Ethel Caterham: a supercentenária britânica de 116 anos que se tornou a pessoa mais velha do mundo viva após validação do Guinness
Em 18 de setembro de 2025, o Carlos III deixou Windsor após se despedir oficialmente do presidente Donald Trump e fez uma parada que não constava na agenda formal da visita de Estado. Ele foi visitar Ethel Caterham. A supercentenária britânica, então com 116 anos, vivia em um lar de idosos em Lightwater, no condado de Surrey, Inglaterra. Era oficialmente reconhecida como a pessoa mais velha do mundo viva, com idade validada pelo Guinness World Records em parceria com a LongeviQuest.
Ela havia recusado entrevistas da imprensa no entorno do aniversário de 116 anos, em agosto. Disse que a única concessão seria para o rei. O rei apareceu.
Quando Carlos se apresentou, Ethel comentou que se lembrava da investidura dele como Príncipe de Gales no Castelo de Caernarfon, em 1969. Carlos tinha 21 anos. Ela tinha 59. Recordava a cerimônia como se fosse recente. Disse que todas as garotas estavam apaixonadas por ele.
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O rei respondeu com humor. A cena atravessava sete décadas de história britânica.
Última sobrevivente nascida no reinado de Eduardo VII e elo vivo com o início do século XX
Ethel May Collins nasceu em 21 de agosto de 1909, em Shipton Bellinger, Hampshire, sul da Inglaterra. Era a segunda mais nova entre oito irmãos.
O monarca no trono no dia de seu nascimento era Eduardo VII.
Eduardo VII morreu em maio de 1910, quando Ethel tinha menos de nove meses. Ela não se lembrava do rei, mas os registros históricos indicam que ela se tornou a última pessoa viva no planeta nascida durante o reinado eduardiano.
Desde então, atravessou seis reinados britânicos:
- George V
- Eduardo VIII
- George VI
- Elizabeth II
- Carlos III
Em março de 2026, permanece em Lightwater, Surrey, como a mulher mais velha do mundo com idade oficialmente comprovada.
Supercentenária britânica viajou sozinha para a Índia aos 18 anos
Em 1927, aos 18 anos, Ethel embarcou sozinha para a Índia Britânica, em uma viagem marítima de três semanas, para trabalhar como babá de uma família militar inglesa.
Permaneceu quatro anos no território que ainda era parte do Império Britânico. A independência indiana viria apenas em 1947.

Relatava a experiência como fascinante: tradições britânicas convivendo com costumes indianos. Ao retornar ao Reino Unido, carregava histórias raras para uma jovem do interior de Hampshire.
Em 1931 conheceu Norman Caterham, major do Exército britânico. Casaram-se na Catedral de Salisbury em 1933. Viveram em Gibraltar e Hong Kong, onde Ethel abriu uma creche bilíngue.
Mais tarde, estabeleceram-se em Surrey. Tiveram duas filhas. Norman morreu em 1976. Ethel herdou o Triumph Dolomite do marido e dirigiu até os 97 anos — um dos marcos frequentemente citados na cobertura de sua longevidade.
Guinness World Records e LongeviQuest: como foi validada como a pessoa mais velha do mundo
O reconhecimento como pessoa mais velha do mundo viva exige validação documental rigorosa. A LongeviQuest exige:
- Certidão de nascimento
- Registros contínuos da infância à velhice
- Documentação civil completa
- Verificação por comitê especializado
O caso de Ethel foi acompanhado também pelo Gerontology Research Group.
Em abril de 2025, após a morte da brasileira Inah Canabarro Lucas, que tinha 116 anos e 326 dias, o título global passou oficialmente para Ethel Caterham.
Em 7 de abril de 2025, ela já havia se tornado a pessoa mais velha da história documentada do Reino Unido, superando o recorde mantido por Charlotte Hughes por 33 anos.
Em 21 de agosto de 2025, completou 116 anos — marco inédito na história britânica validada.
Sobreviveu à COVID-19 aos 110 anos durante a pandemia
Em 2020, aos 110 anos, Ethel contraiu COVID-19. Sobreviveu. Recuperou-se completamente.
A sobrevivência à COVID-19 em idade supercentenária é considerada caso extremo na literatura sobre longevidade.
Sua irmã Gladys Babilas viveu 104 anos, sugerindo possível componente genético associado à longevidade extrema.
Desde os 100 anos, recebia cartões oficiais da Família Real britânica. Ao longo dos anos, acumulou 17 mensagens da Rainha Elizabeth II e do Rei Carlos III.
O encontro histórico com o Rei Carlos III aos 116 anos
Em 18 de setembro de 2025, no Hallmark Lakeview Care Home, estavam expostos sobre a mesa:
- Cartão oficial de Carlos e Camilla
- Cartão da falecida Elizabeth II
- Carta manuscrita assinada pelo Rei
Carlos sentou-se ao lado dela. Ethel usava sandálias douradas, vestido verde-sálvia e xale rosa claro. Recordou eventos no jardim de Buckingham Palace e a investidura de 1969.
Foi descrito pela imprensa britânica como um encontro genuinamente afetivo entre o monarca e a mulher mais velha do mundo viva.
O segredo da longevidade segundo Ethel Caterham
Quando perguntada sobre o segredo dos 116 anos, responde:
“Diga sim às oportunidades. Tenha uma atitude mental positiva. Faça tudo com moderação.”
Dirigiu até os 97. Jogou bridge por décadas. Manteve autonomia avançada. Na pesquisa de longevidade, seu caso reúne marcadores importantes:
- Preservação cognitiva tardia
- Ausência de doenças crônicas limitantes
- Histórico familiar de longevidade
- Vida ativa por mais de oito décadas
Nenhum fator isolado explica 116 anos. A combinação é rara o suficiente para estudo científico.
Recorde britânico e comparação com o recorde mundial absoluto
Apenas três pessoas no Reino Unido haviam alcançado 115 anos antes dela. Ethel tornou-se a primeira britânica da história a atingir 116 anos com idade documentada.
Para comparação, o recorde absoluto mundial pertence a Jeanne Calment, que morreu aos 122 anos e 164 dias. Os pesquisadores da LongeviQuest não fazem projeções — apenas validam registros.
Em março de 2026, o que está documentado é que Ethel May Caterham é a pessoa mais velha do mundo viva com existência comprovada.
Última edwardiana. Primeira britânica a alcançar 116 anos. E a mulher que, ao reencontrar o rei décadas depois de sua juventude, fez o monarca rir como se o tempo não tivesse passado.


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