Morador do interior, aos quase 100 anos, vive sozinho no campo e mostra como a vida rural, sustentada por memória e afeto, segue cheia de sentido.
Entre risadas, carreteiro no fogo e lembranças da infância dura, ele vive sozinho no campo e prova que a vida rural brasileira ainda se apoia em memória, afeto e tradição, mesmo quando a idade já passa dos 90 e os amigos de geração quase todos se foram.
Um pouco cansado, mas espirituoso, seu Lindolfo vive sozinho no campo, cercado por poucas casas, silêncio e visitas pontuais da família que cuida de refeições, limpeza possível e companhia. Ele sabe que já viu muita gente partir, brinca que “a gente tá vivo para morrer” e ainda sonha em chegar aos 100 anos, desde que Deus queira e a saúde permita.
A rotina de quem vive sozinho no campo aos quase 100 anos

Na conversa embaixo da sombra, ele comenta que já perdeu a conta de quantos vizinhos e conhecidos da região se foram nos últimos tempos.
-
Na Coreia do Norte, moradores levam garrafas, plástico, tecido, papel e metal para lojas de reciclagem e trocam lixo por produtos enquanto sanções, fronteiras fechadas e queda de mais de 80% no comércio com a China pressionam o país a substituir importações
-
Radar de velocidade instalado em vilarejo escondido nas Dolomitas vira protagonista de uma arrecadação milionária e coloca pequenas cidades italianas no centro de uma polêmica nacional
-
Uma montanha ilegal de lixo com 6 metros de altura e 10 mil toneladas surgiu na Inglaterra, ameaça pegar fogo, pode custar milhões para ser removida e expõe como o descarte clandestino virou negócio para criminosos
-
Enquanto o Japão é visto como símbolo mundial de limpeza, casas inteiras tomadas por lixo expõem solidão, envelhecimento e uma barreira legal que impede ações rápidas das prefeituras
Para ele, viver quase um século no mesmo lugar significa assistir o interior esvaziar devagar, ver casas ficarem vazias e famílias se mudarem. Ainda assim, escolheu ficar.
Seu Lindolfo vive sozinho no campo, num ponto em que relógio sem pilha não faz muita falta. Ele brinca que não sabe a hora e também não precisa saber, porque na roça o tempo é medido mais pela luz, pelo costume e pelas visitas do que por ponteiros. A solidão é real, mas amenizada quando alguém chega para prosear, cozinhar e ouvir suas histórias.
Visita especial, carreteiro no fogo e mesa cheia
Neste dia, a chegada da repórter e de amigos muda o ritmo da casa. Ele primeiro não reconhece quem chega, depois vai puxando pela memória, ri das confusões de nomes e volta a se apresentar como Lindolfo, o “Fofão” de infância. A cozinha improvisada vira palco de encontro.
Enquanto ele observa, o grupo prepara um carreteiro reforçado, com bacon, carne, linguiça, cebola, tomate e tudo o que merece um almoço de festa. O cheiro da comida se espalha pelo terreiro, o chiado da panela quebra o silêncio do interior e a mesa ganha vida com risadas e histórias compartilhadas.
Seu Lindolfo prova o carreteiro com cuidado para não queimar a boca, aprova o sal e até brinca com quem está atrás da câmera, num humor fino que revela lucidez e presença.
Infância dura e Natais sem presente, só com “vara na bunda”
Entre um prato e outro, a conversa volta no tempo. Ele lembra que, quando criança, não havia presente de Natal, apenas trabalho pesado e, às vezes, “vara na bunda” quando as crianças aprontavam. Conta que os pais eram pobres, que quase não sobrava para mimos, e que só foi colocar o primeiro sapato nos pés na época da primeira comunhão, por volta dos 12 anos.
Ao falar do Natal, os olhos misturam saudade e humor. Ele recorda as festas simples na igreja, o forno cheio de pão e cuca que a mãe fazia com o pouco trigo que tinha e a alegria que surgia mesmo na escassez.
Para quem hoje vive sozinho no campo, essas memórias funcionam como um fio que liga o menino descalço ao quase centenário sentado na varanda, ainda grato pelo pouco que teve.
Família por perto, cuidado diário e apego ao lugar

Embora viva sozinho no campo, seu Lindolfo não está completamente abandonado. A família passa de manhã e à noite, leva almoço, faz café, troca roupa de cama, lava, traz de volta, limpa o que ele deixa. Uma das parentes diz com franqueza que ele “não gosta muito de limpeza”, mas aceita os cuidados com certo bom humor.
Eles também escutam o que ele mais gosta de contar: histórias do passado, lembranças da mãe, da juventude, de um interior que já mudou muito.
É esse vaivém de gente que garante que a solidão não vire abandono, mantendo uma rede de afeto que sustenta não só o corpo, mas também a cabeça de quem está atravessando a casa dos 90 rumo aos 100.
Planos para os 100 anos e a força da tradição
Mesmo dizendo que chegar aos 100 é “só para se judiar”, ele topa brincar com a ideia. A família fala em festa grande, costelada, porco, vaca, até o galo do terreiro entra na conta da comemoração imaginária. Ele ri, pondera que tudo depende de Deus, mas não descarta o plano.
Esse quase centenário que vive sozinho no campo representa um tipo de Brasil que resiste: o da casa simples, do fogão com carreteiro, do Natal antecipado com torta e risada, e da memória viva que passa de boca em boca. A presença dele reafirma que a vida rural ainda é feita de laços, e que tradição não está nos grandes eventos, mas nos pequenos gestos repetidos por décadas.
E você, consegue se imaginar envelhecendo assim, quase aos 100 anos, e ainda escolhendo viver sozinho no campo, cercado de lembranças, visitas e uma boa panela de comida no fogo?


Quase 100, mais de 90, mas qual a idade do senhor Lindolfo ? Mora sozinho no campo, no interior, mas o nome da cidade deve ser “sigilo absoluto”, reportagem incompleta, seu Lindolfo merecia uma reportagem mais esclarecida.
Sou da roça…..até os 17 anos…..fiquei com inveja..
Esqueceram de falar em qual cidade e estado, ele mora !!!