Irã comprou 9,1 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025, mas guerra, fertilizantes e o Estreito de Hormuz criam riscos para o agro nacional.
O agronegócio brasileiro encontrou no Irã um dos seus mercados mais importantes para o milho nos últimos anos. Em 2025, o país do Oriente Médio se tornou o maior comprador individual do cereal brasileiro, adquirindo cerca de 9,1 milhões de toneladas, volume superior ao importado por muitos parceiros comerciais tradicionais do Brasil. Os dados foram informados pela Reuters em 05 de março.
O problema é que esse gigante comprador está localizado em uma das regiões mais sensíveis do planeta. Tensões militares, sanções econômicas, riscos logísticos e a importância estratégica do Estreito de Hormuz colocam o comércio agrícola brasileiro diante de um cenário de incerteza que vai muito além da simples relação entre exportador e importador.
Irã comprou mais milho brasileiro do que diversos mercados tradicionais e se tornou peça-chave para as exportações
Os números mostram o tamanho da dependência criada nos últimos anos. Dados de comércio internacional apontam que o Irã importou aproximadamente 9,1 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025, tornando-se o principal destino individual do cereal nacional. O volume representou cerca de 20% a 22% de todas as exportações brasileiras de milho no período.
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Em alguns meses, a importância iraniana foi ainda mais evidente. O Oriente Médio comprou 12,9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025, e somente o Irã respondeu por mais de 9 milhões de toneladas desse total.
Além do milho, o país também compra soja e derivados brasileiros, consolidando-se como um dos principais parceiros do agro nacional fora da Ásia. Em 2025, milho e soja representaram quase 90% das exportações brasileiras destinadas ao mercado iraniano.
Estreito de Hormuz virou um dos maiores pontos de preocupação para o agro brasileiro
Grande parte da apreensão do setor está ligada ao Estreito de Hormuz, corredor marítimo estratégico localizado entre Irã e Omã.
A passagem é uma das rotas mais importantes do comércio mundial e influencia diretamente não apenas os embarques agrícolas, mas também a movimentação de energia e fertilizantes.
Conflitos na região elevaram custos de seguro marítimo, aumentaram incertezas logísticas e criaram riscos para navios que operam no Golfo Pérsico.
Especialistas do setor afirmam que qualquer interrupção prolongada nessa rota pode provocar atrasos, redirecionamento de cargas e aumento dos custos de exportação para empresas brasileiras.
O mesmo conflito que ameaça o milho também pode atingir os fertilizantes usados na próxima safra
O risco não está apenas na venda do milho. O Brasil depende fortemente de fertilizantes importados. Segundo dados citados pela Reuters, o país importou 100% da ureia utilizada em 2025, e cerca de 41% desse volume passou pelo Estreito de Hormuz antes de chegar aos portos brasileiros.
A ureia é um dos fertilizantes nitrogenados mais importantes para culturas como milho, trigo e outras lavouras de grande escala. Com a escalada das tensões na região, preços dispararam e fornecedores chegaram a suspender temporariamente negociações diante da incerteza do mercado.
O Ministério da Agricultura brasileiro chegou a manifestar preocupação com possíveis aumentos de custos para os produtores rurais caso os problemas logísticos persistam.
Guerra, sanções e economia enfraquecida podem reduzir o poder de compra iraniano
Outro fator observado pelos exportadores é a capacidade futura de compra do próprio Irã. Analistas do setor de grãos avaliam que os impactos econômicos provocados pelos conflitos recentes podem reduzir a força financeira do país para manter o mesmo ritmo de importações registrado em 2025.
O mercado já acompanha a possibilidade de menor demanda iraniana nos próximos ciclos comerciais.
Caso isso aconteça, o Brasil poderá enfrentar concorrência mais intensa em outros mercados internacionais, especialmente diante do aumento esperado das exportações de milho dos Estados Unidos, da Argentina e da Ucrânia.
Portos alternativos e novas rotas tentam evitar uma ruptura nas exportações
Apesar dos riscos, o comércio não parou. Empresas e operadores logísticos vêm adaptando rotas para manter o abastecimento da região.
Autoridades e representantes do setor afirmam que o Irã tem ampliado o uso de portos localizados fora da área mais sensível do Estreito de Hormuz, além de reforçar conexões terrestres com países vizinhos.
Dados de 2026 mostram que as compras iranianas de produtos agropecuários brasileiros continuaram relevantes, com embarques de milho, soja e farelo mantendo participação importante na pauta comercial entre os dois países.
O maior comprador de milho do Brasil também se tornou um dos maiores fatores de risco para o agro nacional
Poucos mercados cresceram tão rapidamente para o milho brasileiro quanto o Irã. O país se transformou em um cliente estratégico justamente quando o Brasil ampliava sua produção e conquistava novos espaços no comércio global.

Mas essa mesma dependência agora expõe uma vulnerabilidade importante. O maior comprador do cereal brasileiro está localizado em uma região que influencia simultaneamente exportações agrícolas, fertilizantes, fretes marítimos e custos de produção.
Para o agro nacional, a próxima safra poderá depender não apenas do clima e da produtividade das lavouras, mas também da estabilidade de uma das áreas mais sensíveis do planeta.


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