Levantamentos científicos baseados em taxas globais de extinção, análises estatísticas e lacunas nos registros oficiais indicam que o número de animais extintos por ação humana desde 1500 pode variar de 777 casos confirmados até estimativas que superam 380 mil espécies ao longo de 500 anos
Os animais extintos por ação humana desde 1500 somam ao menos 777 casos confirmados, mas estimativas científicas indicam que o número real pode chegar a centenas de milhares, refletindo incertezas metodológicas, lacunas de dados e o impacto crescente das atividades humanas sobre a biodiversidade global.
Extinções confirmadas e limites dos registros oficiais
Desde o início da era moderna, em 1500, 777 espécies animais foram oficialmente classificadas como extintas pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. Embora algumas perdas possam ter causas naturais, os pesquisadores indicam que os humanos contribuíram para quase todas elas.
A análise concentra-se nos últimos 500 anos porque períodos anteriores carecem de observações científicas sistemáticas. Mesmo nesse intervalo recente, a incerteza permanece elevada, já que a pressão humana sobre os ecossistemas se intensificou sobretudo nos séculos mais recentes.
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Outro fator crítico é que apenas cerca de 5% das espécies conhecidas no mundo tiveram seu risco de extinção avaliado. Isso significa que muitos animais extintos podem nunca ter sido registrados oficialmente, criando uma diferença substancial entre números documentados e perdas reais.
Estimativas globais sugerem centenas de milhares de espécies perdidas
Um estudo de 2022 publicado na revista Biological Reviews estimou que entre 150.000 e 260.000 espécies conhecidas podem ter desaparecido desde 1500. Os números surpreenderam até o autor principal, Robert Cowie, pesquisador da Universidade do Havaí.
O método utilizou uma amostra aleatória de 200 caracóis terrestres para calcular taxas de extinção e extrapolá-las para todas as espécies conhecidas ao longo de 500 anos. O procedimento incluiu revisão de estudos anteriores e consulta a especialistas.
A taxa estimada variou de 150 a 260 extinções por milhão de espécies-ano. Análises complementares com outros grupos, como aves e anfíbios, produziram valores entre 10 e 243, com concentração em torno de 100 E/MSY, considerado um ponto de equilíbrio metodológico.
Matemática das extinções e projeções ampliadas
Aplicando a taxa de 100 E/MSY às cerca de 2 milhões de espécies conhecidas, chega-se a uma estimativa de 100.000 animais extintos nos últimos 500 anos. No entanto, esse cálculo exclui espécies ainda desconhecidas pela ciência.
Um estudo de 2011 da revista PLOS Biology estimou a existência de 7,7 milhões de espécies animais. Considerando esse total, a taxa de 100 E/MSY por 500 anos e descontando 3.850 extinções naturais esperadas, a Live Science chegou ao valor aproximado de 381.150 extinções causadas por humanos.
Os próprios autores ressaltam que se trata de uma estimativa ampla, sujeita a margens elevadas de erro e dependente de suposições estatísticas que podem variar conforme o grupo animal analisado.
Incertezas científicas e desafios metodológicos
Para John Alroy, professor da Universidade Macquarie, é praticamente impossível calcular com precisão as taxas modernas de extinção. Segundo ele, faltam dados confiáveis sobre quantas espécies existem e quantas já desapareceram.
Grande parte da biodiversidade mundial permanece desconhecida e concentrada em regiões pouco estudadas, como áreas tropicais.
Insetos, que formam o grupo mais diverso, são especialmente subrepresentados nos registros científicos atuais.
Alroy sugere o uso de coleções de museus para acompanhar perdas em grupos representativos ao longo do tempo. Mesmo sem um número exato, ele afirma que as extinções reais superam amplamente os 777 registros oficiais.
Consenso sobre impacto humano na biodiversidade
Apesar das divergências numéricas, todos os estudos concordam que as taxas atuais de extinção são muito superiores à taxa natural de fundo, estimada em 1 E/MSY.
Esse padrão confirma que os humanos aceleraram de forma significativa a perda de biodiversidade.
Sejam 20, 100 ou 200 E/MSY, os valores indicam um cenário de degradação contínua. Para os pesquisadores, a magnitude das perdas de animais extintos é suficiente para caracterizar um processo anormal e persistente de extinção em escala planetária, mesmo diante das incertezas estatísticas e metodológicas ainda existentes.

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