Aos 111 anos, Luis Cano, colombiano radicado em Linden, Nova Jersey, teve a idade validada pela LongeviQuest em dezembro de 2025 e passou a ser reconhecido como o homem mais velho dos Estados Unidos, além de figurar entre os mais velhos do mundo, cercado por família e homenagens locais hoje
Luis Cano, com 111 anos, passou a ser reconhecido como o homem mais velho dos Estados Unidos após ter sua idade validada pela LongeviQuest em dezembro de 2025. Nascido na Colômbia e vivendo em Nova Jersey, ele também aparece como o 12º homem mais velho do mundo, um dado que coloca seu nome no centro de um grupo raríssimo de supercentenários.
A cena que acompanha esse reconhecimento é menos solene do que muita gente imagina: em Linden, um subúrbio industrial perto de Nova York, Cano passa grande parte do dia em sua poltrona favorita, junto à janela, observando o movimento da rua e comentando o cotidiano com a família, que o chama carinhosamente de “chismoso”, o “fofoqueiro” em espanhol.
Quem é Luis Cano

Luis Cano é um supercentenário, termo usado para pessoas que chegam aos 110 anos ou mais, e agora está oficialmente associado ao rótulo de homem mais velho dos Estados Unidos com base na validação divulgada pela LongeviQuest. Na prática, essa validação funciona como um “selo” de credibilidade que diferencia histórias de longevidade contadas em família de registros reconhecidos por instituições dedicadas a acompanhar essas idades extremas.
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Mesmo quando o público enxerga apenas o número, o processo por trás costuma ser o que dá sustentação ao reconhecimento. A ideia de idade validada existe para reduzir dúvidas e transformar uma narrativa extraordinária em um registro confiável, especialmente quando a pessoa passa a integrar listas globais, como a que aponta Cano como o 12º homem mais velho do mundo.
Das montanhas da Colômbia ao Exército: a vida moldada por esforço e disciplina
Nascido em 1914 na zona rural montanhosa da Colômbia, Cano cresceu em um ambiente de trabalho físico intenso e com pouca estrutura, sem educação formal. Esse começo, descrito como ligado a atividades rigorosas, ajuda a entender por que sua biografia é contada pela família como uma sequência de resistência, adaptação e rotina.
Em 1937, ele entrou no Exército Colombiano e rapidamente ganhou reputação como atirador de elite, ficando em segundo lugar no treinamento de tiro ao alvo em seu batalhão. Quando perguntado, já aos 111 anos, se ainda conseguiria atirar bem, respondeu com confiança que sim. Não é uma frase sobre armas, mas sobre identidade: ele se vê como alguém capaz, mesmo no limite da idade.
O empresário dos ônibus e a matemática mental que virou ferramenta de sobrevivência
Após o período militar, Cano seguiu um caminho que também exige disciplina: tornou-se proprietário e operador de uma frota de ônibus que transportava passageiros entre vilarejos rurais carentes. É um detalhe que revela duas camadas da história: a infraestrutura precária que dependia de transporte e a capacidade dele de administrar algo complexo sem formação escolar.
Como empresário, ele se tornou tão proficiente em matemática que realizava cálculos mentalmente. Essa habilidade, mais do que curiosidade, sugere uma vida de decisões rápidas e de atenção constante, algo que muitos familiares associam ao fato de ele permanecer acordado e alerta durante grande parte do dia, mesmo atualmente.
Uma família gigante, espalhada por países, que mantém o cotidiano em movimento
Cano era um dos dez filhos na infância e, com a esposa Alicia, teve dez filhos. Em 1990, mudou-se para os Estados Unidos e hoje grande parte da família está espalhada pela região metropolitana de Nova York, formando uma rede de filhos, netos, bisnetos e outros familiares que ajuda a manter seus dias ativos e interessantes.
A neta Leidy Gomez, por exemplo, faz um trajeto de aproximadamente uma hora de carro para vê-lo a cada uma ou duas semanas e frequentemente o leva para longos passeios pela cidade. Ela resume o impacto disso de forma direta: “Vê-lo aproveitar o passeio me deixa muito feliz”. É um retrato de longevidade que não depende só do corpo, mas do vínculo e da presença.
Linden, Nova Jersey: um lugar improvável que adotou seu morador mais idoso
À primeira vista, Linden parece um cenário pouco associado à longevidade: um subúrbio industrial próximo de Nova York, com paisagem marcada por refinarias, rodovias e fileiras de casas. Ainda assim, é nessa rotina urbana, com barulho e fluxo constante, que Cano encontrou um “posto de observação” particular, da poltrona junto à janela, acompanhando transeuntes e acontecimentos do bairro.
A comunidade local também participa do reconhecimento. A família conta que pessoas que passam pela rua buzinam ou acenam ao ver placas de “Feliz Aniversário” em frente à casa, sempre com a idade já em três dígitos.
O papel do prefeito e o simbolismo das homenagens em um fim de semana marcante
As visitas frequentes do prefeito de Linden, Derek Armstead, viraram parte da narrativa em torno de Cano. Em uma dessas ocasiões, ele levou uma proclamação recém-emitida em homenagem ao morador, narrando sua vida com detalhes que chamaram atenção da família, e dedicou tempo para conversar com Cano e os parentes.
O encontro ocorreu poucas horas antes da chegada de uma tempestade de neve iminente, um contraste curioso entre urgência climática e tempo humano acumulado.
Quando uma cidade formaliza uma homenagem, ela não celebra só um número: ela reconhece uma vida inteira como patrimônio local, algo raro para alguém que chegou aos EUA décadas depois de nascer em outro país.
Rotina, alimentação e hábitos que ele associa à própria longevidade
Quando o assunto é “segredo”, Cano oferece uma resposta prática: alimentação saudável e totalmente natural, com destaque especial para o abacate.
Ele também defende um estilo de vida saudável no sentido mais clássico possível, afirmando que nunca fumou e nunca bebeu álcool, além de ter mantido um alto nível de atividade física até bem depois dos cem anos.
Antes de contrair o coronavírus em 2020, ele passava a maior parte dos dias de verão cuidando do jardim. A família mostrou um vídeo dele aos 104 anos, rejeitando apelos do filho para descansar, batendo o ancinho na terra com raiva, como se quisesse provar vitalidade. Não é uma imagem “romantizada” da velhice: é esforço, teimosia, propósito e rotina. Mesmo agora, ele permanece acordado e atento durante grande parte do dia, embora valorize uma soneca regular.
O que a história de Cano provoca: curiosidade, comparação e perguntas inevitáveis
O reconhecimento do homem mais velho dos Estados Unidos quase sempre traz comparações: como alguém atravessa mais de um século, muda de país, cria uma família enorme, mantém contatos por FaceTime com parentes na Colômbia, na Espanha e no Reino Unido, e ainda se mostra feliz no cotidiano?
No caso de Cano, a resposta aparece menos em fórmulas e mais em um conjunto de fatores: vínculo familiar, hábito de se manter ativo, orgulho do próprio passado e uma rotina que continua estruturada.
Há também um aspecto silencioso: a validação em dezembro de 2025 coloca Cano sob um olhar público que mistura admiração e escrutínio, porque recordes de idade despertam fascínio e desconfiança ao mesmo tempo.
A credibilidade, nesse tipo de história, depende tanto de registros quanto de coerência biográfica, e a trajetória dele, da Colômbia rural ao bairro industrial de Linden, oferece justamente essa linha contínua de vida vivida.
Rodeado pela família, homenageado por autoridades locais e confortável em sua poltrona com vista para a rua, Luis Cano se tornou um símbolo concreto do que significa chegar aos 111 anos e ser reconhecido como o homem mais velho dos Estados Unidos.
No fim, o que fica é uma combinação simples e poderosa: relações próximas, uma rotina que não parou cedo demais e a sensação de pertencer, mesmo em um lugar que, à primeira vista, não parece feito para “histórias de longevidade”.
Se você convive com alguém muito idoso, o que mais percebe que faz diferença no dia a dia: companhia, rotina, alimentação ou movimento?
E, olhando para a vida do Cano, qual hábito você acha mais realista de adotar ou manter por décadas, sem virar promessa vazia?


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