possam desaparecer na próxima década se medidas adicionais não forem adotadas. Mesmo assim, há esperança de que o avanço tecnológico e o controle mais eficiente de predadores permitam, no futuro, a reintegração plena dessas espécies à floresta.
Segundo especialistas envolvidos no projeto, a recuperação completa não será obra de uma única geração, mas sim um esforço contínuo que atravessará décadas.
A reintrodução dos caracóis arborícolas de O‘ahu não representa apenas o retorno de uma espécie, mas a prova de que a ciência, quando sustentada por cooperação institucional e visão de longo prazo, pode reverter até mesmo extinções consideradas definitivas. É uma vitória silenciosa, construída lentamente, folha por folha, geração por geração.
Você acredita que esforços de conservação científica como esse conseguem reverter extinções causadas pela ação humana ou o tempo já se tornou um fator decisivo contra a biodiversidade?


Que noticia!!!! Son iguales a los caracoles cubanos jajaja
Polimitas pictaa
Que belleza de animalitos!!!cuando se quiere se puede,felicitaciones a todos los que hicieron posible para que estás bellezas no desaparezcan.Llevo tiempo pero lo lograron!!!!
Pues si