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Apenas três países desafiaram a queda global, aumentaram compras de café brasileiro em 2025, ignoraram clima adverso e tarifas dos EUA, mudaram o mapa do comércio mundial e revelaram para onde o café do Brasil realmente está indo quando os gigantes recuam

Publicado em 20/01/2026 às 12:04
Café brasileiro muda rotas em 2025: exportação cai, Estados Unidos recuam, enquanto China e Japão ampliam compras e redesenham o mercado global.
Café brasileiro muda rotas em 2025: exportação cai, Estados Unidos recuam, enquanto China e Japão ampliam compras e redesenham o mercado global.
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Levantamento do Cecafé mostra que, entre os dez maiores importadores, apenas Japão, Turquia e China ampliaram as compras de café brasileiro em 2025. O Brasil exportou 40,049 milhões de sacas para 121 países, com queda de 20,8% no volume, mas receita recorde puxada por preços altos no mercado do grão.

Em 2025, o café brasileiro viveu um contraste raro: o volume exportado caiu, mas o dinheiro entrou como nunca, com preços mais altos no mercado internacional. No meio desse cenário, apenas três países entre os maiores compradores foram na contramão e ampliaram a importação do café brasileiro, mudando o desenho do comércio exterior do setor.

A virada ficou ainda mais evidente porque os gigantes recuaram. As exportações para os Estados Unidos despencaram após o tarifaço, e o país deixou a liderança do ranking, que passou para a Alemanha, mesmo com redução nas compras. O mapa de para onde o café brasileiro está indo começou a se deslocar justamente quando os maiores mercados pisaram no freio.

O que mudou no comércio do café brasileiro em 2025

Entre janeiro e dezembro de 2025, o Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg de café, somando todos os tipos do produto, com destino a 121 países.

O volume representou queda de 20,8% em relação a 2024, em um ano marcado por problemas climáticos que afetaram a produção e pressionaram a oferta.

Mesmo com menos sacas embarcadas, a receita foi recorde porque os preços do café no mercado internacional subiram.

Na prática, o Brasil vendeu menos em quantidade, porém em um ambiente mais valorizado, onde cada saca passou a carregar mais receita.

Isso ajuda a explicar por que o comércio ficou mais disputado e sensível: quando a oferta aperta e o preço sobe, o comportamento dos compradores tende a ficar mais seletivo, e qualquer barreira comercial pesa ainda mais.

O impacto do tarifaço e a queda dos Estados Unidos

O mercado norte-americano sentiu um choque em 2025.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 33,9% após o tarifaço, que continuou em vigor para o café solúvel.

Esse recuo não foi um detalhe estatístico: ele foi suficiente para tirar os EUA do posto de principal comprador do café brasileiro.

Quando um comprador desse tamanho recua, sobra café para ser redistribuído em outros destinos, mas não de forma automática.

Cada país compra por motivos próprios, com políticas comerciais diferentes, necessidades internas específicas, estoques variando ao longo do ano e preferências por tipos de café.

É nesse ponto que o dado do Cecafé chama atenção: entre os dez maiores importadores, só três cresceram.

Alemanha assume a liderança mesmo reduzindo compras

A liderança do ranking passou para a Alemanha, mas isso não significa expansão. Pelo contrário: as exportações de café brasileiro para o país europeu caíram 28,7%.

Ainda assim, com a queda ainda maior dos Estados Unidos, a Alemanha ficou no topo como principal destino.

Esse detalhe revela como 2025 não foi um ano de crescimento homogêneo entre os grandes importadores.

O que aconteceu foi um rearranjo: os líderes tradicionais perderam fôlego, e o comércio do café brasileiro passou a depender mais de quem manteve apetite em meio a clima adverso, preços elevados e barreiras tarifárias.

Japão: recomposição de estoques puxou alta nas compras

O Japão foi o quarto maior comprador de café brasileiro em 2025 e importou mais de 2,6 milhões de sacas, registrando aumento de 19,4% em relação a 2024.

A explicação apontada pelo Cecafé liga esse crescimento à recomposição de estoques.

O movimento sugere um comportamento típico de mercado: quando um importador passa um período comprando menos porque já está abastecido, ele tende a voltar ao mercado conforme os estoques baixam.

Em 2025, essa volta aconteceu em um momento de preço alto e oferta mais apertada, o que torna o dado ainda mais relevante.

O Japão não apenas voltou a comprar como aumentou o ritmo, reforçando o papel do café brasileiro nas prateleiras e no abastecimento do país.

Turquia: consumo interno e redistribuição regional sustentaram o avanço

A Turquia também escapou da tendência de queda e ampliou as compras em 3,26% em 2025, figurando como a sexta maior importadora do café brasileiro.

A leitura do Cecafé aponta dois vetores simultâneos: atender o mercado interno e atuar como um polo de redistribuição do produto para outros países da região.

Essa segunda função pesa porque transforma o país em uma espécie de ponte comercial.

Em vez de importar apenas para consumo doméstico, a Turquia compra para abastecer cadeias de fornecimento que atendem mercados próximos, inclusive países descritos como em situação de dificuldade e guerra.

Na prática, isso significa que parte do café brasileiro entra por um canal e sai por outro, mantendo o fluxo mesmo quando compradores tradicionais reduzem pedidos.

China: consumo disparou e o café brasileiro ganhou espaço

A terceira exceção foi a China, que comprou 19,49% mais café brasileiro em 2025 do que no ano anterior, totalizando 1,1 milhão de sacas de 60 kg.

Com isso, o país ficou na décima posição entre os importadores do produto, reforçando uma tendência de expansão acelerada.

O dado de consumo ajuda a dimensionar o fenômeno: a China, conhecida historicamente como país do chá, já aparece como o sexto maior consumidor de café do mundo, segundo o USDA, atrás apenas de União Europeia, Estados Unidos, Brasil, Filipinas e Japão.

O crescimento é impulsionado por mudança de hábito, com destaque para a entrada de jovens no consumo regular.

Outro ponto relevante é a preferência citada pelo Cecafé: enquanto alguns mercados buscam preços mais competitivos em diferentes origens, a China prioriza o café arábica brasileiro.

Isso cria um tipo de demanda que não depende só de preço, mas também de perfil e posicionamento do produto, o que pode manter as compras firmes mesmo em anos difíceis.

O que esses três países revelam sobre o novo caminho do café brasileiro

Quando o volume total cai 20,8% e o preço sobe, o comércio deixa de ser apenas uma corrida por quantidade e passa a ser uma disputa por prioridade.

O que Japão, Turquia e China têm em comum não é um único motivo, e sim o fato de terem encontrado razões específicas para aumentar compras de café brasileiro em 2025: estoque, estratégia regional e expansão de consumo.

Ao mesmo tempo, o recuo dos Estados Unidos após o tarifaço e a redução da Alemanha, mesmo na liderança, mostram que os grandes mercados não estavam em expansão.

O resultado é um retrato claro: o café brasileiro continuou global, mas o motor do crescimento, em 2025, veio de poucos destinos que nadaram contra a maré.

E para você: com EUA recuando e China crescendo rápido, você acha que o café brasileiro vai depender cada vez mais desses novos compradores nos próximos anos?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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