Hildegart Rodríguez tornou-se escritora, advogada e ativista ainda adolescente, porém sua busca por independência terminou em um dos crimes mais inquietantes da Espanha.
Na madrugada de 9 de junho de 1933, um crime familiar ganhou enorme repercussão em Madri e rapidamente chamou a atenção internacional.
A jovem já era conhecida por sua produção intelectual, militância política e defesa de pautas consideradas progressistas na Espanha da década de 1930.
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Aurora não tentou fugir nem esconder o assassinato. Pouco depois, procurou o advogado e amigo José Botella Asensi para confessar o crime.
Projeto eugenista começou antes do nascimento de Hildegart
Décadas antes do assassinato, Aurora desenvolveu um projeto baseado nas teorias eugenistas difundidas no início do século XX.
A mãe acreditava que poderia contribuir para o aperfeiçoamento da humanidade por meio da criação e da educação rigorosa de uma pessoa excepcional.
O homem escolhido para gerar a criança deveria, segundo seus critérios, ser saudável, inteligente e culturalmente instruído.
Aurora mudou-se para Madri depois da gravidez. Durante a gestação, adotou métodos que considerava essenciais para concretizar seu projeto.
A preferência por uma menina também fazia parte do plano. Na visão de Aurora, uma mulher excepcional poderia liderar grandes transformações sociais.
Hildegart Rodríguez nasceu em 9 de dezembro de 1914.
Educação rígida transformou a menina em uma jovem prodígio
A formação de Hildegart foi intensamente controlada desde os primeiros anos de vida.
Aurora supervisionava cada etapa da educação da filha e a tratava como uma obra criada para cumprir uma missão específica.
Os resultados intelectuais apareceram rapidamente. Hildegart aprendeu a ler antes dos dois anos e já escrevia aos três.
A jovem também estudou inglês, francês e alemão. Sua rotina, entretanto, oferecia pouco espaço para brincadeiras e experiências comuns da infância.
Hildegart concluiu etapas escolares avançadas aos 13 anos. Aos 14, recebeu uma autorização especial para ingressar no curso de Direito.
Atuação política levou Hildegart ao centro da vida pública
A adolescência marcou o início de uma intensa participação política e intelectual.
Hildegart tornou-se escritora, palestrante e militante. Em poucos anos, publicou dezenas de artigos e 16 monografias.
Sua produção abordava principalmente:
- Educação sexual;
- Controle de natalidade;
- Direito ao divórcio;
- Saúde sexual;
- Direitos das mulheres.
A graduação em Direito foi concluída com distinção aos 17 anos. Logo depois, Hildegart iniciou estudos de Medicina e Filosofia e Letras.
Sua fama, dessa maneira, ultrapassou os ambientes acadêmicos. A adolescente tornou-se uma das jovens intelectuais mais conhecidas da Espanha.
Controle materno limitava a liberdade da jovem
A liberdade defendida por Hildegart publicamente não existia plenamente dentro de casa.
Aurora acompanhava a filha em eventos sociais, compromissos acadêmicos e reuniões políticas. As duas também permaneciam quase sempre juntas.
O desejo de construir uma trajetória independente aumentou com o passar dos anos. A relação entre mãe e filha, consequentemente, começou a se deteriorar.
Desejo de independência antecedeu o crime
As razões exatas do assassinato nunca foram totalmente esclarecidas.
Algumas hipóteses envolvem relacionamentos amorosos, convites para viagens internacionais, divergências políticas e o desejo de autonomia.
Segundo a biógrafa Carmen Domingo, Aurora não enxergava Hildegart como uma pessoa independente, mas como uma criação destinada a cumprir determinado objetivo.
A intenção da jovem de escolher o próprio caminho teria representado, portanto, o rompimento definitivo com o projeto materno.
Julgamento mobilizou a sociedade espanhola
O julgamento de Aurora tornou-se um acontecimento nacional.
A defesa alegou que ela sofria de graves transtornos mentais. A acusação, por outro lado, afirmou que a ré compreendia plenamente seus atos.
A Justiça espanhola condenou Aurora a mais de 26 anos de prisão.
Aurora foi transferida, em 1935, para o hospital psiquiátrico de Ciempozuelos. Ela permaneceu internada no local até sua morte, em 1955.
A história de Aurora e Hildegart permanece associada aos debates sobre eugenia, obsessão, controle psicológico e emancipação feminina.
Na sua opinião, Hildegart deve ser lembrada principalmente por sua produção intelectual ou como símbolo de uma luta pela própria liberdade?

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