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Adolescente nigeriana de 15 anos usa cascas de mandioca, folhas de banana e palha de milho para criar absorventes biodegradáveis que atacam pobreza menstrual, lixo plástico e tabu social enquanto disputa prêmio global de inovação ambiental

Escrito por Ana Alice
Publicado em 05/06/2026 às 23:51
Adolescente nigeriana cria absorventes biodegradáveis com resíduos agrícolas para enfrentar lixo plástico e pobreza menstrual. (Imagem: Ilustrativa)
Adolescente nigeriana cria absorventes biodegradáveis com resíduos agrícolas para enfrentar lixo plástico e pobreza menstrual. (Imagem: Ilustrativa)
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Projeto criado por estudante da Nigéria transforma resíduos agrícolas em absorventes biodegradáveis e entra no radar internacional ao conectar ciência, saúde menstrual, reaproveitamento de materiais e redução do lixo plástico.

A estudante nigeriana Raheema Auwal-Panti, de 15 anos, desenvolveu um projeto de absorventes biodegradáveis feitos com resíduos agrícolas, como cascas de mandioca, folhas de banana e palha de milho.

Batizada de PantiPads, a iniciativa busca reduzir o uso de materiais plásticos em produtos menstruais e ampliar o acesso a absorventes em comunidades onde o custo ainda é uma barreira.

O projeto ganhou visibilidade internacional ao ser selecionado entre os 35 trabalhos de estudantes destacados pelo The Earth Prize 2026, competição voltada a soluções ambientais criadas por jovens de 13 a 19 anos.

A premiação é organizada pela Earth Foundation, entidade sediada em Genebra, na Suíça, e reúne iniciativas de diferentes regiões do mundo.

A proposta une reaproveitamento de biomassa, ciência de materiais e saúde menstrual.

No lugar de depender apenas de componentes sintéticos comuns em absorventes descartáveis convencionais, o PantiPads usa matérias-primas vegetais que, segundo a própria iniciativa, podem se decompor com mais facilidade no ambiente.

O projeto ainda está em fase de desenvolvimento e não há registro público de produção em larga escala.

Resíduos agrícolas entram no debate sobre absorventes biodegradáveis

Raheema vive em Minna, capital do estado do Níger, no norte da Nigéria.

A região está em um país onde a agricultura tem papel relevante na economia, e a mandioca figura entre as culturas amplamente produzidas e consumidas.

O processamento desse alimento gera sobras, especialmente cascas, que precisam de manejo adequado após o uso.

De acordo com informações divulgadas sobre o projeto, a estudante passou a observar materiais disponíveis em sua comunidade e a investigar formas de reaproveitá-los.

Cascas de mandioca, folhas de bananeira e palha de milho, geralmente descartadas depois da colheita ou do preparo de alimentos, foram incorporadas à proposta como base para um produto de higiene íntima.

A iniciativa se aproxima de uma área de pesquisa que busca substituir, quando tecnicamente possível, materiais derivados de petróleo por alternativas de origem vegetal.

No caso dos absorventes, a aplicação exige controle de segurança, capacidade de absorção, conforto e adequação ao contato com o corpo.

Por esse motivo, o reconhecimento recebido pelo PantiPads não equivale a uma certificação sanitária ou comercial do produto.

Pobreza menstrual afeta saúde, rotina e educação

Além da questão ambiental, o projeto aborda a pobreza menstrual, expressão usada para descrever a falta de acesso a produtos menstruais, informação, saneamento e locais adequados para higiene.

Segundo o UNICEF, milhões de meninas, mulheres, homens trans e pessoas não binárias não conseguem administrar o ciclo menstrual de forma digna e saudável todos os meses.

A dificuldade pode afetar a presença na escola, a participação em atividades diárias e o bem-estar.

O Banco Mundial estima que cerca de 500 milhões de pessoas não tenham acesso adequado a produtos menstruais e instalações apropriadas para o manejo da higiene menstrual.

O dado é usado por organismos internacionais para dimensionar uma questão ligada a saúde pública, educação e desigualdade de gênero.

Nesse contexto, absorventes de menor custo e fabricados com matérias-primas locais podem entrar no debate sobre alternativas de acesso.

A viabilidade, porém, depende de testes, regulamentação, escala produtiva e distribuição.

Até o momento, as informações disponíveis indicam que o PantiPads permanece como uma solução em desenvolvimento.

Lixo plástico em produtos menstruais descartáveis

Absorventes descartáveis convencionais podem conter camadas plásticas, adesivos e outros componentes de degradação lenta.

Organizações ambientais e estudos sobre resíduos sólidos apontam que produtos menstruais descartados de forma inadequada contribuem para o volume de lixo plástico, especialmente em locais sem coleta eficiente ou tratamento adequado.

A proposta de Raheema parte de uma substituição parcial da matéria-prima.

Ao usar resíduos agrícolas, o PantiPads busca reduzir a presença de materiais sintéticos e dar destino a sobras vegetais.

Ainda assim, não há dados públicos suficientes sobre tempo de decomposição, desempenho em comparação com produtos convencionais ou impactos ambientais medidos por análise independente.

No caso da mandioca, o reaproveitamento tem relevância adicional porque o cultivo está presente em diferentes cadeias produtivas na Nigéria e em outros países africanos.

O uso das cascas em um produto de higiene menstrual transforma um resíduo comum em insumo, mas essa aplicação ainda depende de validação técnica para avançar além do estágio inicial.

The Earth Prize 2026 colocou o PantiPads em vitrine global

O PantiPads entrou na lista dos 35 projetos reconhecidos pelo The Earth Prize 2026.

A competição apresenta os selecionados como “Scholars” e oferece visibilidade, orientação e recursos educacionais a jovens que desenvolvem soluções ligadas ao meio ambiente.

Na edição de 2026, os trabalhos foram divididos por regiões e incluíram propostas sobre resíduos, água, emissões, conservação e reaproveitamento de materiais.

A seleção de Raheema colocou o projeto nigeriano em uma vitrine internacional voltada a estudantes que tentam responder a problemas ambientais a partir de suas realidades locais.

Em comunicado de divulgação da premiação, a Earth Foundation afirmou que os projetos selecionados reúnem jovens com propostas para enfrentar desafios ambientais.

A organização também informou que a edição recebeu soluções variadas, incluindo tecnologias de limpeza oceânica, sistemas de captação de água e alternativas para redução de resíduos.

Produção em larga escala ainda depende de validação

As informações públicas sobre o PantiPads indicam que a iniciativa não está centrada, por enquanto, na construção imediata de uma fábrica própria.

A estratégia descrita em reportagens sobre o projeto envolve aproximação com produtores já estabelecidos, aprendizado sobre processos de fabricação e busca de parcerias.

Esse caminho é necessário porque absorventes menstruais precisam atender a critérios de qualidade, higiene e segurança antes de chegar ao público em grande escala.

Também é preciso definir custo, fornecimento de matéria-prima, padronização do produto e condições de distribuição em comunidades onde o acesso é limitado.

A proposta inclui ainda ações de conscientização sobre saúde menstrual e consumo sustentável.

Nesse ponto, o projeto relaciona o uso de absorventes biodegradáveis ao debate sobre informação, descarte e redução do estigma em torno da menstruação, tema ainda tratado como tabu em diferentes contextos sociais.

Ciência, custo e acesso no mesmo projeto

A trajetória de Raheema Auwal-Panti mostra como iniciativas estudantis podem partir de problemas locais para propor soluções com alcance mais amplo.

O PantiPads combina resíduos agrícolas disponíveis na região, preocupação com lixo plástico e uma tentativa de ampliar o acesso a produtos menstruais.

Não há, porém, informações públicas suficientes para afirmar que o produto já seja fabricado em grande escala, tenha certificações sanitárias ou apresente custo final definido.

Também não foram encontrados dados independentes sobre desempenho técnico, segurança de uso e comparação ambiental completa com absorventes convencionais.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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