Brasil amplia a abertura de mercados no exterior com avanço de negociações e auditorias em Cuba, Etiópia, Peru e Filipinas, liberando espaço para frutas, carnes, sementes, insumos e outros produtos agropecuários em regiões estratégicas da América Latina, África e Ásia
O Brasil registrou novos avanços na abertura de mercados para produtos agropecuários em negociações e missões que envolvem Cuba, Etiópia, Peru e Filipinas. As iniciativas ampliam o acesso de itens brasileiros ao exterior e reforçam a estratégia de expansão comercial baseada em exigências sanitárias, articulação diplomática e diversificação da pauta exportadora.
As frentes abertas reúnem desde frutas frescas até proteínas animais, sementes e insumos usados na alimentação animal. Em comum, os movimentos mostram a tentativa do país de consolidar a presença do agronegócio brasileiro em mercados estratégicos e ampliar as oportunidades de exportação para diferentes cadeias produtivas.
Auditoria cubana avalia entrada de frutas brasileiras
Uma das ações em andamento é a auditoria internacional conduzida pela Organização Nacional de Proteção Fitossanitária de Cuba para avaliar as condições de abertura do mercado cubano à importação de frutas brasileiras. A missão é acompanhada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária desde o início da semana.
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No Brasil, a agenda é coordenada pelo Departamento de Sanidade Vegetal e de Insumos Agrícolas, da Secretaria de Defesa Agropecuária. Na segunda-feira, 6, auditores do Mapa e representantes da Diretoria de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo participaram de uma das etapas da programação.
Durante essa fase, foram apresentadas as medidas adotadas para garantir que a lima ácida tahiti e a laranja atendam aos requisitos fitossanitários exigidos por Cuba. Também participaram engenheiros agrônomos responsáveis pelos programas estaduais de certificação fitossanitária para exportação e de sanidade dos citros.
Visitas técnicas em São Paulo destacam rastreabilidade e controle sanitário
Os representantes cubanos visitaram unidades de produção e de consolidação nos municípios de Santa Adélia e Matão, no interior paulista. Nessas visitas, conheceram os sistemas de rastreabilidade, as medidas fitossanitárias adotadas e os procedimentos previstos na legislação brasileira para assegurar a sanidade da citricultura de São Paulo.
A participação paulista na auditoria teve como foco apresentar tecnicamente as ações que sustentam o estado como o maior parque citrícola do mundo. A missão também foi tratada como oportunidade para mostrar a países interessados em importar produtos brasileiros a robustez do sistema fitossanitário nacional.
A estrutura apresentada pelo Brasil buscou destacar a capacidade de atendimento a requisitos internacionais, especialmente em temas ligados à mitigação e à ausência de pragas. O chefe da Divisão de Programas Especiais de Exportação, Samuth Duarte Alves Pereira, afirmou que o país conta com um sistema consolidado, baseado em monitoramento, controle oficial e rastreabilidade, capaz de garantir a segurança das exportações e ampliar o acesso a novos mercados.
Além de São Paulo, a missão cubana também visitará áreas produtivas no Vale do São Francisco e em Vacaria, no Rio Grande do Sul, para conhecer os sistemas de produção de uva e maçã. A programação será encerrada com uma reunião entre os auditores cubanos e representantes do Mapa, quando serão discutidos os resultados da auditoria e os próximos passos para a abertura do mercado.
Etiópia abre espaço para proteínas animais e produtos pecuários
Em outra frente, o governo brasileiro concluiu negociações com a Etiópia que permitirão a exportação de vários produtos ligados ao segmento de proteína animal. A lista inclui carne bovina, suína e de aves, além dos respectivos produtos cárneos e miúdos.
O pacote também contempla alimentos para animais de companhia, produtos lácteos, pescado extrativo e de cultivo, produtos para alimentação animal de origem não animal, palatabilizantes, alevinos, ovos férteis, bovinos vivos para abate, engorda e reprodução, sêmen e embriões de caprinos e ovinos, além de pintos de um dia.
A abertura amplia a presença do agronegócio brasileiro em um mercado considerado estratégico no Chifre da África e reforça as relações agropecuárias entre os dois países. O movimento ocorre após o estabelecimento de adidância agrícola na Etiópia em 2025.
Com esse resultado, o agronegócio brasileiro alcança 574 aberturas de mercado desde o início de 2023. O avanço foi atribuído à atuação coordenada do Ministério da Agricultura e Pecuária e do Ministério das Relações Exteriores.
Peru aprova sementes de pimenta brasileiras
O governo brasileiro também concluiu negociações que permitirão a exportação de novos produtos agropecuários ao Peru. No mercado peruano, houve aprovação para a entrada de sementes de pimenta da espécie capsicum baccatum.
Esse grupo inclui variedades como dedo-de-moça, pimenta-cumari e cambuci. A abertura amplia a presença brasileira em um parceiro comercial relevante para o setor agropecuário.
Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 729 milhões em produtos agropecuários para o Peru. Entre os principais itens enviados ao país estão produtos florestais, carne de frango, óleo de soja e café.
Filipinas autorizam importação de DDG do Brasil
Nas Filipinas, a abertura de mercado contempla a exportação de grãos secos de destilaria de milho, conhecidos pela sigla DDG. O produto é amplamente utilizado na alimentação animal e passa a integrar a pauta brasileira com acesso ao mercado filipino.
O volume de comércio já existente entre os dois países reforça a importância desse avanço. Em 2025, as Filipinas importaram mais de US$ 1,8 bilhão em produtos agropecuários brasileiros.
Com os anúncios envolvendo Peru e Filipinas, o agronegócio brasileiro alcança 557 aberturas de mercado desde o início de 2023. Assim como em outras negociações recentes, o resultado foi creditado ao trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores.
Estratégia combina sanidade, diplomacia e diversificação
Os avanços mostram estratégias complementares da atuação brasileira no exterior. Em Cuba, o foco está na validação técnica e sanitária da produção de frutas, com auditorias e visitas a unidades produtivas. Na Etiópia, no Peru e nas Filipinas, o destaque está na conclusão de negociações que liberam a entrada de novos produtos.
O conjunto dessas ações também evidencia a diversidade da pauta exportadora do país. Frutas cítricas, uva, maçã, carnes, lácteos, pescado, sementes de pimenta e insumos para alimentação animal aparecem entre os itens alcançados pelas novas frentes comerciais.
No conjunto, as movimentações reforçam a ampliação da presença internacional do agronegócio brasileiro por meio de negociações bilaterais, missões técnicas e articulação diplomática. O resultado é a abertura de novos espaços para exportação em diferentes regiões, com foco no fortalecimento comercial do setor.
