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Adeus terras raras: novo ímã criado com metais comuns atinge desempenho próximo aos mais potentes do mundo

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 19/01/2026 às 18:32 Atualizado em 19/01/2026 às 18:33
Pesquisa identifica nova classe de ímãs potentes sem terras raras, usando metais abundantes e boro, com aplicações em energia limpa e eletrônica.
Pesquisa identifica nova classe de ímãs potentes sem terras raras, usando metais abundantes e boro, com aplicações em energia limpa e eletrônica.
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Pesquisa liderada por físicos da Universidade de Georgetown demonstra que boridos de alta entropia com metais de transição abundantes e boro podem atingir anisotropia magnética elevada sem uso de terras raras, abrindo caminho para ímãs permanentes mais sustentáveis, com impacto direto em energia limpa, eletrônica e armazenamento de dados

Pesquisadores da Universidade de Georgetown identificaram uma nova classe de ímãs potentes livres de terras raras e metais preciosos, baseada em boridos de alta entropia com metais de transição abundantes, avanço que pode reduzir custos, impactos ambientais e riscos geopolíticos em tecnologias magnéticas modernas.

Fundamentos da anisotropia e limitações dos materiais atuais

Uma característica essencial dos ímãs modernos é a anisotropia magnética, definida como a forte preferência da magnetização por uma direção específica. Essa propriedade sustenta o desempenho de ímãs permanentes e de mídias de gravação, influenciando estabilidade, eficiência e densidade de informação.

Atualmente, os materiais com maior anisotropia dependem fortemente de elementos de terras raras. Esses elementos são caros, associados a impactos ambientais durante a extração e sujeitos a interrupções de fornecimento e instabilidade geopolítica, o que afeta cadeias industriais críticas.

Para aplicações em filmes finos, ligas de ferro e platina tornaram-se referência para a próxima geração de gravação magnética. No entanto, a presença do metal precioso platina mantém o desafio de custo e sustentabilidade, reforçando a necessidade de alternativas baseadas em elementos abundantes.

Encontrar materiais de alto desempenho que dispensem terras raras e metais preciosos tem sido, portanto, um desafio científico e tecnológico de longa data, especialmente para aplicações que exigem elevada anisotropia e controle direcional da magnetização.

Descoberta dos boridos de alta entropia e estratégia de design

A equipe liderada pelos professores Kai Liu e Gen Yin, com participação do estudante de pós-graduação Willie Beeson (G’25), descobriu um novo tipo de ímãs potentes baseado em boridos de alta entropia, utilizando metais de transição abundantes na Terra e boro.

Esses materiais são livres de terras raras e metais preciosos e estabelecem uma estratégia promissora para o design sustentável de ímãs. Os resultados foram publicados na revista Advanced Materials.

Segundo Liu, a abordagem oferece uma rota sustentável para a fabricação de ímãs potentes aplicáveis desde mídias de gravação magnética do futuro até ímãs permanentes, ao mesmo tempo em que aponta para a redução da dependência de materiais críticos.

Ligas de alta entropia contêm cinco ou mais elementos em proporções quase iguais e emergiram como uma plataforma poderosa para descoberta de materiais. Seu amplo espaço composicional permite acessar novas estruturas e propriedades eletrônicas relevantes.

Superação de limitações estruturais e escolha da fase C16

A maioria dos estudos em ligas de alta entropia concentra-se em estruturas cúbicas quimicamente desordenadas, inadequadas para forte anisotropia magnética, que favorece simetria cristalina mais baixa. Essa limitação restringiu o avanço do magnetismo nesses sistemas.

Os pesquisadores contornaram o problema ao focar em boridos de alta entropia, nos quais o boro promove ordenação química e estruturas cristalinas de menor simetria. A equipe buscou especificamente uma estrutura tetragonal, conhecida como fase C16.

A fase C16 pode ser imaginada como um cubo esticado ao longo de uma de suas faces. Embora conhecida em materiais à base de boro com dois ou três elementos, essa estrutura permanece pouco explorada em materiais mais complexos e multicomponentes.

Ao direcionar a síntese para essa simetria, os pesquisadores criaram as condições necessárias para aumentar a anisotropia magnética, alinhando a magnetização a uma direção preferencial de forma mais pronunciada.

Síntese combinatória e exploração rápida de composições

Beeson sintetizou os boridos de alta entropia por meio de pulverização catódica combinatória no laboratório de Liu. Nesse método, átomos de múltiplos materiais-alvo se misturam completamente ao serem coletados em um substrato aquecido.

A abordagem permitiu explorar rapidamente um grande número de composições sob condições idênticas. Em um único substrato, cerca de 50 amostras podem ser produzidas simultaneamente, cada uma com composição variada.

Essa capacidade de varrer sistematicamente o espaço composicional foi central para identificar combinações que transformam a magnetização, induzindo uma direção preferencial e aumentando significativamente a anisotropia magnética observada.

O método também favorece reprodutibilidade e comparação direta entre amostras, acelerando a identificação de tendências e relações entre composição química, estrutura cristalina e propriedades magnéticas, mesmo com pequenas variações.

Principais conclusões e desempenho sem terras raras

A equipe sintetizou os primeiros boridos de alta entropia na estrutura C16 utilizando metais de transição 3d abundantes, aqueles da primeira linha do bloco d da tabela periódica, estabelecendo uma nova classe de materiais magnéticos ordenados de alta entropia.

Ao introduzir múltiplos metais de transição 3d e explorar o espaço composicional com co-sputtering combinatório, os pesquisadores aumentaram a anisotropia, fazendo a magnetização apontar para uma direção preferencial com intensidade significativamente maior.

Composições quinárias recém-descobertas exibiram forte anisotropia magnética, aproximando-se daquela de ímãs permanentes de terras raras e superando valores relatados anteriormente para materiais de alta entropia sem terras raras, um resultado considerado recorde nesse contexto.

Cálculos da teoria do funcional da densidade confirmaram as tendências experimentais e identificaram a estrutura eletrônica otimizada como origem da anisotropia aumentada, com destaque para a concentração de elétrons de valência e o momento magnético efetivo.

Concordância entre teoria e experimento e próximos passos

A concordância entre teoria e experimento reforça a robustez da abordagem e valida o papel da estrutura eletrônica no controle da anisotropia. Esses achados fornecem diretrizes claras para o design racional de novos ímãs.

Segundo Gen Yin, a equipe continua explorando ímãs permanentes ainda melhores e mídias de gravação com diferentes composições e estruturas cristalinas subjacentes. O uso de aprendizado de máquina é citado como ferramenta para acelerar descobertas.

Essa combinação de síntese combinatória, modelagem teórica e técnicas computacionais visa ampliar o espaço explorado, identificando rapidamente composições com propriedades magnéticas superiores e ajustáveis a diferentes aplicações.

Apesar do foco em magnetismo, o trabalho também evidencia o potencial amplamente inexplorado de materiais ordenados de alta entropia como plataforma para propriedades funcionais avançadas além desse domínio, abrindo novas frentes de pesquisa.

Impacto e aplicações em tecnologias magnéticas sustentáveis

Os resultados estabelecem uma estratégia de síntese de alta entropia assistida por boro para alcançar forte anisotropia magnética utilizando apenas elementos abundantes na Terra. Essa abordagem tem implicações diretas para sustentabilidade e segurança de suprimentos.

Os materiais desenvolvidos são especialmente promissores para aplicações que exigem alta anisotropia, como mídias de gravação magnética assistidas por calor, dispositivos espintrônicos e junções de túnel magnético, além de ímãs permanentes energeticamente eficientes.

Ao demonstrar que é possível obter alta anisotropia sem elementos de terras raras, a pesquisa abre novos caminhos para tecnologias magnéticas sustentáveis, com potencial impacto em energia limpa, eletrônica de consumo e sistemas industriais.

Além do magnetismo, o estudo destaca o vasto potencial dos materiais ordenados de alta entropia como plataforma de descoberta, sugerindo que outras propriedades funcionais avançadas podem emergir desse espaço composicional ainda pouco explorado, mesmo com alguns desfaio técnicos remanescentes.

Este artigo foi elaborado com base em material divulgado pela Universidade de Georgetown e nos resultados do estudo publicado na revista científica Advanced Materials, conforme síntese apresentada pelo portal Phys.org.

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João Gonçalves cabeceira
João Gonçalves cabeceira
24/01/2026 13:20

Uai cadê meu comentário…

João Gonçalves cabeceira
João Gonçalves cabeceira
24/01/2026 13:15

PQP se forem redigir um relatório técnico específico com essa(nem.I(inteligência)-nem.A(artificial) explicando essa enxurrada verbal acima; será que ainda tem alguém com o mínimo de conhecimento gramatical…

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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