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Água engarrafada pode conter 240 mil fragmentos de plástico por litro: estudo científico analisa 280 amostras de 20 marcas, mostra que só uma ficou livre de microplásticos, revela a presença de nanoplásticos e aponta aditivos plásticos e PET na água

Escrito por Carla Teles
Publicado em 27/04/2026 às 11:25
Água engarrafada pode conter 240 mil fragmentos de plástico por litro: estudo científico analisa 280 amostras de 20 marcas, mostra que só uma ficou livre de microplásticos, revela a
Água engarrafada tem microplásticos, nanoplásticos, aditivos plásticos e PET em estudo que alerta para contaminação.
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A água engarrafada voltou ao centro do debate científico após estudos apontarem presença massiva de microplásticos, nanoplásticos, aditivos plásticos e PET, com resultados que colocam em dúvida a ideia de que o produto seja uma alternativa mais segura e mostram um cenário em que apenas uma marca ficou livre de microplásticos entre 20 avaliadas

A água engarrafada passou a ser vista sob uma nova lente depois da divulgação de estudos que encontraram uma quantidade muito maior de partículas plásticas do que se estimava até agora. Um dos levantamentos, feito por pesquisadores da Universidade Columbia, identificou que um litro de água engarrafada pode conter, em média, 240 mil fragmentos de plástico detectáveis. Outro estudo, conduzido pelo CSIC e pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona, analisou 280 amostras de 20 marcas comerciais e concluiu que apenas uma marca não continha microplásticos, embora todas as amostras apresentassem aditivos plásticos.

O tema chama atenção porque atinge diretamente um produto associado por muitos consumidores à ideia de pureza, praticidade e segurança. Segundo a base enviada, a água engarrafada é escolhida principalmente por sabor, aroma e razões de saúde, mas os novos dados indicam que ela pode carregar partículas plásticas em níveis muito superiores aos imaginados. Isso muda o tamanho da discussão e amplia a preocupação sobre exposição cotidiana a compostos liberados pela embalagem e pelo próprio processo de engarrafamento.

O que os estudos revelam sobre a água engarrafada

O estudo da Universidade Columbia analisou três marcas populares de água engarrafada nos Estados Unidos. Para isso, os pesquisadores usaram uma técnica chamada microscopia de espalhamento Raman estimulado, baseada no escaneamento das amostras com dois lasers ao mesmo tempo, ajustados para identificar moléculas específicas.

O resultado foi direto: em média, cada litro continha 240 mil fragmentos de plástico detectáveis, entre microplásticos e nanoplásticos. Os pesquisadores afirmaram ter encontrado entre 110 mil e 370 mil fragmentos por litro, sendo que 90% eram nanoplásticos. A própria equipe destacou que esse volume é de dez a cem vezes maior do que as estimativas anteriores.

Os números que explicam por que o alerta cresceu

A nova dimensão do problema aparece nos próprios dados. Segundo a base, os pesquisadores de Columbia mostraram que a água engarrafada pode ter uma concentração muito mais alta de partículas do que se pensava, especialmente por causa dos nanoplásticos, que são ainda menores e mais difíceis de detectar.

A diferença entre os dois tipos é importante. Os microplásticos têm tamanho entre 100 nanômetros e 5 milímetros. Já os nanoplásticos têm tamanho igual ou inferior a 100 nanômetros. Isso significa que grande parte da contaminação encontrada está justamente na faixa mais difícil de perceber e medir.

Quais plásticos aparecem com mais frequência na água

Um dos plásticos mais comuns encontrados foi o PET, material usado em muitas garrafas. Segundo os pesquisadores citados na base, esse plástico provavelmente entra na água quando pequenos pedaços se desprendem ao apertar a garrafa, quando ela é exposta ao calor ou até quando a tampa é aberta e fechada repetidamente.

Mas o PET não foi o único destaque. A base informa que ele foi superado pela poliamida, um tipo de náilon que provavelmente vem dos filtros plásticos usados para purificar a água antes do engarrafamento. Também foram encontrados poliestireno, cloreto de polivinila e polimetilmetacrilato.

O que o estudo com 280 amostras mostrou nas marcas comercializadas

O levantamento do CSIC e do Instituto de Saúde Global de Barcelona buscou medir o que ocorria nas águas vendidas na Espanha. Para isso, os pesquisadores desenvolveram uma técnica capaz de quantificar partículas entre 0,7 e 20 micrômetros e também os aditivos químicos liberados na água.

Foram analisadas 280 amostras de 20 marcas comerciais. O resultado mostrou que apenas uma marca não continha microplásticos, mas todas as 280 amostras continham aditivos plásticos. Esse dado é um dos mais fortes da base porque indica que o problema não aparece como exceção isolada.

O que foi encontrado além dos microplásticos

O estudo do CSIC mostrou que, em média, um litro de água continha 359 nanogramas de micro e nanoplásticos, quantidade que a base classifica como comparável à encontrada na água da torneira em estudo anterior do mesmo grupo.

A principal diferença estava no tipo de polímero detectado. Na água da torneira, apareceram mais polietileno e polipropileno. Já na água engarrafada, foi identificado principalmente PET, embora o polietileno também estivesse presente. Isso reforça a relação entre a contaminação e o próprio material da embalagem.

Os aditivos plásticos encontrados em todas as amostras elevam o alerta

Além das partículas plásticas, os pesquisadores detectaram 28 aditivos plásticos, principalmente estabilizantes e plastificantes. Esse é um ponto central do estudo porque mostra que a discussão não se limita aos fragmentos sólidos, mas inclui também substâncias químicas liberadas na água.

Segundo a base, o estudo de toxicidade apontou que três tipos de plastificantes apresentaram maior risco à saúde humana e, por isso, devem ser considerados nas análises de risco para consumidores. Isso amplia o debate e leva a discussão para além da simples presença física de partículas.

O que isso significa na prática para quem consome água engarrafada

A base traz uma estimativa concreta: considerando o consumo de dois litros de água por dia, os autores calculam uma ingestão de 262 microgramas de partículas de plástico por ano. Esse número ajuda a transformar o problema em algo mais palpável para o consumidor comum.

O impacto também não fica restrito à teoria. A própria base menciona que outros estudos já encontraram microplásticos em placas ateroscleróticas nas artérias, o que aumenta o risco de ataque cardíaco. Também cita que a Associação Americana de Diabetes afirma que componentes encontrados em garrafas, como BPA e microplásticos, podem aumentar a resistência à insulina.

Por que a água engarrafada deixou de parecer um produto tão simples

Durante muito tempo, a água engarrafada foi tratada como um produto básico, quase automático na rotina de consumo. Mas os resultados reunidos na base mudam essa percepção ao mostrar que ela pode conter microplásticos, nanoplásticos e aditivos químicos em escala relevante.

O ponto mais forte do debate é justamente esse. A água engarrafada não aparece mais apenas como uma escolha de conveniência ou saúde. Ela passa a ser encarada também como uma possível via de exposição cotidiana a partículas e compostos que ainda estão sendo estudados com mais profundidade.

O que ainda não está totalmente esclarecido pelos pesquisadores

A base também mostra que a ciência ainda não fechou todas as respostas. A técnica utilizada pelos pesquisadores de Columbia considerou sete tipos comuns de plástico, mas eles próprios reconhecem que isso representou apenas cerca de 10% de todas as nanopartículas encontradas nas amostras.

Ou seja, ainda existe uma parte muito grande do material detectado que não foi completamente identificada. Segundo a base, se todas essas nanopartículas restantes também forem de plástico, o volume real pode chegar a dezenas de milhões por litro. Isso indica que o problema pode ser ainda maior do que os números já apontam.

Uma descoberta que amplia o debate sobre consumo e segurança

Os estudos reunidos na base não dizem apenas que existe plástico na água engarrafada. Eles mostram que a presença dessas partículas e substâncias ocorre em uma escala ampla, repetida e mais difícil de ignorar.

Com isso, a discussão deixa de ser periférica e passa a atingir o centro da relação entre consumo, embalagem e saúde. Quando 280 amostras mostram aditivos plásticos em todos os casos e quando a média chega a 240 mil fragmentos por litro, o tema passa a exigir um olhar mais atento de consumidores, indústria e pesquisadores.

Na sua opinião, essas descobertas sobre a água engarrafada mudam a forma como o consumidor deve olhar para esse produto no dia a dia?

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Carla Teles

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