Em um episódio controverso, o chefe do Pentágono foi flagrado compartilhando planos militares em um grupo de bate-papo. O caso ganhou ainda mais repercussão após vir à tona uma declaração anterior sua, afirmando que quem comete esse tipo de vazamento deveria ser demitido.
Um grupo de conselheiros de segurança nacional dos Estados Unidos, que incluia o chefe do Pentágono, foi flagrado discutindo planos militares confidenciais em um grupo de bate-papo no Signal, um aplicativo comum de mensagens.
A revelação causou espanto por envolver autoridades de alto escalão e expôs uma contradição direta por parte do atual secretário de Defesa, Pete Hegseth.
Hegseth criticava o que agora fez
Antes de assumir o cargo, Hegseth foi um dos críticos mais duros da ex-secretária de Estado Hillary Clinton, por utilizar um servidor de e-mails privado para assuntos oficiais.
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Em declarações veiculadas pela Fox News, ele afirmou que “pessoas foram para a cadeia por 1 por cento do que Hillary Clinton fez” e que ela era “uma política corrupta”.
Essas declarações ocorreram por volta de 2016, quando o grito “prendam ela!” se popularizou em eventos da campanha de Donald Trump.
Hegseth, então comentarista frequente em canais conservadores, reforçava a ideia de que a atitude de Clinton havia sido uma violação grave. Em 2017, ele ainda dizia que ela “reforçou essa narrativa por meio de suas ações imprudentes”.
No entanto, anos depois, o próprio Hegseth foi incluído em um grupo onde altos funcionários discutiam possíveis ataques ao Iêmen usando um aplicativo sem criptografia oficial e fora dos canais autorizados.
Um dos participantes adicionados por engano ao grupo foi Jeffrey Goldberg, editor-chefe da revista The Atlantic, que revelou o conteúdo da conversa.
Especialistas veem riscos legais da revelação dos planos militares
Segundo especialistas ouvidos pela própria The Atlantic, os envolvidos poderiam tentar justificar a conversa afirmando que os planos militares de ataque foram desclassificados.
Mas a explicação, segundo os juristas, não se sustenta, já que os assuntos foram tratados em um ambiente sem proteção oficial — e diante de um jornalista, o que pode configurar um vazamento.
O uso de aplicativos comerciais para tratar informações de segurança nacional é considerado altamente inadequado. Em muitos casos, pode violar o Espionage Act, legislação que trata do manejo de segredos de Estado.
Ainda assim, nenhum dos envolvidos no grupo parece ter levantado preocupações na hora das conversas. Isso incluiu o conselheiro de segurança nacional Mike Waltz, que criou o grupo, e outros membros do alto escalão.
Críticas e ironias
Waltz, aliás, também já criticou Hillary Clinton duramente por seu uso de e-mails privados. Em 2023, chegou a afirmar no X (antigo Twitter) que Jake Sullivan, atual conselheiro de segurança nacional do governo Biden, havia enviado mensagens sigilosas à conta de Clinton. “E o que o DOJ fez sobre isso? Nada”, escreveu.
A declaração foi considerada incorreta. Clinton foi investigada pelo FBI e, dias antes da eleição de 2016, o então diretor da agência, James Comey, anunciou a reabertura do caso, o que muitos avaliam como fator decisivo para sua derrota.
Diante da nova polêmica envolvendo o grupo de Signal, Clinton reagiu de forma breve e direta. Em sua conta oficial, publicou: “Você só pode estar brincando comigo”.
Haverá punição?
A situação expõe uma contradição direta entre o discurso e a prática. Hegseth, que antes pedia punição exemplar por má conduta digital, agora aparece envolvido em uma prática semelhante — e possivelmente mais grave.
Até o momento, não há indícios de que os envolvidos serão responsabilizados. Mas a exposição pública do caso levanta questões sobre critérios duplos e tratamento desigual conforme o contexto político.

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