Depois do anúncio de US$ 2 bilhões para seis PSV, a cidade de SC pode receber mais quatro navios RSV, com BID publicado e Navship apontada como vencedora, mas ainda aguardando liberação de recursos
A Petrobras deve dar o próximo passo no ciclo de encomendas offshore em Santa Catarina com a previsão de construir quatro navios RSV em Navegantes, segundo informou o prefeito Ricardo Muniz em entrevista ao ND Mais no dia 14. O ponto novo é que o contrato já apareceu em BID com a Navship como vencedora, embora ainda dependa da liberação dos recursos para ser assinado.
Essa movimentação vem logo depois do anúncio feito no início do ano, quando a estatal sinalizou um aporte de US$ 2 bilhões para seis navios do tipo PSV. Agora, a expectativa local é que a entrada dos navios RSV leve a cidade para uma etapa mais complexa da operação no mar, com impacto direto em empregos e na cadeia naval.
O que muda com os navios RSV em relação aos PSV
Os navios PSV são embarcações de apoio offshore voltadas ao transporte de suprimentos, uma espécie de “linha de abastecimento” das operações. Já os RSV entram em um nível de serviço mais técnico, voltado para trabalho submarino.
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Na prática, é a diferença entre levar carga e apoiar operações que exigem tecnologia para lidar com o fundo do mar, onde inspeções e reparos precisam de equipamento especializado e controle remoto.
Por que os navios RSV viram peça-chave em operações a 4.000 metros
Os navios RSV são descritos como embarcações equipadas com tecnologia avançada, como braços mecânicos, luzes e lentes, para manuseio e montagem de equipamentos submarinos. A base também aponta que eles operam com ROV, robôs submarinos capazes de atuar em profundidades de até 4.000 metros.
Isso transforma o navio em uma base de trabalho para tarefas que seriam impossíveis com presença humana direta, como inspeções e reparos em tubulações e outras estruturas no fundo do mar.
BID publicado, Navship citada como vencedora e a etapa que ainda falta
O prefeito afirmou que o novo contrato para os quatro navios RSV já foi publicado em BID, com a Navship indicada como empresa vencedora. O estaleiro de Navegantes seria responsável por construir todas as embarcações.
Ao mesmo tempo, ele destacou que o contrato ainda não foi assinado. O motivo é simples: depende da liberação dos recursos, etapa que costuma definir quando a previsão vira cronograma de obra e contratação permanente.
Quem deve operar as embarcações e o vínculo com a Bram Offshore
Segundo o prefeito, a operação das embarcações deve ser feita pela Bram Offshore, braço da mesma empresa controladora da Navship, o Grupo Edison Chouest Offshore, sediado nos Estados Unidos.
Esse arranjo sugere um pacote que não fica só na construção: ele conecta estaleiro e operação dentro do mesmo grupo, o que tende a puxar demanda por profissionais em diferentes frentes, do chão de fábrica à logística e suporte técnico.
A cidade já sente o efeito: feirão de 500 vagas e pressão por mão de obra

Mesmo antes do contrato ser assinado, o setor já dá sinais de aquecimento. O prefeito citou que a Navship realizou um feirão de 500 empregos no bairro São Paulo, indicando que a busca por mão de obra qualificada está aumentando.
Quando o offshore entra em ciclo de encomendas, o impacto aparece rápido em vagas, capacitação e movimentação na economia local, porque a indústria naval costuma exigir grande volume de pessoas e etapas longas de produção.
Como esse movimento reforça a “vocação naval” de Navegantes
Na avaliação do prefeito, o pacote dos seis PSV já havia garantido uma “sobrevida” de cerca de uma década para os estaleiros da região, dentro de um investimento citado na ordem de R$ 2 bilhões. Com os navios RSV, a leitura é de continuidade e avanço tecnológico na carteira de projetos.
Para Navegantes, o recado é que o município não está apenas recebendo encomendas, mas consolidando um papel na construção de embarcações ligadas ao petróleo e gás, em um setor descrito como estratégico e com know-how global.
Na sua opinião, essa possível nova leva de navios RSV é o tipo de projeto que consolida um polo naval de longo prazo ou ainda deixa a região dependente demais de poucos contratos grandes?
