Para Bruxelas, o país foi avisado por anos e tinha condições de se adaptar às exigências sanitárias, mas não agiu. A versão é do porta-voz da UE para comércio, que minimiza o atrito e prevê aprovação do tratado com o Mercosul, hoje questionado na Justiça europeia.
A União Europeia afirma que o Brasil tinha capacidade econômica, industrial e técnica para evitar o veto à carne, mas não tomou as providências necessárias para se adequar às exigências do bloco. A avaliação é do porta-voz da UE para comércio, Olof Gill, em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo em 9 de junho de 2026. Segundo ele, o país e o setor agropecuário foram avisados sobre a possibilidade de restrições à importação de carne e soja, mas não fizeram as mudanças que estavam ao seu alcance, o que levou o embargo a ser efetivado.
De acordo com a publicação, Gill atribui o problema à falta de comprovação dos padrões sanitários por parte do Brasil ao longo de anos. O porta-voz afirmou à Folha que, por três ou quatro anos, o bloco europeu pediu que o país apresentasse evidências de que a cadeia de alimentos enviados à Europa, como a carne, atende aos padrões de segurança alimentar e de saúde, e que isso não foi feito até agora. Apesar do impasse, ele avalia que o atrito não deve prejudicar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
O argumento europeu sobre a carne brasileira

Conforme a entrevista à Folha, foram justamente as restrições a alguns desses produtos que colocaram o Brasil na lista de vetos à importação.
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Para o porta-voz, esses parâmetros sanitários e as regras sobre o uso de tais substâncias são conhecidos em todo o mundo, o que, na visão europeia, retira do bloco a responsabilidade pela barreira imposta.
Na fala atribuída a Gill, a solução estaria inteiramente nas mãos do lado brasileiro.
O porta-voz declarou à Folha acreditar que o Brasil tem capacidade industrial, conhecimento e poder econômico para atender aos parâmetros com facilidade, tratando a questão como uma simples decisão do país de assumir a responsabilidade sobre os produtos que deseja exportar.
Segundo ele, caso essa adequação seja feita, os dois lados terão um bom acordo comercial.
Vale registrar que se trata da versão da União Europeia sobre um tema que envolve interesses comerciais dos dois blocos.
O acordo entre Mercosul e União Europeia sob julgamento
O pano de fundo da declaração é o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que segue em disputa.
De acordo com a Folha, o tratado está sendo julgado pela Corte Europeia, e o porta-voz enxerga motivações políticas no processo que questiona o acordo, atribuindo-o a opositores que tentariam revertê-lo de alguma forma.
Mesmo assim, Gill defende que o entendimento entre os blocos não apresenta problemas jurídicos ou legais e que o desfecho será a sua aprovação.
Sobre o prazo desse julgamento, o porta-voz evitou fazer previsões à Folha.
Ele afirmou ser impossível estimar uma data, ressalvando que o caso não é comparável a processos que normalmente levam cerca de um ano ou um ano e meio na Corte.
Gill sustentou ainda que, como o acordo já vem entrando em vigor de forma gradual, os benefícios econômicos seriam sentidos pela população europeia, o que, na sua avaliação, acabaria por enfraquecer os argumentos de quem teme prejuízos a setores do continente.
Um atrito comercial com mais de um lado
As declarações do porta-voz expõem a leitura europeia de um impasse que afeta diretamente o agronegócio brasileiro.
A carne está entre os principais produtos da pauta de exportação do Brasil, e qualquer restrição de um mercado do porte da União Europeia tem peso econômico relevante para o país.
Por isso, a forma como o bloco europeu descreve o episódio, colocando a responsabilidade sobre o lado brasileiro, é parte de uma negociação que ainda está em curso.
É importante lembrar que a matéria traz a posição de uma das partes envolvidas no atrito.
A versão do governo brasileiro e do setor agropecuário sobre as exigências sanitárias, os prazos e a viabilidade das adaptações pode divergir da leitura apresentada por Bruxelas.
Em temas de comércio exterior, declarações de porta-vozes costumam refletir também estratégias de negociação, e o desfecho tende a depender do diálogo entre os dois blocos e da decisão da Corte Europeia sobre o tratado.
O veto à carne brasileira e a forma como a União Europeia o explica reacendem o debate sobre as barreiras sanitárias no comércio internacional.
Na versão do porta-voz Olof Gill, o Brasil tinha todas as condições de evitar o embargo e apenas deixou de assumir a responsabilidade, enquanto o acordo com o Mercosul caminharia para a aprovação.
Resta acompanhar a resposta brasileira e o andamento do julgamento na Corte Europeia, que devem definir os próximos capítulos dessa disputa.
E você, o que acha da posição da União Europeia sobre o veto à carne brasileira? Comente se considera justa a cobrança do bloco europeu, como avalia a resposta do Brasil diante das exigências sanitárias e qual impacto enxerga para o agronegócio nacional. A conversa fica aberta ao debate, com respeito às diferentes opiniões sobre um tema que envolve economia, soberania e comércio exterior.


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