Em debate na AgriZone, especialistas apresentaram iniciativas inovadoras de agricultura urbana que unem saneamento, segurança alimentar e tecnologias da Embrapa para fortalecer a produção sustentável nas cidades
A agricultura urbana vem ganhando espaço como uma alternativa essencial para garantir segurança alimentar, sustentabilidade e adaptação climática nas cidades brasileiras, segundo uma matéria publicada.
Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA), o painel promovido na Arena AgriTalks da AgriZone, espaço da Embrapa dedicado à agricultura sustentável, destacou experiências inspiradoras que unem tecnologia social, políticas públicas e engajamento comunitário.
O evento ocorreu na tarde da última segunda-feira, dia 10, reunindo pesquisadores, gestores públicos e representantes de projetos de referência no país.
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Moderado por Kelliane Fuscaldi, analista da Embrapa e coordenadora-geral de Agricultura Urbana e Periurbana na Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan), o painel apresentou quatro iniciativas vinculadas ao Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, três delas desenvolvidas pela Embrapa: Tá Na Horta, Sisteminha e Agricultura Urbana com Saneamento Básico.
Essas ações demonstram como a produção de alimentos pode estar integrada ao ambiente urbano de forma saudável, resiliente e participativa.
Hortas comunitárias sustentáveis como modelo de inclusão social
Entre as experiências apresentadas, o projeto Tá Na Horta se destacou por promover hortas comunitárias sustentáveis em áreas urbanas vulneráveis.
Desenvolvido pela Embrapa em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), o projeto-piloto foi implantado em Brasília (DF) junto a uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis.
A proposta foi criar um modelo de horta simples e acessível, com foco em segurança alimentar e geração de renda local.
O assessor da Embrapa, Henrique Carvalho, explicou que a iniciativa capacitou cerca de 50 pessoas em duas etapas e resultou na criação de um curso on-line de gestão de hortas comunitárias, previsto para 2026.
O objetivo é oferecer ferramentas técnicas e de gestão que possibilitem a autossuficiência das comunidades, garantindo que o cultivo se mantenha ativo e produtivo.
A ação também incentiva o comércio comunitário de excedentes, ampliando o alcance social e econômico das hortas.
Produção de alimentos em cidades com tecnologias sustentáveis da Embrapa
Outro destaque do painel foi o Sisteminha Embrapa, um conjunto de tecnologias integradas que permite a produção de alimentos em cidades de forma autônoma e sustentável.
Segundo a pesquisadora Guilhermina Cayres, da Embrapa Cocais (MA), o sistema foi desenvolvido para atender famílias de até cinco pessoas, garantindo o equilíbrio nutricional com baixo impacto ambiental.
O modelo é composto por cinco módulos: tanque de peixes, frango de postura, compostagem, minhocário e cultivo vegetal e pode ser adaptado conforme os hábitos locais.
Cada unidade ocupa uma área mínima de 100 m², o que permite sua aplicação tanto em quintais quanto em terrenos urbanos ociosos.
Em parceria com o MDS, estão previstas 300 novas implantações em todo o país, com capacitação de organizações sociais para acompanhar o processo.
De acordo com Guilhermina, o objetivo é alcançar a soberania alimentar e promover autonomia por meio de tecnologias sustentáveis da Embrapa.
Saneamento básico e agricultura urbana: uma parceria para cidades resilientes
Já o projeto Agricultura Urbana com Saneamento Básico apresentou uma abordagem inovadora ao integrar saneamento básico e agricultura.
O pesquisador Wilson Tadeu, da Embrapa Instrumentação (SP), explicou que o foco está na simplicidade e na autogestão comunitária.
Entre os pilares do projeto estão o reuso de efluentes tratados por meio da Fossa Séptica Biodigestora, a fertilização do solo e o estímulo à produção de alimentos saudáveis em escala local.
A iniciativa será implementada inicialmente em Biguaçu, na região metropolitana de Florianópolis (SC), com o objetivo de servir como referência replicável em todo o Brasil.
A proposta visa demonstrar como tecnologias acessíveis podem ser aplicadas na rotina das comunidades, reforçando o vínculo entre saneamento, meio ambiente e segurança alimentar.
Durante o painel, Kelliane Fuscaldi ressaltou que as cidades consomem cerca de 80% dos alimentos produzidos e que a agricultura urbana tem papel essencial na mitigação das emissões de gases de efeito estufa.
Além de aproximar produção e consumo, ela reduz desperdícios e contribui para o cumprimento das metas climáticas previstas nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).
A secretária também destacou que, com a publicação da lei da Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana em 2024 e a atualização do Programa Nacional em 2023, o Brasil fortalece sua base legal para promover cidades mais sustentáveis e socialmente justas, conectando alimentação, meio ambiente e cidadania.

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