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Antes de virar potência global, China aprendeu com o Brasil a tecnologia do século no programa CBERS, e a pergunta agora é por que esse satélite virou símbolo de cooperação enquanto os caminhos nacionais se distanciaram na mesma corrida espacial

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 13/02/2026 às 14:33 Atualizado em 13/02/2026 às 14:36
Assista o vídeoChina e Brasil criaram o programa CBERS e fizeram do satélite uma infraestrutura de dados; entenda o que mudou desde os anos 1980 e por que a cooperação virou disputa tecnológica.
China e Brasil criaram o programa CBERS e fizeram do satélite uma infraestrutura de dados; entenda o que mudou desde os anos 1980 e por que a cooperação virou disputa tecnológica.
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Nos anos 1980, China buscou no Brasil cientistas treinados com experiência na Nasa, assinou em 1984 um acordo e abriu o caminho do programa CBERS. O primeiro satélite subiu em 1999. Em 2025, a parceria reaparece, mas o poder tecnológico já mudou de lado na disputa por dados e órbita.

A China é hoje protagonista de uma nova corrida espacial e concorre diretamente com os Estados Unidos em várias frentes. O que raramente entra na discussão é que, quando ainda estruturava seu programa, a China veio ao Brasil para aprender com pesquisadores que haviam passado por estágio na NASA.

O elo inicial ganhou forma institucional em 1984, com a assinatura de um acordo de Cooperação Científica e Tecnológica. A partir dali, Brasil e China criaram uma engrenagem de troca técnica que se tornaria referência de cooperação Sul Sul, e colocaria o satélite no centro de uma estratégia de dados.

O ponto de partida nos anos 1980

China e Brasil criaram o programa CBERS e fizeram do satélite uma infraestrutura de dados; entenda o que mudou desde os anos 1980 e por que a cooperação virou disputa tecnológica.

O movimento começou com visitas de cientistas chineses ao Brasil, em um momento em que a China ainda consolidava bases industriais e acadêmicas do seu programa.

O atrativo estava no conhecimento acumulado por pesquisadores brasileiros com experiência na Nasa, capazes de traduzir rotinas de engenharia, protocolos de teste e lógica de integração de sistemas.

Esse tipo de transferência é menos sobre segredos e mais sobre método.

Quando um programa ainda é jovem, aprender a organizar equipe, cronograma e validação reduz anos de tentativa e erro.

No caso, o acordo de 1984 funcionou como marco político para destravar cooperações e preparar o terreno do programa CBERS.

CBERS e o satélite como infraestrutura de dados

China e Brasil criaram o programa CBERS e fizeram do satélite uma infraestrutura de dados; entenda o que mudou desde os anos 1980 e por que a cooperação virou disputa tecnológica.

O marco mais conhecido dessa cooperação é o programa CBERS, sigla do Satélite Sino Brasileiro de Recursos Terrestres.

Após pouco mais de uma década de trabalho conjunto, o primeiro satélite foi lançado com sucesso em 1999, a partir da China, consolidando uma cadeia mínima de projeto, construção e teste dentro do programa.

Na prática, o satélite CBERS virou infraestrutura.

É com esse tipo de satélite que se faz monitoramento do desmatamento na Amazônia, previsão meteorológica e apoio ao agronegócio.

Segundo Marco Antonio Chamon, presidente da Agência Espacial Brasileira, em entrevista à CNN Brasil, o CBERS segue como referência de cooperação tecnológica entre países do Sul Global.

Por que a China avançou mais rápido que o Brasil

A partir dos anos 1980, Brasil e China passaram por transformações econômicas profundas, mas em ritmos diferentes.

A China se consolidou como a segunda maior economia do mundo e chegou a um PIB de US$ 17,73 trilhões em 2021, sustentando espaço fiscal e político para financiar um programa de longo prazo.

No Brasil, houve expansão até 2011, seguida por retração em 2015 e 2016 e uma nova queda em 2020, com recuperação em 2021.

Nesse cenário, especialistas apontam que a China deu prioridade estratégica ao programa e ampliou investimentos ao longo das décadas.

A continuidade orçamentária, mais do que um salto isolado, costuma decidir quem chega primeiro.

O fator política interna e a continuidade do programa

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Segundo o professor Maurício Santoro, especialista em relações China Brasil, o programa espacial chinês ganhou recursos e permaneceu relevante para o governo.

Ele também atribui parte do diferencial à capacidade de cientistas chineses se articularem politicamente dentro do Partido Comunista Chinês para garantir continuidade e financiamento.

Do lado brasileiro, o programa permaneceu relevante, mas não alcançou o mesmo nível de sofisticação tecnológica.

Isso não anula entregas como o CBERS, mas ajuda a explicar por que o satélite é ao mesmo tempo um símbolo de parceria e um lembrete de assimetria crescente.

Quando a estratégia nacional muda de prioridade, a cooperação vira exceção, não eixo.

O laboratório de 2025 e o que ainda está em jogo

Mesmo com essa diferença de ritmo, a cooperação segue ativa.

Em 2025, Brasil e China anunciaram a construção de um novo laboratório conjunto voltado ao desenvolvimento de tecnologias espaciais, com participação da estatal chinesa CETC, e conexão com iniciativas científicas mais amplas na América do Sul.

O ponto sensível é o objetivo real dessa etapa.

Um laboratório pode ser ponte de capacitação, mas também pode ser apenas um nó dentro de uma cadeia já controlada por quem investe mais.

A pergunta que fica para o Brasil é se o programa vira plataforma de autonomia ou se o satélite segue operando como infraestrutura enquanto o centro de decisão se desloca.

O que essa história sugere é que “tecnologia do século” não é uma peça única, e sim uma sequência de escolhas: acordo, programa, satélite, dados, orçamento e continuidade.

China e Brasil mostram que o começo pode ser compartilhado, mas o destino depende de prioridade e de governança.

Na sua visão, qual foi o ponto de virada mais decisivo para a China disparar e para o Brasil perder velocidade no programa: financiamento, coordenação política, foco em dados ou a forma como o satélite CBERS foi incorporado na rotina do país?

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Flavio
Flavio
15/02/2026 15:47

Chinês é confiável igual nota de 3

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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