Pesquisa genética em sítio arqueológico de Ajvide, na Suécia, revela adolescente enterrada com ossos do pai e mostra que sepultamentos reuniram parentes distantes.
Uma sepultura da Idade da Pedra revelou uma cena incomum em um sítio arqueológico na Suécia. Uma adolescente foi encontrada enterrada de costas, com uma pilha de ossos posicionada sobre seu corpo.
As análises de DNA antigo confirmaram que os restos mortais pertenciam ao pai da jovem.
Segundo os pesquisadores, ele provavelmente morreu antes dela e teve seus ossos transferidos posteriormente para o túmulo da filha.
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DNA antigo muda o entendimento sobre os enterros
O achado faz parte de um estudo genético conduzido por pesquisadores da Universidade de Uppsala.
A pesquisa foi publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society B.
Os cientistas analisaram quatro das oito sepulturas múltiplas identificadas no sítio arqueológico de Ajvide, localizado na ilha de Gotland
A hipótese inicial previa laços familiares diretos, mas os resultados indicaram outra realidade.
Em diversas covas, os indivíduos enterrados juntos não eram parentes de primeiro grau.
Em vez disso, surgiram relações de segundo e terceiro grau, como primos, tias e sobrinhos.
Esse padrão sugere que os rituais funerários valorizavam vínculos familiares mais amplos.
Assim, o conceito de família pode ter sido mais abrangente do que o modelo nuclear moderno.
Mulher enterrada com crianças não era a mãe
Uma das sepulturas analisadas revelou o esqueleto de uma mulher ao lado de duas crianças. O DNA mostrou que os jovens eram irmãos biológicos.
Entretanto, a mulher não possuía vínculo materno com eles. Os dados indicaram que ela poderia ser tia ou meia-irmã, revelando um arranjo familiar inesperado.
Em outro túmulo, um menino e uma menina enterrados juntos foram identificados como primos de terceiro grau. Já em uma terceira cova, os esqueletos de uma menina e de uma jovem também apresentaram parentesco distante.
As hipóteses incluem relações como primas ou até tia-avó e sobrinha-neta. Portanto, os enterros coletivos não se restringiam a pais e filhos.
Ajvide: um sítio arqueológico escavado há décadas
O sítio arqueológico de Ajvide começou a ser escavado em 1983. Desde então, arqueólogos identificaram 85 sepulturas associadas à cultura da Cerâmica Perfurada.
Essa sociedade viveu na região há cerca de 5.500 anos.
O local permaneceu ocupado por pelo menos quatro séculos, indicando uma comunidade relativamente estável.
Caçadores-coletores resistiam à expansão agrícola
Mesmo com a agricultura já disseminada em grande parte da Europa, os habitantes de Gotland mantinham um estilo de vida baseado na caça e na pesca.
A subsistência dependia principalmente da caça de focas e da pesca.
Esse detalhe reforça o contexto histórico do sítio arqueológico. Ajvide representa um período em que diferentes modos de vida coexistiam no continente.
Helena Malmström, arqueogeneticista e coautora do estudo, ressaltou a importância dos resultados.
“Surpreendentemente, a análise mostrou que muitos dos que foram enterrados juntos eram parentes de segundo ou terceiro grau, em vez de parentes de primeiro grau — ou seja, pais e filhos ou irmãos — como costuma-se supor.” disse Malmström em comunicado. “Isso sugere que essas pessoas tinham um bom conhecimento de suas linhagens familiares e que os relacionamentos além da família imediata desempenharam um papel importante.”
O que o sítio arqueológico revela sobre essa sociedade?
Os dados genéticos indicam que os laços sociais iam além do núcleo familiar direto.
Relações ampliadas, possivelmente ligadas a linhagem e pertencimento, parecem ter influenciado decisões funerárias.
Assim, o sítio arqueológico sugere uma organização social mais complexa do que se imaginava.
O parentesco distante pode ter desempenhado papel relevante na identidade do grupo.
DNA antigo amplia horizontes da arqueologia
A análise genética de restos humanos milenares vem transformando estudos arqueológicos. O DNA antigo permite identificar relações biológicas impossíveis de serem detectadas apenas pela escavação tradicional.
No caso de Ajvide, essa abordagem revelou conexões familiares inesperadas. Além disso, trouxe novas perguntas sobre rituais e estruturas sociais.
A equipe da Universidade de Uppsala pretende expandir as análises para outros esqueletos recuperados em Ajvide.
O objetivo é mapear a estrutura social, reconstruir histórias de vida e compreender melhor os ritos funerários.
Portanto, o sítio arqueológico ainda pode revelar informações decisivas sobre os caçadores-coletores escandinavos. Cada nova análise ajuda a redesenhar a narrativa sobre o passado humano.
As descobertas mostram que práticas funerárias pré-históricas eram mais diversas e simbólicas do que se pensava.
Fonte: Revista Galileu

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