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Antes de compartilhar planos militares em um grupo de bate-papo, o chefe do Pentágono afirmou que os responsáveis por essa ação deveriam ser ‘demitidos’

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 25/03/2025 às 18:40
Atualizado em 25/03/2025 às 18:42
Pentágono, planos militares
atual secretário de Defesa, Pete Hegseth.
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Em um episódio controverso, o chefe do Pentágono foi flagrado compartilhando planos militares em um grupo de bate-papo. O caso ganhou ainda mais repercussão após vir à tona uma declaração anterior sua, afirmando que quem comete esse tipo de vazamento deveria ser demitido.

Um grupo de conselheiros de segurança nacional dos Estados Unidos, que incluia o chefe do Pentágono, foi flagrado discutindo planos militares confidenciais em um grupo de bate-papo no Signal, um aplicativo comum de mensagens.

A revelação causou espanto por envolver autoridades de alto escalão e expôs uma contradição direta por parte do atual secretário de Defesa, Pete Hegseth.

Hegseth criticava o que agora fez

Antes de assumir o cargo, Hegseth foi um dos críticos mais duros da ex-secretária de Estado Hillary Clinton, por utilizar um servidor de e-mails privado para assuntos oficiais.

Em declarações veiculadas pela Fox News, ele afirmou que “pessoas foram para a cadeia por 1 por cento do que Hillary Clinton fez” e que ela era “uma política corrupta”.

Essas declarações ocorreram por volta de 2016, quando o grito “prendam ela!” se popularizou em eventos da campanha de Donald Trump.

Hegseth, então comentarista frequente em canais conservadores, reforçava a ideia de que a atitude de Clinton havia sido uma violação grave. Em 2017, ele ainda dizia que ela “reforçou essa narrativa por meio de suas ações imprudentes”.

No entanto, anos depois, o próprio Hegseth foi incluído em um grupo onde altos funcionários discutiam possíveis ataques ao Iêmen usando um aplicativo sem criptografia oficial e fora dos canais autorizados.

Um dos participantes adicionados por engano ao grupo foi Jeffrey Goldberg, editor-chefe da revista The Atlantic, que revelou o conteúdo da conversa.

Especialistas veem riscos legais da revelação dos planos militares

Segundo especialistas ouvidos pela própria The Atlantic, os envolvidos poderiam tentar justificar a conversa afirmando que os planos militares de ataque foram desclassificados.

Mas a explicação, segundo os juristas, não se sustenta, já que os assuntos foram tratados em um ambiente sem proteção oficial — e diante de um jornalista, o que pode configurar um vazamento.

O uso de aplicativos comerciais para tratar informações de segurança nacional é considerado altamente inadequado. Em muitos casos, pode violar o Espionage Act, legislação que trata do manejo de segredos de Estado.

Ainda assim, nenhum dos envolvidos no grupo parece ter levantado preocupações na hora das conversas. Isso incluiu o conselheiro de segurança nacional Mike Waltz, que criou o grupo, e outros membros do alto escalão.

Críticas e ironias

Waltz, aliás, também já criticou Hillary Clinton duramente por seu uso de e-mails privados. Em 2023, chegou a afirmar no X (antigo Twitter) que Jake Sullivan, atual conselheiro de segurança nacional do governo Biden, havia enviado mensagens sigilosas à conta de Clinton. “E o que o DOJ fez sobre isso? Nada”, escreveu.

A declaração foi considerada incorreta. Clinton foi investigada pelo FBI e, dias antes da eleição de 2016, o então diretor da agência, James Comey, anunciou a reabertura do caso, o que muitos avaliam como fator decisivo para sua derrota.

Diante da nova polêmica envolvendo o grupo de Signal, Clinton reagiu de forma breve e direta. Em sua conta oficial, publicou: “Você só pode estar brincando comigo”.

Haverá punição?

A situação expõe uma contradição direta entre o discurso e a prática. Hegseth, que antes pedia punição exemplar por má conduta digital, agora aparece envolvido em uma prática semelhante — e possivelmente mais grave.

Até o momento, não há indícios de que os envolvidos serão responsabilizados. Mas a exposição pública do caso levanta questões sobre critérios duplos e tratamento desigual conforme o contexto político.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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