Escavações em Ihnasya, no Egito, revelaram inscrição ligada a Senusret III, cabeça de mármore de Afrodite, estruturas de uma basílica romana e vestígios que mostram a importância religiosa, política e econômica da antiga cidade
Escavações em Ihnasya, antiga cidade da província de Beni Suef, no Egito, revelaram achado raro de artefatos de diferentes períodos, incluindo uma inscrição ligada ao faraó Senusret III, uma cabeça de mármore de Afrodite e partes inéditas de uma basílica romana, ampliando a compreensão sobre a importância religiosa, política e econômica do local.

achado raro de Inscrição de Senusret III reforça peso religioso de Ihnasya
Um dos principais achados é um bloco de pedra reutilizado com o cartucho de Senusret III, governante da Décima Segunda Dinastia. A inscrição preserva tanto o nome de trono quanto o nome de nascimento do faraó.
A descoberta ganha relevância porque Senusret III já era associado a outros monumentos encontrados na região.
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O novo registro fortalece a ligação entre o faraó e Ihnasya, cidade que teve papel importante em diferentes fases da história egípcia.
Os arqueólogos também identificaram outro cartucho relacionado a Osíris-Nefertem, divindade venerada no local.
A presença dessa referência reforça o caráter religioso da cidade e mostra como seus espaços de culto atravessaram diferentes períodos históricos.
Conhecida pelos gregos como Heracleópolis Magna, Ihnasya manteve importância regional mesmo após deixar de ser capital.
O conjunto de achados ajuda a explicar por que o sítio segue relevante para o estudo da organização urbana, religiosa e política do antigo Egito.
Basílica romana usou partes de templo dórico desmontado
As escavações também revelaram trechos até então desconhecidos de uma basílica romana. Durante os trabalhos, os arqueólogos identificaram que elementos de um antigo templo dórico foram desmontados e reaproveitados na construção do edifício religioso.
As análises preliminares indicam que, no século 6 d.C., os construtores incorporaram partes dessa estrutura anterior às fundações e ao piso que sustentavam as colunas da basílica.
O reaproveitamento dos materiais mostra uma transformação importante no uso dos espaços públicos e religiosos de Ihnasya.
Grandes blocos de pedra foram organizados para formar uma base capaz de sustentar colunas monumentais.
Algumas dessas colunas são estimadas em cerca de 45 toneladas. Três delas permanecem preservadas em suas posições originais, o que ajuda os pesquisadores a estudar as técnicas usadas na construção e na adaptação do edifício.

Cabeça de Afrodite é considerada rara no sítio arqueológico
Outro destaque das escavações em Ihnasya é uma cabeça de mármore que representa Afrodite, deusa grega do amor e da beleza. A peça mede aproximadamente 24 por 25 centímetros.
A escultura preserva detalhes refinados, como os traços faciais e os cachos esculpidos. De acordo com os arqueólogos, a peça segue características comuns às representações clássicas de divindades e personagens de destaque do mundo greco-romano.
O material foi classificado como um exemplar raro entre os achados já identificados no sítio arqueológico. Sua presença amplia o quadro de influências culturais registradas em Ihnasya ao longo do tempo.
A descoberta também reforça a presença de elementos greco-romanos na cidade, que passou por sucessivas transformações religiosas, arquitetônicas e institucionais.
Moldes de moedas indicam atividade econômica no período romano
Além da inscrição de Senusret III, da cabeça de Afrodite e das estruturas da basílica romana, os arqueólogos localizaram fragmentos de relevos esculpidos, elementos arquitetônicos decorados e moldes de argila usados na fabricação de moedas.
Esses materiais indicam que Ihnasya continuou ativa e economicamente relevante muito depois do fim da era faraônica.
A presença dos moldes aponta para atividades ligadas à produção monetária durante o período romano.
O conjunto de evidências ajuda a reconstruir a trajetória da cidade ao longo de mais de um milênio. As descobertas mostram mudanças nas práticas religiosas, na arquitetura e nas instituições públicas, refletindo a influência de diferentes culturas.
Os materiais recuperados ainda estão em análise e passarão por novos estudos de datação. Os pesquisadores esperam compreender com mais precisão como Ihnasya se transformou e como seus habitantes responderam às mudanças políticas, religiosas e culturais da longa história egípcia.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do Archaeology News e do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
