Mergulhadores voluntários localizaram, a quase 95 metros de profundidade no Atlântico, o provável naufrágio do Tampa, navio torpedeado em 1918 durante a Primeira Guerra Mundial, em uma tragédia que matou todas as 131 pessoas a bordo
A maior perda de vidas em combate naval americano na Primeira Guerra Mundial voltou ao centro da história após mergulhadores voluntários localizarem o provável naufrágio do Tampa, navio torpedeado em 1918 enquanto escoltava comboios pelo Canal de Bristol, matando todas as 131 pessoas a bordo.
Naufrágio do Tampa foi encontrado após três anos de buscas
A localização foi feita pela Gasperados, grupo de mergulhadores voluntários do sudoeste da Inglaterra especializado na identificação de destroços da Primeira Guerra Mundial.
A equipe passou três anos cruzando documentos de arquivo, registros de navios e relatórios do período da guerra.
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O décimo e último mergulho na área de busca levou os mergulhadores a um ponto no Atlântico, a quase 95 metros de profundidade.
A descida foi descrita pelo líder da equipe, Steve Mortimer, como uma aproximação gradual em meio à escuridão.
O tempo de inspeção no fundo do mar foi curto. Os mergulhadores tiveram apenas alguns minutos para observar o local antes de iniciar uma longa subida, necessária por causa da descompressão após o mergulho profundo.
Detalhes do navio ajudaram a reforçar a identificação
A equipe encontrou características compatíveis com o Tampa, incluindo vigias, projéteis de artilharia, equipamentos da ponte de comando, âncoras e extintores de incêndio.
Esses elementos foram comparados com registros de arquivo fornecidos por historiadores da Guarda Costeira.
O mergulhador Dominic Robinson relatou ter percebido rapidamente sinais associados a um navio de guerra.
Ele citou equipamentos de ponte bem preservados e uma âncora semelhante à vista em fotografias históricas da embarcação.
Outro indício importante foi o sistema de caldeiras. Barbara Mortimer, pesquisadora da Gasperados, explicou que os mergulhadores localizaram uma caldeira aquatubular, tipo usado em navios de guerra como o Tampa. Navios mercantes da época costumavam usar caldeiras flamotubulares.
Também foram observadas vigias de latão espalhadas pelo local. Segundo Steve Mortimer, grande parte do casco se deteriorou com o tempo, enquanto acessórios de latão permaneceram praticamente intactos no fundo do mar.
O navio desapareceu durante uma missão noturna
O Tampa atuava na escolta de comboios da Guarda Costeira após a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, em 1917.
Registros históricos indicam que a embarcação completou 18 missões entre Gibraltar e a Grã-Bretanha em onze meses.
Em 26 de setembro de 1918, o navio estava com pouco carvão durante uma escolta. O capitão Charles Satterlee pediu autorização para deixar a formação por volta do meio-dia, mas o pedido foi negado porque navegar sozinho de dia era considerado perigoso.
Um segundo pedido foi aprovado no fim da tarde. Horas depois, o Tampa seguiu para o norte, em uma noite sem lua, com as luzes apagadas para evitar detecção. Um submarino alemão avistou a embarcação no Canal de Bristol.
Pouco depois, um operador de rádio próximo relatou ter sentido uma explosão subaquática. O Tampa nunca chegou ao porto.
Detritos, coletes salva-vidas e corpos de alguns oficiais não identificados foram recuperados posteriormente.
Descoberta reacende memória das 131 vítimas
Todas as 131 pessoas a bordo morreram, incluindo 111 membros da Guarda Costeira, quatro da Marinha dos Estados Unidos e 16 integrantes da Marinha Britânica e civis. A maioria das vítimas nunca foi encontrada.
A perda teve grande impacto na Guarda Costeira, que tinha menos de 4.000 pessoas no início da guerra. William Thiesen, historiador da área atlântica da Guarda Costeira, afirmou que o serviço sofreu uma porcentagem maior de baixas do que qualquer outro ramo militar americano no conflito.
Entre os mortos estavam jovens marinheiros, como Irving Alexander Slicklen, que tinha 15 anos quando se alistou, e Joseph Lieb, que se preparava para reencontrar a família antes do desaparecimento do navio.
Após o anúncio, parentes de tripulantes procuraram a Gasperados. Algumas famílias disseram que sempre souberam que seus parentes morreram no Tampa, mas não conheciam a localização dos destroços.
Os mergulhadores pretendem voltar ao local para reunir novas evidências. Steve Mortimer afirmou que um integrante da equipe acredita ter visto a palavra “Tampa” em um extintor de incêndio, e a expectativa é fotografar o item em uma futura expedição. Se houver confirmação oficial, o local será tratado como túmulo de guerra.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Gasperados, da Guarda Costeira dos Estados Unidos e da revista Smithsonian, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.


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