Uso de internet via satélite dentro da cabine, aliado a bateria acima do limite permitido pela ANAC, levanta alertas técnicos, operacionais e de segurança aérea em um episódio que viralizou nas redes
Um episódio incomum ocorrido durante um voo comercial recente chamou a atenção de especialistas em aviação e segurança a bordo. Após o embarque, um passageiro se filmou utilizando uma antena da Starlink Mini acoplada à janela da aeronave, alimentada por uma bateria portátil de alta capacidade, em plena operação de voo. O caso ganhou repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre uso indevido de equipamentos eletrônicos, powerbanks proibidos e riscos de incêndio em cabine pressurizada.
A informação foi divulgada pelo site AEROIN, que acompanha de perto ocorrências envolvendo aviação comercial, segurança operacional e regulamentação aérea. Conforme o material publicado, o episódio ocorreu a bordo de um Embraer E195-E2, aeronave amplamente utilizada em rotas domésticas no Brasil e equipada com sistema próprio de conectividade Wi-Fi para passageiros.
Apesar dessa infraestrutura disponível, o passageiro optou por ativar um sistema independente de internet via satélite, conectando a antena da Starlink Mini à janela da aeronave e alimentando o equipamento com um powerbank de 60.000 mAh, embarcado de forma irregular.
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Powerbank acima do limite permitido e equipamento não autorizado acendem alerta técnico
Embora o uso de dispositivos eletrônicos pessoais seja permitido em determinadas fases do voo, o caso chama atenção por envolver uma bateria portátil que ultrapassa os limites regulamentares estabelecidos pela ANAC. De acordo com as normas brasileiras, o limite máximo permitido para transporte de baterias de íon-lítio em bagagem de mão é de 100 Wh (watt-hora).
No entanto, o equipamento utilizado pelo passageiro possui 200 Wh de potência, o dobro do permitido, o que o enquadra como powerbank proibido para transporte aéreo regular. Além disso, o dispositivo foi conectado a um equipamento eletrônico não autorizado para uso a bordo, agravando ainda mais a situação sob o ponto de vista operacional.
Ainda que, no Brasil, não exista uma proibição absoluta para ligar baterias portáteis durante o voo, especialistas alertam que o uso ativo desses equipamentos aumenta significativamente o risco de superaquecimento e incêndio, especialmente em ambientes pressurizados e com espaço restrito, como a cabine de uma aeronave comercial.
Incidentes recentes reforçam por que o uso de baterias em voo é cada vez mais restrito
Nos últimos anos, diversos países passaram a endurecer regras não apenas sobre a capacidade dos powerbanks, mas também sobre seu uso efetivo durante o voo. Em algumas jurisdições, o acionamento de baterias portáteis a bordo é considerado extremamente proibido, justamente devido à sequência de incidentes registrados globalmente.
Segundo dados do setor aeronáutico, houve casos de princípios de incêndio causados por baterias de lítio mesmo dentro da potência permitida e sem estarem em uso ativo. O episódio mais recente citado por especialistas ocorreu em um voo da LATAM, no qual um powerbank desligado e dentro das especificações acabou gerando uma situação de risco.
Por esse motivo, autoridades aeronáuticas internacionais vêm reforçando orientações para que passageiros evitem o uso desnecessário de baterias externas durante o voo, especialmente quando a aeronave já oferece sistemas próprios de energia e conectividade certificados para operação aérea.
Do ponto de vista da segurança, qualquer fonte adicional de energia não controlada pela tripulação representa um potencial risco operacional, sobretudo quando associada a equipamentos improvisados ou não homologados para uso aeronáutico.
